França

Semana para se esquecer

O sonho de erguer um título continental e conquistar a taça da Ligue 1 fazem parte do passado para o Paris Saint-Germain. A construção da esperança demorou longos meses e ruiu em apenas uma semana. Tamanha desilusão se deve aos incontáveis erros cometidos ao longo das partidas contra Benfica e Olympique de Marselha e apenas traduzem como o ambiente no clube anda desequilibrado por todos os cantos.

Há algumas semanas, o PSG exibe um grave defeito. Em suas últimas partidas, o time peca pela ineficiência. Contra o OM no Vélodrome, não foi diferente. O time da capital teve o domínio da bola, mas não soube transformar essa superioridade em chances reais para decidir a partida. Os marselheses, por sua vez, foram poucas vezes ao ataque. Quando subiram, porém, fizeram o suficiente para sair de campo com a vitória.

O Olympique de Marselha mostrou ter digerido muito melhor a eliminação da Liga dos Campeões do que o Paris Saint-Germain, cuja despedida da Liga Europa se deu diante do Benfica no Parc des Princes. Isso com Lucho González no banco de reservas para o clássico; seu meio-campo ofensivo contava com Benoît Cheyrou e Mathieu Valbuena, decisivos para o sucesso dos donos da casa.

Após o gol marcado por Heinze, aos 16min do primeiro tempo, o OM adotou uma postura que quase lhe custou a vitória. O time recuou demais e chamou o PSG para seu campo. O time da capital agradeceu o convite e empatou pouco depois. Os marselheses perceberam a falha, retomaram a pressão e ficaram de novo em vantagem com Ayew, aos 35min. Foi aí que os problemas do time da capital se evidenciaram.

Nenê deu mais munição aos seus críticos. O brasileiro teve em seus pés a bola para o novo empate do PSG. Com Hoarau e Bodmer bem colocados no meio da área e prontos para mandar a bola para as redes, ele fez a pior escolha possível ao sair na cara de Mandanda. Em vez de tocar para seus companheiros, Nenê evocou seu individualismo e, imbuído do espírito de querer resolver sozinho, chutou. Nem é preciso dizer os elogios que recebeu por desperdiçar tamanha chance de gol.

Saindo em defesa do brasileiro, mas sem isentá-lo de culpa, a partida contra o Benfica também teve momentos latentes de precipitação e ineficiência ofensiva preocupante. Mevlut Erding, Guillaume Hoarau e Jean-Eudes Maurice perderam chances absurdas para marcar. Não é só o individualismo de Nenê que atrapalha; tanto nervosismo na hora de concluir também tem custado preciosos pontos (e a vaga nas quartas da Liga Europa) ao PSG.

De volta ao clássico, Antoine Kombouaré acabou por enterrar as chances de reação do PSG ao fazer mudanças equivocadas. Hoarau, único jogador ofensivo capaz de rivalizar com os defensores do OM pelo alto, e Bodmer, um dos principais organizadores da equipe, deixaram o campo. Nem é preciso comentar que o time da capital perdeu qualquer referência ofensiva que ainda tinha e se entregou para o Olympique de Marselha.

Melhor para os marselheses, que obtiveram lucro duplo no clássico. Além de descartar um concorrente direto na briga pelo título, o OM se firmou na vice-liderança da Ligue 1 e ganha força em sua perseguição ao Lille, primeiro colocado. Ao PSG, sobram lamentações e a certeza de mais uma temporada jogada no lixo.

Adieu

O esperado aconteceu. O Lyon viu ruir sua invencibilidade diante do Real Madrid e se despediu da Liga dos Campeões com um categórico 3 a 0 no Santiago Bernabéu. Uma derrota que não dá para se lamentar, nem encontrar muitas explicações para comprovar o óbvio. Os lioneses até podiam sonhar com a vaga para as quartas, mas jamais a conseguiriam por conta de suas limitações e, claro, do poderio dos Merengues.

