Ribéry e Benzema free

Como se já não fosse suficiente sua dura missão de extirpar as lembranças ainda muito vivas do vexame da seleção francesa na África do Sul, Laurent Blanc tem um início de trabalho marcado por outra polêmica. Franck Ribéry e Karim Benzema, envolvidos em um escândalo sexual, deveriam ser convocados? Há uma pressão para que os dois não voltem a defender os Bleus tão cedo, mas o treinador resolveu peitar os críticos e afirmou que os chamará em breve.
Roselyne Bachelot, ministra dos Esportes, disse que as investigações em torno de Ribéry e Benzema “são dificilmente compatíveis com uma presença na seleção francesa”. Rama Yade, secretária de Estado para os Esportes, seguiu a mesma linha. Para elas, é preciso estar “limpo” para vestir a camisa dos Bleus. Neste caso, tanto do ponto de vista moral (por isso a condenação pública mais do que correta em torno das atitudes dos jogadores na África do Sul) como também criminal.
Sim, Ribéry e Benzema podem ser condenados à prisão pelo envolvimento no “caso Zahia”, a prostituta com quem eles teriam estado quando ela era menor de idade. Pela legislação francesa, porém, há o princípio da inocência – ou seja, até que sejam julgados, eles estão livres de qualquer culpa. Em outras palavras, enquanto não provarem nada contra os dois, Ribéry e Benzema devem jogar pela seleção francesa.
Fernand Duchaussoy, presidente interino da Federação Francesa, preferiu amenizar a situação e disse que conversaria com Blanc para ver qual seria a opinião dele. O treinador deixou claro que deseja contar com os dois em suas futuras convocações, no que está extremamente correto. Ribéry e Benzema são dois dos principais jogadores franceses do momento e deixá-los de lado agora, quando as investigações estão em curso, seria um excesso de conservadorismo.
Para iniciar seu processo de renovação dos Bleus, Blanc não chamaria qualquer dos envolvidos na Copa do Mundo para o amistoso contra a Noruega. O treinador utilizaria pesos e medidas diferentes, então, para cuidar de assuntos polêmicos? Afinal, o fiasco francês no Mundial também passou por questões morais, como “panelinhas”, complôs, desrespeito, egoísmo…
Neste caso, considero que seria extremamente radical banir todos os 23 jogadores que participaram do fiasco. Seria burrice reuni-los todos novamente, mas também não dá para imaginar uma seleção sem Lloris, Gourcuff, Toulalan e Ribéry, por exemplo. O jogo contra os noruegueses também não deve servir como parâmetro de qual será a cara da França para os próximos anos – você imagina ver Jucilei, Renan e Jefferson na Copa-2014?
Ribéry e Benzema são fundamentais para a França e, enquanto não houver uma decisão da Justiça, devem fazer parte da seleção. Prescindir dos serviços deles seria um atestado de ignorância, ainda mais quando Blanc procura ter um pouco de paz para começar sua tarefa já bastante complicada.
Tudo ou nada
O Lille pintava como um dos favoritos na disputa pelo título da Ligue 1 na última temporada. A equipe surpreendia seus adversários com um ataque poderoso, um meio-campo consistente e um conjunto equilibrado, mesmo sem contar com grandes nomes em seu elenco. No entanto, nas rodadas finais, o time teve uma queda brusca de rendimento. A classificação para a Liga dos Campeões, que parecia certa, ficou para trás e o LOSC teve que se contentar com um quarto lugar. Para 2010/11, o clube espera corrigir os erros e, enfim, chegar ao fim com todas as forças.
Na última rodada da Ligue 1 passada, o Lille decepcionou sua torcida ao perder para o Lorient por 2 a 1. Apenas um resultado foi capaz de estragar todo o trabalho feito durante a temporada. A dor provocada pelo resultado serviu como uma lição para os jogadores do LOSC, que demonstram ter aprendido da maneira mais dolorosa possível como evitar uma nova decepção.
A diretoria do clube ao menos fez sua parte. O Lille conseguiu manter seus principais jogadores, mesmo com o assédio de outras equipes. Assim, será possível ver Hazard, Gervinho, Cabaye e Rami com a camisa do clube, pelo menos nesta primeira metade da temporada. O treinador Rudi Garcia contou com a chegada de Moussa Sow, ex-atacante do Rennes, para fortalecer sua linha ofensiva.
Nos amistosos de preparação, Sow já mostrou suas qualidades ao marcar três gols. Aliás, a máquina do Lille continuava azeitada: em quatro partidas, marcou onze gols. O time sofreu uma derrota (1 a 0 para o Bordeaux), mas mostrou qualidades. E será imprescindível ter uma boa largada nesta temporada, já que as primeiras rodadas reservam encontros difíceis contra Rennes e Paris Saint-Germain.
O problema para Garcia está exatamente no que vai acontecer entre estes dois jogos. O motivo? O amistoso da seleção francesa contra a Noruega. Cabaye, Mavuba, Balmont, Rami e Debuchy tem chances de aparecer na lista de convocados por Blanc, o que provocaria um estrago considerável na equipe. Embora tenha mantido seus principais destaques, o LOSC precisa provar que sabe se virar sem eles e mostrar a força de seu conjunto.


