FrançaLigue 1

Se o PSG acha que o bi virá sem esforço, pode esquecer

O Paris Saint-Germain é o amplo favorito para conquistar o bicampeonato da Ligue 1. Entre todas as credenciais que podem ser listadas, a principal é que os parisienses reúnem mais condições favoráveis do que qualquer outro adversário no torneio. No entanto, não adianta nada ter craques, entrosamento ou dinheiro se o time é acomodado. E foi justamente esse o motivo que selou o primeiro tropeço da equipe de Laurent Blanc na competição.

– Especial: Por que acreditar no bicampeonato do PSG na Ligue 1?

 

O empate por 1 a 1 contra o Montpellier veio mais por osmose do que por esforço do PSG. Logicamente, jogar no Stade de la Mosson contra os donos da coroa em 2011/12 não é uma parada tão simples assim. De qualquer forma, pelo que apresentou, o time da capital deixou muito a desejar. Foi muita propaganda para pouco futebol.

Por mais que ainda seja início de temporada e os jogadores estejam longe de seu potencial máximo, as peças do ataque foram as mesmas da temporada passada, com Zlatan Ibrahimovic, Ezequiel Lavezzi, Lucas e Javier Pastore. E produção ofensiva do quarteto foi praticamente nula, principalmente quando se considera o domínio do time na posse de bola e o fato de que os visitantes jogaram com um a mais por mais de 20 minutos, após a expulsão de Abdelhamid El Kaoutari.

O gol de Maxwell saiu a partir de um lampejo de Pastore, em mais uma de suas atuações desinteressadas. Ainda falta encaixar Edinson Cavani no setor e o uruguaio até fez sua estreia nesta sexta, disputando os 20 minutos finais, mas não conseguiu ajudar muito. O artilheiro teve apenas uma chance, de cabeça, sem sucesso.

Todavia, não é Cavani que melhorará a criatividade dos parisienses na criação das jogadas. Um problema, aliás, recorrente na campanha do título e que foi minimizado pela facilidade de Ibra em marcar gols. O sueco, aliás, em uma desatenção permitiu o gol de Rémy Cabella, que abriu o placar para o Montpellier aos 10 minutos e manteve o PSG sob pressão durante a maior parte do cotejo.

Não é pela estreia que irá cravar o Paris Saint-Germain derrapando na briga pelo título. Mas o fraco desempenho é um aviso para Blanc que ainda há muito a melhorar. É preferível tropeçar agora a pagar caro pelos problemas da equipe mais para frente. Se ficar acomodado e achar que o mínimo esforço será o suficiente para erguer outra vez a taça, o PSG já viu que não terá uma fila de 19 bobos para enganar até o fim da competição.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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