França

Soberania lionesa

Quando o Lyon mais parece ameaçado, seus adversários sentem sua força. A vítima da vez foi o Bordeaux, que por pouco não destronou o rival na temporada passada, mas não teve outro remédio a não ser aceitar a derrota em Gerland. Mesmo sendo um duelo entre duas equipes de Liga dos Campeões, ficou clara a distância entre elas. E os Marine et Blanc não são exatamente um time fraco, sem opções. O OL demonstrou sua superioridade com suas armas já características.

Mesmo fora de casa, os girondinos colocaram o Lyon sobre as cordas. Durante os 15 primeiros minutos, o Bordeaux exerceu uma pressão sufocante, impedindo os lioneses de trocar passes e com muitas dificuldades para jogar. A estratégia montada por Laurent Blanc se mostrou eficaz, dada a qualidade dos lioneses de buscar a garganta de seus adversários logo nos primeiros instantes de jogo para resolver logo a questão.

Com o domínio territorial do meio-campo, o Bordeaux conseguiu levar a melhor sobre Toulalan, bastante recuado, quase como um terceiro zagueiro. O volante, crucial nos últimos jogos do OL, não dava conta de dar fôlego à equipe, com o intenso trabalho de Chamakh, Wendel e Gourcuff. Juninho Pernambucano praticamente não teve oportunidades, muito menos espaços, para colocar a bola no chão e tentar algo para aliviar a situação.

Acuado e sem a bola, o Lyon encontrou a solução de seus problemas ao olhar para a frente. Benzema, mais uma vez, bateu a mão no peito e tratou de desobstruir os caminhos da equipe. Quando as chances se tornam raras, quase inexistentes, é preciso aproveitar cada gota para sobreviver. E foi exatamente isso o que o atacante fez quando abriu o placar após uma tabelinha com Fred. O OL nada tinha feito em campo até então, mas fez a diferença por contar com alguém que resolve.

Duas chances, dois gols. Källström fez a alegria da torcida em Gerland pouco depois, em uma prova de como o Lyon consegue se virar mesmo nas adversidades. Veio o segundo tempo, com o Bordeaux de novo em cima, sufocante – mas sem um décimo da objetividade dos anfitriões. Pouco adiantou a entrada de Cavenaghi no lugar de Gouffran, em tentativa de Laurent Blanc para deixar os girondinos ainda mais ofensivos. Apenas houve um pouco mais de espaços para os lioneses nos contra-ataques.

Embora Cavenaghi tenha reduzido o placar, no único momento de descuido da defesa, o Lyon saiu de campo com mais três pontos diante de um rival inteligente. Sete pontos na frente do Olympique, nove na do Bordeuax… Pelo menos na Ligue 1, quando precisa decidir, o OL mostra uma incrível capacidade de se superar. Méritos para o treinador Claude Puel, que deu maior consistência e segurança a uma equipe que precisava amadurecer.

Além de Benzema, Gignac se tornou a referência no Toulouse. O atacante, envolvido em polêmicas na temporada passada e com participações limitadas na equipe, sente-se bem mais solto agora. Nada como o trabalho do técnico Alain Casanova para fazer o jogador voltar ao seu melhor nível. Deixadas as desavenças com Elie Baup para trás, Gignac agora se concentra apenas em dar a resposta em campo.

Melhor para os Violetas, que viram mais uma exibição de destaque no triunfo sobre o Grenoble por 2 a 0 – dois de Gignac. O TFC está empatado com Rennes e Nice na terceira posição, apenas um ponto atrás do Olympique. Se Gignac mantiver este mesmo nível de maturidade e não apresentar uma recaída com ares de estrelismo, o Toulouse incomodará bastante até o fim da temporada.

Homem de preto, qual é sua missão

O Olympique de Marselha deixou o gramado do estádio Vélodrome espumando de raiva. Os donos da casa estavam chateados com a derrota por 3 a 2 para o Lorient, que deixou o time sete pontos atrás do líder Lyon, mas teve outros motivos para reclamar. Os marselheses ficaram furiosos com a atuação do árbitro Tony Chapron, cujo desempenho deixou a desejar. O juiz colecionou mais um inimigo, pois já havia feito uma arbitragem polêmica no duelo entre Bordeaux e Nice pela décima rodada da Ligue 1.

Vamos aos fatos. O Olympique poderia ter vencido o duelo por 3 a 0, mas graças à decisiva atuação de Chapron tomou uma virada em casa. O primeiro erro grave foi cometido aos onze minutos do primeiro tempo. Benjamin Genton cometeu falta por trás em Mamadou Niang dentro da área. O juiz deixou o lance seguir e nada marcou. Um minuto antes, Ziani havia aberto o placar.

Na segunda etapa, desta vez o Lorient foi o prejudicado. Os dois personagens do pênalti não marcado estiveram em ação. Aos 15 minutos, Genton derrubou Niang nitidamente fora da área. Chapron apitou a falta… e indicou a marca do pênalti. Daí a falta de critério: o jogador do Lorient era o último homem da defesa e, por isso, deveria receber o cartão vermelho pela jogada. Nada. Uma falha dupla, talvez motivada pelo desejo de compensar a bobagem cometida antes.

O festival de papagaiadas continuou. Nove minutos depois, outra vez Niang participou de um lance polêmico. O senegalês marcou o terceiro, mas o lance foi anulado. O motivo? Um impedimento inexistente. Obviamente, um time que luta pela liderança da Ligue 1 não pode tomar uma virada em casa e tomar três gols nos 15 minutos finais da partida. Também não dá para se ignorar que as bobagens seguidas de Chapron atrapalharam demais a vida do OM, que provavelmente teria desenhado um desfecho bem diferente para o duelo com os Merlus.

“Não sei se podemos tirar algo de positivo, mas somos homens e mulheres e erramos. Isso faz parte de nossa profissão”, disse Chapron em entrevista ao Canal + logo após sua desastrosa atuação. O árbitro só se esqueceu de dizer não ser a primeira vez na qual estragou um jogo graças a marcações equivocadas. Pergunte a qualquer torcedor do Bordeaux a opinião a respeito dele para receber uma chuva de “elogios” bem agradáveis a todos os membros da família do juiz até sua quinta geração.

Chapron considerou legal um gol marcado por Mouloungui, quando ele estava em nítida posição de impedimento. Nos acréscimos, ele ainda mostrou um rigor excessivo ao marcar um pênalti de Ducasse por uma cotovelada involuntária. Dadas as seguidas falhas cometidas pelo árbitro, estava mais do que na hora de a federação francesa o convidar para um breve descanso para refletir sobre suas atuações, rever algumas regras básicas, aprimorar seu condicionamento físico…

Toda a polêmica em torno das falhas cometidas por Chapron reforça a idéia de se utilizar recursos extras para auxiliar a arbitragem. Lances dúbios como os da partida entre Olympique e Lorient seriam facilmente resolvidos se a tecnologia fosse usada para este fim. Não se trata de parar o jogo a cada faltinha para se analisar o replay em 300 ângulos diferentes. As imagens de tevê serviriam apenas para jogadas capitais, como determinar se uma infração foi dentro ou fora da área, ou se a bola ultrapassou ou não a linha do gol. Não dá para transformar o futebol em uma ciência exata, mas também é inadmissível rejeitar uma “mãozinha” tecnológica em jogadas duvidosas.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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