França

Tête-à-tête

Um gol. Esta é a diferença que separa o Olympique de Marselha do Bordeaux ao final da 34ª rodada da Ligue 1. Os dois dividem a ponta da tabela, mas o OM leva a melhor quase no photochart, pois tem um saldo melhor do que o dos Marine et Blanc. Com mais um tropeço do Lyon, marselheses e girondinos chegam à reta final do campeonato disparados na frente, com a chance de um emocionante desfecho como há muitas temporadas não se via na França.

Contra o Toulouse, o Olympique mais uma vez demonstrou seu poder de reação no Vélodrome. Os donos da casa ficaram duas vezes atrás no placar, mas encontraram forças para buscar o empate por 2 a 2. Um resultado nada agradável, pois permitiu ao Bordeaux alcançá-lo na ponta. Na visão do jogo em si, um ponto de grande valor. Para começar, havia uma grande expectativa sobre como seria a reação do elenco após o anúncio da saída do treinador Eric Gerets após o fim da temporada. Seria uma bomba com imenso potencial destrutivo, capaz de desestabilizar qualquer equipe, ainda mais em uma hora tão inoportuna. Seria.

As lotadas arquibancadas do Vélodrome foram palco de uma verdadeira corrente pró-Gerets. Contudo, nem mesmo este ambiente quase catártico foi capaz de fazer o OM deixar a tensão dentro do vestiário. Diante de um Toulouse muito bem armado em sua defesa, os marselheses pouco fizeram durante os primeiros 45 minutos. Até aí, nenhuma diferença para o que o Olympique exibiu em suas últimas apresentações. Para o segundo tempo, Gerets mudou a cara de sua equipe ao colocar Ben Arfa e Zenden.

As primeiras ações logo deixaram claro que o Olympique abusaria das jogadas em velocidade. Tudo estaria melhor se Gignac não abrisse o placar para os Violetas logo aos três minutos. A partir de então, o OM viu um de seus ex-jogadores brilhar com intensidade. Carrasso fez milagres em quatro finalizações de Niang e Zenden, mas não evitou o empate. Era hora dos donos da casa buscarem a virada, mas o goleiro do TFC novamente conjurou as chances de Cheyrou, Niang e Ben Arfa.

Ao TFC, sobraram os contra-ataques e, no desdobramento de um deles, Gignac voltou a balançar as redes. No minuto seguinte, Cetto foi infeliz ao desviar um cruzamento de Niang e empatou. Os vinte minutos restantes de partida se resumiram a jogadas no campo do Toulouse, rebatidas pela defesa visitante. Gerets sabe realmente como mexer com os ânimos do OM e terá quatro jogos para sair do clube com grande moral.

O Bordeaux, por sua vez, repetiu o expediente mostrado contra o Vannes, na decisão da Copa da Liga Francesa. O sparring da vez foi o Sochaux, que tomou dois gols em menos de 15 minutos e foi presa fácil para os girondinos. Com o triunfo por 3 a 0, a sétima vitória seguida na Ligue 1, os Marine et Blanc se igualaram ao Olympique em número de pontos e, melhor ainda, chegaram bem perto dos adversários no saldo de gols, primeiro critério de desempate.

A eficiência encontrada pelo Bordeaux neste momento deixa uma excelente impressão. Nem mesmo a ausência de alguns jogadores fez o time baixar o ritmo contra os Leões. O jovem Sertic, autor do primeiro gol, comprova esta tese ao entrar muito bem na equipe. Aliás, os Marine et Blanc converteram seus dois primeiros chutes a gol, o que facilitou no desenrolar do duelo. Gourcuff, que sofreu com o cansaço provocado pela maratona de jogos no meio da temporada, mais uma vez teve grande atuação – assim como Chamakh. O marroquino fez o terceiro gol e vive ótimo momento.

Um demonstra poder de reação, facilidade para mudar sua forma de jogar conforme o ritmo de jogo e um treinador com toque de Midas. O outro encontrou o equilíbrio físico e mental para a hora decisiva, sua confiança se traduz nos sucessivos resultados positivos e conta com um jogador em estado de graça. Olympique de Marselha e Bordeaux certamente farão da disputa pelo título da Ligue 1 um espetáculo bastante agradável.

