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Por que acreditar em mais um passeio do PSG na Ligue 1?

O potencial econômico, a influência política e numerosa população nunca foram razões suficientes para manter Paris sempre no topo do futebol francês. A influência da capital na história da Ligue 1, por sinal, é bastante aquém de sua representatividade. Somente com os milhões de euros da Qatar Sports Investments despejados na cidade é que o Paris Saint-Germain despontou. E está em uma posição na qual é difícil duvidar de sua força.

O Campeonato Francês foi conquistado com facilidade na temporada passada, embora ela tenha sido menor do que o previsto antes do pontapé inicial da competição. Para 2013/14, o PSG conta com um time mais forte. Porém, as mudanças vividas dentro e fora do clube, bem como aquelas que ainda estão por vir, colocam em xeque o bicampeonato dos parisienses.

O que leva a crer que o Paris Saint-Germain passeará outra vez na Ligue 1? E quais são os indícios que apontam para um tropeço dos todo-poderosos? Nas próximas linhas, apresentamos as credenciais dos atuais campeões franceses, introduzindo o início da competição, que acontece nesta sexta. Já na semana que vem, em conjunto com outros especiais das grandes ligas europeias, publicaremos o Guia do Campeonato Francês.

Por que acreditar no bicampeonato do PSG?

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– O talento ofensivo

O Paris Saint-Germain conta com os dois centroavantes mais caros da história do futebol. Zlatan Ibrahimovic é o dono do time e Edinson Cavani foi trazido a peso de ouro do Napoli. A princípio, a presença dos dois astros pode até trazer problemas, mas pelas características de jogo ambos podem muito bem ser escalados juntos. Como opções, Laurent Blanc ainda tem à disposição Ezequiel Lavezzi, Lucas, Jérémy Ménez e Javier Pastore – quando este último decide jogar, é claro. Por falta de gols é que os parisienses não perderão a taça.

– A coesão do time

Carlo Ancelotti deixou o Parc des Princes, mas ficou seu legado. Como característica do italiano, o PSG conta com uma equipe muito bem armada defensivamente, por mais que Christophe Jallet sempre tente estragar. Não à toa, nos jogos em que o ataque não funcionou (ou seja, que Ibra não decidiu), a zaga garantiu os pontos, quebrando até mesmo o recorde de minutos sem sofrer gols do clube na Ligue 1. Laurent Blanc não deve realizar mudanças bruscas no setor e ainda ganha de presente o zagueiro Marquinhos, um dos melhores em sua posição na Serie A 2012/13.

– A permanência de Thiago Silva

O mercado continuará aberto por mais três semanas, mas a manutenção do grande líder do PSG parece certa. Se os números defensivos são tão bons, Thiago Silva tem grande parcela de responsabilidade. O zagueiro perdeu parte considerável da temporada lesionado e ainda assim foi imprescindível ao sucesso do time. Os qatarianos não podem se gabar por contar com o melhor jogador do mundo, mas têm vários argumentos para dizer que possuem o melhor defensor da atualidade em seu grupo.

– O dinheiro

A boa e velha solução de problemas. Caso o Paris Saint-Germain não comece bem a Ligue 1, ainda tem margem para recuperação. Afinal, o xeique poderá despejar seus milhões no mercado de transferências de janeiro e trazer mais algum craque para tentar causar uma reviravolta na equipe. As chances de que isso funcione não são lá tão grandes, mas nunca se deve duvidar do potencial transformador do dinheiro.

– O abismo em relação ao restante dos adversários

Ninguém tem um conjunto da obra tão completo quanto o Paris Saint-Germain. A equação do time de Laurent Blanc une bons jogadores, poder de decisão, capacidade de compra e entrosamento. O Monaco tem a grana, mas montou o time agora e ainda é comandado por Claudio Ranieri. O Olympique de Marseille está abaixo em relação ao dinheiro e à qualidade do elenco, enquanto Lyon e Lille decaem ainda mais com os desmanches enfrentados recentemente. De resto, apenas rivais bastante inferiores. Para que eles aprontem contra o time da capital, apenas se a tradicional “imprevisibilidade” da Ligue 1, capaz de ter cinco campeões nos últimos cinco anos e com uma tabela prolífica em placares com zero e um, funcionar.

Por que não acreditar no bicampeonato do PSG?

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– O Monaco

Clube bancado por magnata que vai gastando o que pode no mercado de transferências para ser campeão francês. O filme é repetido, mas desta vez protagonizado por um russo, Dmitry Rybolovlev. O clube do principado saiu da segundona e já tomou o rótulo de ameaça ao Paris Saint-Germain, principalmente por investir – até o momento – € 146 milhões em reforços. Radamel Falcao García, James Rodríguez, Éric Abidal e os outros astros trazidos tornam os alvirrubros bastante qualificados como favoritos.

– O Olympique de Marseille

Não tenha dúvidas que o elenco do Marseille é muito inferior ao do PSG. Essa diferença já constava na temporada passada e, mesmo assim, os marselheses engrossaram para os parisienses durante parte da campanha. O peso da camisa, a torcida fanática e a rivalidade podem ajudar o OM a pelo menos incomodar o clube da capital. E ainda dá para dizer que o time de Elie Baup melhorou, com a contratação do bom Dimitri Payet para o setor ofensivo.

– A fiscalização sobre os gastos

Em algum momento a Uefa precisará tomar uma atitude. Não adianta dizer que o Fair Play Financeiro está funcionando às mil maravilhas se o PSG gasta uma fortuna e dá um gato nas contas para dizer que não cometeu nada de irregular. E se a Uefa não aumentar o cerco, ao que parece, o presidente François Hollande é quem deverá controlar a folha de pagamentos do PSG. Embora tenha prometido que as medidas não afetariam o futebol, o governo está em vias de aprovar uma supertaxa de imposto sobre a parcela mais rica da população, o que afetaria diretamente os jogadores mais bem pagos. Caso o xeique não banque o prejuízo, os elementos para uma crise interna já estão indicados.

– A transição no comando

Carlo Ancelotti foi para o Real Madrid e Leonardo também saiu da direção do Paris Saint-Germain. Uma mudança brusca, que pode ter seus efeitos sentidos dentro de campo. Laurent Blanc tem boas credenciais como técnico, mas seu histórico na gestão de estrelas não é dos melhores, vide as polêmicas durante sua passagem pela seleção francesa. Ibrahimovic não tem um ego fácil de ser domado e é o principal barril de pólvora no Parc des Princes, ainda mais se Cavani começar a ofuscar o brilho do sueco.

– A pressão por um sucesso na Liga dos Campeões

O PSG não tem ustificativas para uma eliminação precoce na Liga dos Campeões. O clube fez um papel digno na última temporada, dificultando bastante a vida do Barcelona. Todavia, pelo dinheiro investido, os parisienses precisam ir além, chegar ao topo da Europa o quanto antes. E essa pressão por um sucesso continental poderá tirar um pouco das atenções à Ligue 1, ainda mais considerando que o elenco não é tão vasto quanto o de outros gigantes europeus.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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