‘É um jogador muito diferente’: Quem é Lamine Camara, que encantou Filipe Luís no Monaco
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Aos 22 anos, Lamine Camara já percorreu um caminho que ajuda a explicar por que o meia senegalês desperta tanta admiração de Filipe Luís. Revelado pela Génération Foot, mesma academia que formou Sadio Mané, ele passou pelo Metz, rapidamente se tornou titular na Ligue 1, ganhou destaque pela seleção do Senegal e, desde 2024, vem se consolidando como uma das peças mais interessantes do meio-campo do Monaco.
“Há um jogador que atrai a minha atenção: Lamine Camara. Em 20 anos de carreira, eu nunca vi isso. É um jogador muito diferente. Sua capacidade de gerenciar o campo, sua concentração… ele tem um nível muito, mas muito acima da média“, disse o brasileiro à “Ligue 1 Plus”.
O elogio de Filipe Luís chama atenção pela intensidade, mas não é difícil entender de onde vem. O principal diferencial de Camara está justamente na capacidade de fazer várias dessas coisas dentro da mesma partida e, principalmente, de entender quando fazer cada uma delas.
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De onde surgiu Lamine Camara e por que Filipe Luís o elogiou?
Camara começou sua formação na Galaxy FA antes de chegar à Génération Foot, uma das academias mais importantes do futebol africano, e foi ali que chamou atenção rapidamente. Em 2023, ajudou o Senegal a conquistar a Copa Africana Sub-20, sendo titular em todas as partidas e eleito o melhor jogador da competição após marcar dois gols e dar duas assistências. O passo seguinte foi o Metz.
O meio-campista chegou à França em fevereiro de 2023, inicialmente para atuar na Ligue 2. Participou da campanha que levou o clube de volta à elite e, na temporada seguinte, virou uma das principais peças da equipe.
Em 2023/24, foram 33 jogos, dois gols e cinco assistências na Ligue 1. Seu desempenho lhe rendeu o prêmio de melhor jogador jovem do campeonato. Naquele momento, ele já era descrito como um meio-campista box-to-box: alguém capaz de atuar entre as duas áreas, recuperar a bola, avançar com ela e aparecer no ataque.
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O Monaco enxergou ali um jogador com margem enorme para evolução e pagou 15 milhões de euros por sua contratação em julho de 2024. Aqui, é possível entender por que Filipe Luís ficou tão impressionado: Camara não parece ter uma posição fixa dentro do meio-campo.
Ele pode jogar como volante mais recuado, como meio-campista interior ou até mais adiantado. Em determinados momentos, baixa para iniciar a construção; em outros, aparece entre as linhas; também tem capacidade para carregar a bola e chegar à entrada da área. Camara consegue atuar tanto em funções de construção mais profundas quanto como meia ofensivo, agregando valor em diferentes fases do jogo.
E existe uma característica que conecta todas essas funções: ele é muito confortável recebendo a bola sob pressão. Camara tem bom primeiro toque, consegue mudar a orientação corporal rapidamente e utiliza sua aceleração curta para escapar do marcador. Não é um driblador de volume e seus números de conduções progressivas e dribles não são os de um meia que vive de carregar a bola. Mas é muito eficiente em utilizar a condução como ferramenta para escapar da pressão e criar uma nova linha de passe.
Seu jogo não depende apenas de velocidade. Ele recebe, atrai o adversário, gira e encontra a próxima solução — e é isso que Filipe Luís resume ao falar em sua capacidade de “gerenciar o campo”.
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O passe é a maior arma de Camara
Camara tem um repertório de passes particularmente interessante para um jogador tão jovem. Segundo dados da plataforma “FBref”, na Ligue 1 de 2024/25, ele registrou 53,6 passes completos por 90 minutos, número que o colocou no percentil 87 entre os meio-campistas comparáveis — ou seja, entre os melhores 13% da liga.
Isso aparece no campo de diferentes maneiras: Camara pode acelerar o jogo com passes verticais, mas também tem qualidade para inverter o lado da jogada e encontrar pontas isolados. Quando a solução vertical não aparece, ele consegue recuar, circular a bola e mudar o ponto de ataque.
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É uma característica particularmente valiosa em um futebol no qual o adversário tenta fechar o centro. Em vez de simplesmente procurar o passe mais próximo, Camara consegue identificar onde está o espaço e fazer a bola chegar lá. A produção ofensiva ainda não é de um meia de elite, mas está longe de ser irrelevante.
