Timing perfeito
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Quando o ambiente parecia tranquilo no Paris Saint-Germain, o clube se vê em meio a mais uma polêmica. Desta vez, o clima azedou entre Antoine Kombouaré e Stéphane Sessegnon. O treinador declarou, em entrevista coletiva, que não permitiria a saída de qualquer jogador do elenco, mesmo se o atleta manifestasse este desejo. As palavras do técnico eram, na verdade, um nítido recado ao meia.
Algumas horas antes de Kombouaré falar com os repórteres, Sessegnon procurou o treinador. O meia quis conversar sobre sua situação no time da capital francesa e deixou claro seu desejo de deixar o PSG. O jogador perdeu sua condição de titular e viu diminuir drasticamente sua importância na equipe.
Nesta temporada, Sessegnon disputou apenas quatro partidas como titular, em um total de 566 minutos em campo. O que era para ser uma simples conversa logo se tornou uma tormenta, conforme revelou o jornal L’Équipe. De acordo com a publicação, Kombouaré teria até insultado o jogador de Benin. Ou seja: além da reserva, Sessegnon se viu completamente desmoralizado e sem qualquer chance de reconquistar seu espaço na equipe.
Embora fizesse parte da lista de jogadores relacionados para a partida contra o Nancy, Sessegnon não se apresentou para o jogo. A torcida do PSG não deve vê-lo mais vestir a camisa do clube, já que ele se tornou persona non grata para Kombouaré. Por mais que se irritasse com o pedido do meia, o treinador mostrou seu destempero ao tratar o assunto sem um pingo de equilíbrio e levá-lo para a baixaria.
Se já tinha um jogador desmotivado, agora Kombouaré conseguiu estragar um ambiente calmo, como há tempos não se via pelos lados do Parc des Princes. O caso Sessegnon lembra bastante o de Rôthen, que rescindiu seu contrato com o Paris Saint-Germain após um desgastante processo de fritura.
O meia já provou seu valor em temporadas passadas e também se prejudica com este episódio desagradável. Sessegnon teria boas chances de se destacar pelo PSG novamente e reviver seus melhores momentos, mas agora ficará com seu futuro indefinido e sem a oportunidade de rebater as críticas de Kombouaré. A rescisão de seu contrato parece ser uma questão de tempo e seria a melhor solução para ele.
Toda esta polêmica vem em péssima hora. O PSG (antes de seu jogo contra o Nancy) carrega uma invencibilidade de 13 partidas; em seus últimos 22 duelos, a equipe sofreu apenas uma derrota. Além disso, o time demonstra uma qualidade que não exibia em temporadas anteriores: a força como visitante. Fora de seus domínios, o Paris Saint-Germain obteve três vitórias, quatro empates e foi derrotado uma única vez.
Kombouaré, com sua fama de disciplinador, conseguiu duas coisas ruins ao mesmo tempo: descartar um jogador de qualidade como Sessegnon e, pior, desestabilizar um grupo que vive um bom momento na Ligue 1. Claro que o PSG tem seus defeitos, como deixar escapar pontos preciosos contra rivais já dominados, mas o excesso de rigor do técnico pode ter contribuição ainda mais decisiva para mais um fiasco nesta temporada.
Chances remotas
Lyon e Real Madrid se reencontrarão nas oitavas de final da Liga dos Campeões. No entanto, ao contrário da surpresa proporcionada pelo OL na temporada passada, quando eliminou o poderoso time espanhol, desta vez a equipe francesa não parece ter muitas chances diante dos comandados de José Mourinho. O Olympique de Marselha também corre grande risco de ver sua aventura na LC terminar cedo, com o Manchester United como seu carrasco.
O sorteio das oitavas da LC mostrou-se um terror para os dois sobreviventes franceses. O Real Madrid passou com sobras em um grupo difícil, que contou com Milan, Ajax e Auxerre, e fez a melhor campanha da fase de grupos. O Lyon, por sua vez, penou para se classificar em uma chave com Schalke 04, Benfica e Hapoel Tel Aviv. Aliás, os lioneses enfrentaram grandes dificuldades para arrancar um empate contra a equipe israelense mesmo jogando em casa, e mostraram suas limitações nas partidas contra os outros rivais no returno.
Nem adianta puxar pelo retrospecto positivo do Lyon diante do Real Madrid para acreditar em uma nova zebra. Em seis jogos contra os Merengues, o OL venceu três e empatou três. Agora, porém, os lioneses enfrentam um adversário com um equilíbrio muito maior em seus setores dentro de campo. Além disso, a figura emblemática de Mourinho no banco de reservas deixa poucas esperanças à torcida do Lyon.
A vida do Olympique de Marselha também está bem complicada. Embora o OM tenha crescido durante a fase de grupos da LC, é bem diferente obter uma vaga em uma chave que conta com um Spartak Moscou e um saco de pancadas chamado Zilina. Há de se celebrar o triunfo diante do Chelsea, mas ela não deve iludir os torcedores. Embora seja uma motivação, deve-se lembrar que os marselheses superaram um rival já classificado, que entrou em campo sem diversos titulares e apenas para cumprir tabela.
Jean-Claude Dassier, presidente do Olympique de Marselha, acredita que as chances de classificação do clube para as quartas de final são de 50%. Menos, por favor. Claro que o OM não entrará em campo eliminado, mas também não dá para se desprezar a força do líder invicto do Campeonato Inglês.
Obviamente nunca se pode deixar a zebra de lado, mas nesta temporada dificilmente veremos um time francês ir longe na Liga dos Campeões. A ida do Lyon para as semifinais na edição anterior do torneio deve ficar mesmo como uma doce lembrança.