Diante do talento do Real Madrid, o Lyon multiplicou seus erros e sofreu desde o início. Embora tenha suportado a pressão dos donos da casa nos primeiros minutos, o OL sabia que não aguentaria por tanto tempo. E assim foi até sair o gol de Marcelo, decisivo para deixar os lioneses atônitos em campo. A necessidade obrigatória de fazer um gol deixou a equipe francesa completamente desorientada. Era tudo o que o Real Madrid precisava para deslanchar.

Os erros do OL se acumulavam em quantidade gritante. Grande parte deles veio da precipitação de Cris, bem abaixo de sua capacidade (que pode intimidar alguém da Ligue 1, mas se apequena diante de um grande europeu). O brasileiro jamais esteve em vantagem contra algum jogador adversário. Certo, não dá para querer imagina-lo engolindo Cristiano Ronaldo na marcação, mas ao menos ele poderia dificultar um pouco a vida do ataque merengue. Não fez.

Yoann Gourcuff cada vez mais confirma sua condição de flop da temporada francesa. O meia, contratado a peso de ouro para dinamizar o meio-campo do OL e dar um fôlego de criatividade ao setor, simplesmente foi um fantasma no Bernabéu. Nem mesmo suas jogadas de bola parada, seu último recurso para tentar algum destaque, funcionaram. Uma decepção completa.

Em todo o jogo, o Lyon nunca deu a impressão de que teria condições físicas, técnicas ou mentais para incomodar o Real Madrid e dar um pouco mais de trabalho. Com inúmeras bolas perdidas no meio-campo, os lioneses facilitaram demais a tarefa do Real Madrid em se apoiar nos contra-ataques para matar o jogo. Hugo Lloris evitou uma catástrofe, enquanto seus companheiros pareciam afobados em querer impor velocidade em suas jogadas e se esquecendo de pensar antes de executar uma jogada. Ficam as lições para a próxima Liga dos Campeões.

Aproveitamento zero

O futebol francês ainda tinha chances de se ver representado em alguma competição europeia com o Paris Saint-Germain na Liga Europa. De nada adiantou a torcida. O frustrante empate por 1 a 1 no Parc des Princes coroou a incompetência do clube da capital, que teve o domínio estéril da partida e desperdiçou inúmeras chances para se classificar à fase seguinte.

Antoine Kombouaré adotou uma tática que se mostrou acertada. O treinador mandou a campo um PSG com apenas um atacante e concentraram suas jogadas de ataque pelos flancos. A estratégia deu certo até certo ponto. O time encontrou espaços para atacar, mas irritava com seguidos erros de passe e uma certa falta de sintonia. Tais problemas tornaram estéril o domínio da equipe.

Logo em sua primeira chance para marcar, o Benfica foi fatal com Gaitán. Mais uma vez, Apoula Edel aparece como vilão da história. O goleiro falhou, foi criticado por Kombouaré e definitivamente se vê sem futuro no PSG. Se antes Nenê era o bode expiatório por seu individualismo em excesso, o brasileiro agora conta com uma companhia considerável na lista dos rejeitados.

O próprio Gaitán disse que já sabia das fanfarronices do goleiro do PSG. “O treinador de goleiros do Benfica me havia dito que, em bolas cruzadas, Edel sempre dava um passo para a frente. Quando o vi fazendo isso, preferi chutar a cruzar”, afirmou o argentino. Ou seja: um defeito já conhecido do arqueiro serviu como arma para um adversário, que se aproveitou bem dela para tirar vantagem. Méritos para Gaitán, reprovação para o contestado Edel.

Com a derrota no clássico para o Olympique de Marselha, restou ao PSG apenas as esperanças de conquistar o título da Copa da França. Muito pouco para quem começou a temporada tão bem e agora, em uma semana, vê o céu desabar sobre sua cabeça. Sinal de turbulência forte no Parc des Princes.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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