Canários em voo baixo

O Nantes sofreu um duro golpe em suas pretensões de continuar na Ligue 1 na próxima temporada. Em pleno La Beaujoire, o FCNA conseguiu a façanha de perder por 2 a 1 para o lanterna e praticamente condenado Le Havre. Em um momento tão delicado como este do campeonato, a derrota trouxe consequencias amargas não apenas na tabela: a torcida e os próprios dirigentes manifestaram sua revolta com a atuação medíocre da equipe. Agora, resta aos Canários reunir forças para, quem sabe, ter êxito em seu vôo mais perigoso até aqui.

Na 32ª rodada, o time até deu um alento à torcida, quando bateu o Nice por 2 a 0 e se viu fora da zona de perigo. No entanto, tudo não passou de uma ilusão. Logo a rotina de fracassos foi retomada – nos últimos seis jogos, o FCNA saiu de campo derrotado em cinco. O desastre diante do Le Havre recolocou o clube na 18ª colocação, a quatro rodadas do fim do torneio. Uma situação crítica, ainda mais pela forma como o time se apresentou diante do lanterna e pelas perspectivas causadas por este deslize.

Contra a defesa mais vazada da Ligue 1, o Nantes repetiu os mesmos problemas ofensivos de outras partidas. Com apenas 29 gols marcados, o clube tem um dos ataques mais fracos da competição. O camaronês Bekamenga, com cinco gols, ainda tenta salvar a pátria, mas vê seu trabalho ser dificultado pela incapacidade do meio-campo de organizar alguma jogada com um mínimo de qualidade. Neste setor, Da Rocha está abaixo de seu melhor nível exibido há algumas temporadas. Já Abdoun até demonstra alguma vontade, mas esbarra em seu excesso de individualismo.

Se a parte ofensiva parece frágil, a defesa vai pior ainda. A dupla formada por N’Daw e Pierre se tornou mera espectadora dos avanços dos rivais. Hipnotizados pela velocidade dos atacantes adversários, ambos exibem uma passividade preocupante. Como dentro de campo o estilo de jogo “à la nantaise” desapareceu, os torcedores também abandonaram o time. O estádio de La Beaujoire aos poucos viu suas arquibancadas receberem cada vez menos pessoas. Ou melhor, sofredores, pois recorrem com frequência às vaias para extravasar sua dor.

Para completar o quadro quase dantesco, a diretoria do Nantes também bate cabeça. Logo a área que deveria apresentar um pouco de bom senso e equilíbrio para reverter a situação se preocupa mais em alimentar guerrinhas internas. A última delas envolveu o presidente Kita e Laurent Guyot, diretor do centro de formação dos Canários. Se nem quem dirige a equipe se entende, como cobrar dos jogadores um último esforço para evitar um novo rebaixamento para a história de um dos clubes mais vencedores da França?

Olhando apenas a tabela, tem-se a impressão de que o quadro para o Nantes não parece tão assustador assim. Afinal, o time tem os mesmos 33 pontos do Sochaux (fora do bloco do descenso) e apenas um a menos do que o Caen (16º colocado). Só que a tabela lhe é bastante desfavorável. Em seus quatro confrontos restantes, o FCNA tem duas pedreiras fora de casa: Lyon e sochaux. Embora a fase do OL seja péssima e Gerland tenha deixado de assustar, os heptacampeões dependem de um bom resultado se quiserem evitar o fiasco de nem se classificarem para a Liga dos Campeões. Já os Leões são candidatos diretos na briga para não cair, o que se deixa prever um clima de batalha do apocalipse para este duelo.

Em La Beaujoire, os Canários recebem o Rennes, que está no bolo para ver se descola uma vaguinha na Liga Europa, e o Auxerre, sem grandes pretensões. Apenas o Caen tem adversários piores (Sochaux e Bordeaux em casa, Rennes e Lyon fora). Sochaux, apesar dos dois confrontos diretos, e Saint-Etienne estão mais bem cotados para continuar na elite. O treinador Elie Baup, que nunca conseguiu repetir a escalação do Nantes em duas partidas seguidas, deve se preparar para segurar seu boné com firmeza e se proteger como der.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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