França

Semelhanças mórbidas

Mesmo antes de chegarmos à metade do campeonato, a Ligue 1 tem um forte candidato ao rebaixamento desde já. O Metz, promovido nesta temporada, parece estar com saudades da segunda divisão. Desde a quarta rodada, os grenás assumiram a lanterna do torneio e não deixaram qualquer concorrente se aproximar da última colocação. Em 16 rodadas, a equipe somou míseros sete pontos. Um desempenho bem pífio, ainda mais se considerarmos que o Toulouse, primeiro time fora da zona do descenso, está com 18.

Tal qual o América-RN no Campeonato Brasileiro, quando voltou da Segundona e fez um papel ridículo na divisão principal, o Metz até agora não disse a que veio. O time venceu apenas uma partida, quando encarou o Caen na nona rodada (2 a 1), em confronto de ‘caçulas’ da Ligue 1. No mais, quatro empates e uma incrível marca de onze derrotas deixam qualquer torcedor desesperado. Nunca na história do campeonato francês um clube abandonou uma situação tão ruim para permanecer na elite. A se julgar pelas atuações do time, essa escrita será mantida e, como aconteceu com a equipe de Natal, deve-se esperar uma queda com várias rodadas de antecedência.

A equipe até deu a impressão de que não corria riscos de um vexame tão grande ao conquistar três empates consecutivos (Nancy e Toulouse, pela Ligue 1, e Olympique de Marselha, pela Copa da Liga). Aliás, contra o OM, a equipe só se despediu do torneio ao perder na disputa por pênaltis. Daí para frente, apenas desastres. O Metz possui o pior ataque (fez apenas oito gols) e a pior defesa (tomou 25) do campeonato francês.

As possibilidades de se manter na Ligue 1 são diminutas, ainda mais se levarmos em consideração o baixo orçamento para a contratação de reforços em janeiro. O treinador Francis De Taddeo corre o risco de perder o emprego, mas qualquer um em seu lugar não conseguiria fazer render um elenco modesto, moldado mais para a disputa da segunda divisão do que de um torneio de nível técnico mais elevado.

O mais assustador, pelo menos para a torcida do Paris Saint-Germain, está em um fato em comum entre os dois clubes: ambos ainda não venceram em casa até a 16ª rodada. Algo perturbador para os lados da capital, ainda mais tensos depois de mais um vexame no Parc des Princes. Desta vez, o Caen foi o carrasco do PSG com um triunfo por 1 a 0. O mundo caiu na cabeça de Ceará, cuja falha permitiu a Florentin roubar-lhe a bola, superar Landreau e manter o adversário na antepenúltima posição.

O erro do lateral-direito demonstrou o quanto o ambiente dentro dos vestiários está péssimo. Armand não poupou críticas ao companheiro, cujo desempenho na derrota por 3 a 2 para o Lyon também deixou a desejar. Seria o caso de deixar o brasileiro no banco, mas o treinador Paul Le Guen não vê grandes esperanças ao olhar para os reservas e se deparar com Mendy como opção.

A torcida, cansada de tantos vexames, pressiona a equipe. Membros da Auteuil e da Boulogne, dois grupos de ‘ultras’ do PSG, boicotaram os 15 primeiros minutos do jogo contra o Caen. Um fã discutiu na beira do gramado com Rôthen. Gritos de ‘demissão’ foram ouvidos por alguns instantes no Parc des Princes, direcionados a Le Guen. Alan Cayzac, presidente do PSG, ouviu as queixas dos torcedores que compareceram ao Camp des Loges depois de mais uma derrota. Pelo menos o encontro não foi tão tenso como na temporada passada, quando Mendy trocou agressões com o grupo. A panela de pressão está prestes a explodir.

Grupo da morte

A França teve azar no sorteio dos grupos da Eurocopa-08 e caiu no chamado ‘grupo da morte’ ao lado de Itália, Holanda e Romênia. A curiosidade fica por conta dos ‘reencontros’ entre equipes que já se enfrentaram nas eliminatórias da competição. Enquanto os Bleus encararam a Squadra Azzurra, romenos e holandeses se enfrentaram na disputa por uma vaga na etapa final da competição.

Os franceses podem reclamar pelo fato de a Uefa utilizar critérios diferentes para a distribuição das equipes nos potes antes do sorteio. A equipe de Raymond Domenech, vice-campeã-mundial, ficou no pote 4, formado pelas seleções de menor índice. Um critério bastante discutível e distante da realidade. Chave sorteada, cabe agora analisar o que os Bleus devem esperar pela frente.

No dia 9 de junho, a França abre sua caminhada na Euro-08 diante da Romênia, em Zurique. Engana-se quem pensa tratar-se do compromisso mais fácil dos Bleus. Os romenos fizeram uma ótima campanha nas eliminatórias, quando venceram sua chave com relativa facilidade e passaram pelos holandeses sem grandes problemas. Ou seja, uma pedreira logo de cara – e os franceses terão que se acostumar, pois enfrentarão os romenos novamente na disputa das eliminatórias da Copa-2010. No retrospecto, a França leva a melhor: 6V, 1E, 3D, 14GP, 12GC.

Em Berna, no dia 13, os Bleus pegam a Holanda. Embora a Oranje tenha feito um bom trabalho de renovação sob o comando de Marco van Basten, resta saber como a equipe se comportará com o anúncio feito nesta semana pelo treinador. Ele deixará o cargo logo após a disputa da Euro-08 e isso pode causar um efeito negativo, pelo clima de fim de feira. Ou então serviria para deixar o grupo ainda mais unido em torno do objetivo de cumprir um bom papel no último torneio disputado sob a orientação de Van Basten. No histórico dos duelos, a vantagem é holandesa: 8V, 4E, 9D, 34GP, 47GC.

Por fim, Zurique será o palco do reencontro de franceses e italianos. Embora ainda esteja viva na memória a derrota nos pênaltis na decisão da Copa-2006, a França não perde para a Azzurra desde 1978. Nas duas partidas pelas eliminatórias da Euro-08, os Bleus dominaram os rivais – vitória por 3 a 1 em Saint-Denis e um empate sem gols em San Siro. O confronto entre as duas rivais ficou como o último da chave, como para apimentar ainda mais a rivalidade.

Como dificilmente alguma das duas equipes estará em situação confortável nesta rodada, a partida terá ares de grande decisão. Um momento para se relembrar das polêmicas levantadas por Domenech, quando o treinador colocou em dúvida a lisura do futebol italiano, das vaias da torcida italiana à Marseillaise em Milão e, obviamente, todos os fatos ocorridos na final do Mundial-06. Sem dúvida, será uma partida de tirar o fôlego. Apesar do bom desempenho recente, a França é freguesa dos italianos: 8V, 10E, 17D, 48GP, 77GC.

Apesar da dificuldade do grupo, a França tem condições de avançar, embora corra o risco de sofrer escoriações. Se passar desse campo minado, a seleção de Domenech ganha forças para os mata-matas. Cabe ao treinador não deixar o clima pesado com suas polêmicas dispensáveis e manter o bom trabalho na renovação da equipe.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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