Em sua primeira temporada pelo Monaco, Camara terminou com dois gols e sete assistências em 29 partidas de Ligue 1. Em 2025/26, foram três gols e quatro assistências em 24 jogos. Somando as duas temporadas, são 53 jogos, cinco gols e 11 assistências no campeonato francês.
Mais do que isso: parte significativa de sua contribuição ofensiva vem das bolas paradas. Em janeiro de 2025, a própria Ligue 1 destacava que seis das sete assistências de Camara na competição até aquele momento haviam saído de bolas paradas. Ele pode construir por dentro, inverter o jogo, acelerar uma posse e ainda ser responsável por colocar a bola na área em faltas e escanteios.
Além do ataque: evolução defensiva no Monaco também chama atenção
Camara não é um volante destruidor. Seu jogo defensivo depende muito mais de leitura, posicionamento e capacidade de cobrir terreno do que de força física. Na Ligue 1 de 2024/25, registrou 1,36 interceptações e uma soma de 4,25 desarmes e interceptações por 90 minutos, ambos números acima da média para sua posição.
Também recuperou 6,7 bolas por 90 minutos, ficando entre os 6% melhores entre os comparáveis do levantamento do FBref. Ele consegue recuperar terreno rapidamente quando a jogada passa por ele e tem bom timing para atacar o portador da bola. Isso faz diferença em equipes que defendem de maneira agressiva, como Filipe Luís planeja.
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Camara pode sair da posição para pressionar porque tem velocidade para retornar. Pode acompanhar um adversário por alguns metros e ainda conseguir recuperar a jogada. Não significa que ele seja um volante de contenção clássico, pelo contrário: seu maior valor defensivo está na mobilidade.
Sua primeira temporada no Monaco já mostrou uma evolução importante. Foram 29 partidas como titular em 2024/25, com sete assistências. Na temporada seguinte, participou de 24 partidas de Ligue 1, 22 delas desde o início, além de seis jogos de Champions League como titular. O salto em relação ao Metz também é perceptível nos números de construção.
No Metz, em 2023/24, Camara completava cerca de 22,7 passes por partida. No Monaco, esse número subiu para mais de 41 em 2024/25 e quase 45 em 2025/26, segundo o “Stats Muse”. Isso não é apenas aumento de volume, mas sinal de que ele passou a participar muito mais da construção do jogo. No Metz, era sobretudo o meio-campista que corria de área a área. No Monaco, passou a ser também um organizador.
Próximo passo: estrelato com Filipe Luís
A declaração do treinador brasileiro ganha sentido quando se observa a combinação de características. Camara pode:
- receber sob pressão;
- escapar de marcações com o primeiro toque e a condução;
- jogar curto ou longo;
- inverter o lado do campo;
- aparecer entre as linhas;
- chegar à área;
- pressionar;
- cobrir grandes espaços;
- cobrar bolas paradas;
- atuar como volante, meio-campista interior ou meia mais avançado.
🚨 Filipe Luis, treinador do Monaco:
🗣️ “Há um jogador que atrai a minha atenção: LAMINE CAMARA.
EM 20 ANOS DE CARREIRA, EU NUNCA VI ISSO. É um jogador muito diferente. Sua capacidade de gerenciar o campo, sua concentração… ele tem um nível muito, mas muito acima da média.”… pic.twitter.com/4fdl2A4G9i
— L1 Insider 🇨🇵🇧🇷 (@L1InsiderBRL) August 24, 2026
Poucos jogadores conseguem reunir tantas ferramentas sem que uma delas seja claramente incompatível com as outras. O próprio Camara já revelou que seus grandes modelos são Kevin De Bruyne, Toni Kroos e Idrissa Gueye. São três jogadores diferentes, mas que ajudam a explicar a mistura que ele tenta construir: passe vertical e chegada de De Bruyne, controle de Kroos e capacidade de cobertura de Gueye. Não é coincidência que sua principal qualidade seja justamente a capacidade de interpretar diferentes momentos do jogo.
Aos 22 anos, ele já acumula três temporadas de Ligue 1, experiência de Champions League e uma trajetória consolidada pela seleção do Senegal. Pelo Monaco, soma 71 partidas desde sua chegada, com cinco gols. O garoto que chegou do Metz como um box-to-box passou a controlar mais o jogo, participar mais da construção e assumir responsabilidades maiores com a bola.
Quando Filipe Luís diz que Camara tem uma capacidade incomum de “gerenciar o campo”, talvez esteja identificando exatamente aquilo que pode transformar o senegalês em um meio-campista de elite: não necessariamente ser o melhor jogador em uma única função, mas ser capaz de entender o que a partida exige e mudar seu próprio papel para responder a ela.