‘É a primeira vez que vejo isso’: Diretor brasileiro, Thiago Scuro explica polêmicas do Monaco na janela
Clube do Principado tinha acordo para vender Falorin Balogun ao Everton e Lamine Camara ao Chelsea, mas nada se concretizou
O último dia da janela de transferências costuma ser uma loucura, marcado por reviravoltas. Esse foi o caso do Monaco, que precisava fazer pelo menos uma venda para atender suas necessidades financeiras. Contudo, mesmo com propostas por Falorin Balogun e Lamine Camara, o clube do Principado não fechou nenhum acordo.
Thiago Scuro, CEO do Monaco, concedeu uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (2) para explicar os negócios frustrados com Everton e Chelsea, respectivamente, o que impediu a redução da folha salarial exigida pela Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG, órgão responsável por fiscalizar as finanças do futebol francês).
A situação irritou os Blues, que precisavam de um substituto para Enzo Fernández depois do acordo com o Manchester City. Sem receitas suficientes, os monegascos também não contrataram o ponta Farès Ghedjemis (Frosinone) e o volante Erik Lira (Cruz Azul), apesar de já terem tratativas avançadas com a dupla.
— É a primeira vez na minha carreira que vejo um último dia (de fechamento de janela) como este — resumiu o diretor brasileiro do Monaco.
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Scuro revela bastidores do Monaco
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Antes de falar sobre a terça-feira caótica, Scuro fez uma retrospectiva dos últimos 10 dias do Monaco, relembrando que a prioridade era negociar o atacante dos EUA, que já havia cumprido o ciclo mínimo de três temporadas na equipe e havia avisado nos bastidores o desejo pela mudança de ares, tanto que seu substituto (Matthis Abline) foi comprado junto ao Nantes semanas antes.
Enquanto buscava uma solução para Balogun, o clube do Principado comunicou Camara que a ideia era segurá-lo para 2026/27 por ter completado apenas duas temporadas na equipe, além de ser fundamental para o estilo de jogo de Filipe Luís. Procurado por gigantes europeus, ele concordou com a estratégia e manteve o profissionalismo.
No dia final do mercado, o Monaco se acertou com o Everton para vender seu camisa 9 por 40 milhões de libras (cerca de R$ 277,2 milhões). Falorin Balogun viajou até Liverpool para realizar exames médicos e assinar seu contrato com os Toffees, que chegaram a tentar Gabriel Jesus e Richarlison em meio à saída de Beto para a Fiorentina.
O CEO dos monegascos afirma que o plano estava sendo cumprido até às 16h (horário local), já que teria lucro com a saída do atacante de 25 anos e também abriria espaço na folha com o empréstimo do zagueiro Thilo Kehrer ao Ajax. Nesse momento, o Chelsea voltou a insistir pelo camisa 8 porque precisava de uma reposição urgente para o meia argentino.
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— Recebemos um contato do Chelsea: “Certo, vendemos um jogador dessa posição (Fernández). Negócio fechado. Existe alguma possibilidade de o Monaco estar disposto a vender o Lamine?” A resposta foi a mesma: “Não” — garantiu Thiago Scuro.
Dúvida do Everton por Balogun causa efeito cascata
Às 19h (horário local), os Toffees procuraram o Monaco para levantar dúvidas sobre as condições físicas de Balogun. Para o diretor brasileiro e a equipe médica particular de Balogun, as questões apontadas“não faziam sentido”, pois “eram insuficientes para justificar ou suscitar preocupações quanto ao futuro do jogador”.
O Everton compartilhou os resultados dos exames com outros especialistas para discutir o caso do camisa 9 do clube do Principado, cujo processo levou de “duas a três horas”. Para se resguardar de uma possível desistência por Falorin Balogun nos momentos finais da janela, o Monaco aceitou liberar Lamine Camara aos Blues.
— O Chelsea veio e nos chamou. “Talvez possamos ser a solução” e, naquele momento, tivemos de abrir espaço para a discussão (pelo meia de 22 anos) — admitiu Scuro.
Enzo Fernández is here 🤝 pic.twitter.com/NWyxbpGquy
— Manchester City (@ManCity) September 1, 2026
Perto das 20h (horário local), o diretor brasileiro iniciou as tratativas com o Chelsea e avisou o senegalês que ele poderia ir para Stamford Bridge. Os monegascos aceitaram um pacote de 55 milhões de euros (em torno de R$ 325,6 milhões), e Camara iria assinar por seis temporadas. Só que, às 22h (horário local), os Toffees entenderam que não havia motivos para se preocupar com a saúde de Balogun e queriam concluir a transferência.
— Assim que recebemos a informação (do Everton), voltamos ao Chelsea e dissemos: “Ok, temos o negócio encaminhado (por Balogun), sem acordo (por Lamine Camara)”. Porque também é justo agir assim, também faz parte do jogo — contou o diretor brasileiro do Monaco.
Thiago Scuro então assinou a papelada, assim como os membros da diretoria do Everton, mas, a cinco minutos do fechamento do mercado, Balogun decidiu que não queria mais a transferência porque não se sentia “bem” com “a maneira que foi tratado” pelos ingleses, tampouco se sentia “confortável” em assumir um longo compromisso depois das alegações clínicas dos Toffees.
Para concluir, Scuro reforçou que o clube do Principado “está muito, muito feliz” com a permanência do camisa 8 e, por conhecer sua “mentalidade e personalidade”, a negociação fracassada com os Blues não vai diminuir seu comprometimento com o técnico brasileiro. Por outro lado, o dirigente ainda busca uma solução para o atacante em outros mercados, mas sem fechar as portas para uma sequência no Monaco. Caberá a Balogun decidir.