A porrada comeu solta no duelo entre Évian e Paris Saint-Germain. O que era para ser um passo decisivo para o time da capital rumar para o título da Ligue 1 se tornou uma cena reprovável e que pode custar caro. Apesar da vitória por 1 a 0, os parisienses viram David Beckham, Marco Verrati e Salvatore Sirigu levarem cartões vermelhos. O caso do goleiro é o mais grave e ele pode ser suspenso por um longo período.
O clima entre os atletas durante a partida já estava tenso. Verratti e Beckham foram para o chuveiro mais cedo de forma justa por conta de entradas duras em seus adversários. Aliás, o caso do italiano demonstra a imaturidade do volante, que confunde garra e dedicação em campo com imprudência. Não dá para usar a juventude dele como desculpa para suas atitudes.
Verratti tem qualidade suficiente para ser titular indiscutível deste PSG, mas seu descontrole emocional o faz perder terreno em uma disputa para lá de acirrada por uma vaga no concorrido meio-campo da equipe. Não foi a primeira vez na qual o italiano demonstrou excesso de sangue nos olhos. Seu talento contrasta com esta mania irritante de achar que virilidade significa eficiência.
Também reprovável, se realmente foi este o estopim da confusão vista no fim da partida, foi a tal provocação feita por Blaise Matuidi. A confusão tomou conta do gramado do Parc des Sports d’Annecy e Sirigu entrou na dança. Descontrolado, ele bateu boca com adversários, e foi retirado do campo por Sylvain Armand e por Gilles Bourges, preparador de goleiros do PSG. Chamado pelo árbitro para voltar ao gramado e ser expulso como manda o script, Sirigu deu de ombros. Sua atitude deve lhe render uma suspensão de até oito partidas.
O descontrole emocional exibido pelos jogadores do PSG em nada se assemelha ao equilíbrio e frieza exibidos em jogos anteriores, especialmente nos duelos contra o Barcelona pela Liga dos Campeões. Mesmo com o Évian entalado na garganta pela surpreendente eliminação para o rival na Copa da França, os parisienses deveriam manter a postura de um time que está prestes a se sagrar campeão.
Já sem Lucas, machucado, o PSG sentiu muitas dificuldades na ligação entre o meio-campo e o ataque. Com as ausências de Verratti e Beckham, que teriam papel fundamental para melhorar a saída de bola e a qualidade no passe para os atacantes, o time da capital corre riscos desnecessários a tão poucos passos de selar a glória. Dificilmente o título sai das mãos dos parisienses, mas esse descontrole emocional era algo completamente desnecessário.
OM em boa posição
O Olympique de Marseille está nove pontos atrás do Paris Saint-Germain e praticamente abriu mão do título francês, mas isso não significa um fracasso. Sua situação ficou mais confortável na luta pelo segundo lugar. A vitória por 1 a 0 fora de casa sobre o Lorient teve sua importância multiplicada com o empate por 1 a 1 no dérbi entre Lyon e Saint-Étienne. O OM prima pela eficiência nesta reta final e deve ser recompensado com a vaga direta na fase de grupos da Liga dos Campeões.
O OM não encanta, mas seu estilo de jogo calcado no ‘1 a 0 é goleada’ tem sido o suficiente para lhe deixar em situação tranquila. Steve Mandanda não é vazado há 649 minutos e, pela 12ª vez nesta Ligue 1, os marselheses saem de campo com o placar mínimo a seu favor. Assim como o duelo do PSG, o jogo contra o Lorient terminou em confusão, com Valbuena como protagonista. Sobrou para André Ayew, expulso ao tentar acalmar os nervos.
No dérbi, Lyon e Saint-Étienne ficaram no 1 a 1 em Gerland, mas devem se considerar derrotados. Muito embora tenha permanecido dois pontos à frente do ASSE, o OL perdeu contato com o OM e desperdiçou a chance de abrir vantagem na luta para ir à LC. O resultado do 106º jogo entre os dois vizinhos foi justo, já que cada um foi superior ao outro em um dos tempos.
Mesmo jogando na casa do inimigo, o Saint-Étienne tomou conta das ações na primeira etapa. Nem mesmo a ausência de última hora de Perrin (dores na coxa) causou problemas aos Verdes, eficientes nos avanços. A defesa do Lyon demorou demais para encontrar o melhor posicionamento e permitiu liberdade em excesso aos visitantes. O ASSE explorou os contra-ataques de forma inteligente, principalmente com Aubameyang.
De nada adiantava o Lyon ter mais posse de bola. O Saint-Étienne levava a melhor no combate e fez o anfitrião se tornar inofensivo nos primeiros 45 minutos. A mudança do OL para a etapa final foi simples: o time passou a explorar com maior frequência as jogadas pelos flancos. Foi o suficiente para encurralar o Saint-Étienne e travar qualquer tentativa dos rivais de sair com velocidade.
Os Verdes recuaram demais e aceitaram de forma passiva o papel de subjugados. A entrada de Bodmer para reforçar o sistema defensivo no lugar do atacante Brandão foi emblemática para esta mudança de postura do ASSE, cada vez mais acuado. O 1 a 1 ficou de bom tamanho e o Lyon segue em vantagem na luta pelo terceiro posto. Seus jogos finais (Nancy, PSG, Nice, Rennes) se desenham um pouco menos difíceis que os do Saint-Étienne (Bordeaux, Lorient, OM, Lille), mas nada está decidido.


