Ribéry se aposenta da seleção abrindo mão daquele que poderia ser seu maior momento
A menos de dois anos da disputa da Eurocopa de 2016, a anfitriã França já sabe que terá o maior desfalque que poderia imaginar. Franck Ribéry anunciou sua aposentadoria dos Bleus, aos 31 anos, abrindo mão de fazer parte da competição que será sediada em seu próprio país. A decisão pegou todos de surpresa, por não fazer muito sentido, especialmente neste momento. Fora da Copa deste ano por causa de uma lesão, Ribéry teria em 2016 sua grande chance de ser a liderança técnica que poderia levar a seleção em crescimento a um título marcante.
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Desde que surgiu para o mundo, com uma boa aparição na Copa de 2006, o jogador do Bayern de Munique demonstrou potencial de ser um grande protagonista para os Bleus. No entanto, aquela equipe vice-campeã já tinha Zidane, e Ribéry acabou sendo apenas um promissor coadjuvante. Ganhou seu espaço de última hora, tendo feito sua primeira partida apenas um mês antes do Mundial, e impressionou Raymond Domenech o bastante para participar de todos os jogos da França na campanha do vice-campeonato, seis deles como titular, incluindo a final contra a Itália.
Depois disso, o camisa 7 teve oportunidades de ser a grande estrela da França em torneios importantes, mas as circunstâncias vividas pelos Bleus foram um importante fator para evitar que isso acontecesse. Na Euro de 2008, a equipe sucumbiu na fase de grupos, sem vencer nenhum jogo e terminando como lanterna de sua chave, que tinha também Itália e Holanda. Em 2012, Ribéry não brilhou nos jogos da França na primeira fase e caiu no primeiro mata-mata, dando o azar de pegar a Espanha, que viria a ser campeã. Entre essas duas edições do torneio continental, uma Copa do Mundo trágica, com o elenco despedaçado, em greve, com certeza não era o palco mais apropriado para uma grande exibição do jogador.

Após anos de times mal montados e vestiários desorganizados, de desconfiança e pouca esperança, Ribéry teve sua grande chance tirada por uma lesão nas costas – nos bastidores, surgiram até boatos de que pediram para o craque jogar com infiltrações, o que não aceitou. O camisa 7 enfim fazia parte de uma seleção coesa e com potencial de fazer bonito. Apesar de terem recebido bem menos atenção do que mereciam antes do Mundial, os Bleus foram muito bem aqui no Brasil, mesmo sem seu principal craque. Muito bem equilibrado e com seu ponto forte no setor de meio de campo, o time caiu diante da Alemanha, que viria a ser a campeã, e tinha condições de ter ido mais longe. Ribéry tinha condições de levá-los mais longe.
O jogador apenas afirmou que sua decisão de se aposentar era para dar espaço aos mais jovens, mas, tendo ele apenas 31 anos, isso não faz tanto sentido. Os protocolares “dedicar-me mais à minha família” e “concentrar-me nos objetivos do clube” também entraram no discurso. Se houve alguma rusga com a comissão técnica, o craque não irá evidenciar, ainda mais pelo momento em que finalmente os Bleus se reencontraram com a paz. Ele não será completamente claro quanto ao motivo de sua decisão em público, mas deve ter a consciência de que está desperdiçando uma ótima oportunidade de escrever seu nome na história da seleção francesa. Não era nada garantido, é claro. Tratava-se de correr um risco, que, nesse caso, poderia ter uma enorme retribuição.



