França

Recuperação bretã

Nas últimas temporadas, o Rennes se acostumou a fazer um primeiro turno lamentável na Ligue 1. Na segunda metade do campeonato, a equipe se transfigurava, cumpria campanhas de recuperação memoráveis e por muito pouco não obtinha uma vaga na Liga dos Campeões. A rotina dos bretões parece ter mudado em 2008/09. Com a vitória por 1 a 0 sobre o Paris Saint-Germain, o clube assumiu a vice-liderança do Francês, cinco pontos atrás do Lyon.

Está certo que a posição atual do Rennes é provisória, pois o duelo entre Nice e Grenoble foi adiado (se vencerem, os Aiglons retomam a segunda colocação). De qualquer forma, os bretões deixam a impressão de enfim terem aprendido com as falhas do passado e trabalhado para corrigi-las. Não à toa, o clube cumpre campanha louvável e apresenta o menor número de derrotas até aqui na Ligue 1 – apenas uma. Até mesmo o poderoso Lyon sofreu mais reveses: dois.

O principal problema do Rennes em seus inícios de temporada anteriores estava em sua defesa, bastante insegura e que só pegava no tranco no decorrer do campeonato. Para 2008/09, havia o temor de uma nova série de problemas neste setor com a saída de John Mensah, negociado com o Lyon. O ganense resolveu boa parte das dificuldades defensivas da equipe, mas sua transferência deixava uma lacuna. Os rubro-negros acertaram em cheio com as chegadas de Bocanegra e também do goleiro Douchez, duas das principais figuras da equipe hoje.

Com um bloco compacto atrás, a equipe montou uma verdadeira muralha. O Rennes conta com a segunda melhor defesa da Ligue 1, ao lado do Toulouse, com apenas onze gols sofridos. Perde apenas para a do Lyon, com dez. O Paris Saint-Germain sentiu as dificuldades para ultrapassar a retaguarda adversária. Quando finalmente encontrava alguma brecha, lá estava Douchez prestes a estragar a vida dos visitantes, seja nas bolas pelo alto ou nas conclusões dos rivais.

Mangane também se destaca nesta defesa. Além de cumprir bem seu papel lá atrás, ele se lança ao ataque até com certa freqüência, mas com um senso mínimo de segurança – itens primordiais para não sobrecarregar seus companheiros. Embora o PSG tenha feito um bom jogo, o Rennes se mostrou mais uma vez intransponível. Não se deve menosprezar a força de uma equipe que completou seu 14º jogo invicto.

O time da capital encontrou certa liberdade para virar o jogo, na tentativa de abrir algum espaço. No entanto, o Rennes monta uma estratégia a princípio covarde, mas até agora letal. A equipe espera o adversário em seu campo defensivo, bem fechada e com uma marcação enjoada. Ao primeiro descuido, lá vem o desarme e o contra-ataque fatal. Levando-se em consideração o fato de o clube contar com Briand e Pagis em seu ataque, não dá para limitar as boas atuações apenas à inviolabilidade defensiva. Os dois demonstram enorme capacidade de fazer a diferença.

Se mantiver o nível de organização exibido até aqui, o Rennes vai para o segundo turno com chances reais de incomodar os líderes até o final. Se faltava a solidez defensiva para compensar a habilidade de seu ataque, a eficiência de sua zaga dá sinais de que os tempos mudaram. Resta saber como os bretões encararão a janela de transferências de janeiro. Com um time tão bem encaixado, a perda de um jogador pode jogar todo este bom primeiro turno no lixo.

Sim, não, talvez

Na Liga dos Campeões, os clubes franceses viveram experiências bem distintas. O Lyon, como era de se esperar, conquistou sua classificação para as oitavas-de-final com antecedência. O Olympique de Marselha, por sua vez, foi eliminado de forma prematura ao perder para o Liverpool, mas ainda sonha com uma possível vaga na Copa Uefa. O Bordeaux passa por um momento de indefinição. Arrancou um empate com o Chelsea em casa e ainda tem chances de avançar, mas para isso precisa bater a Roma na Itália. Caso contrário, terá que se contentar com a Copa Uefa.

Para o OM, o fato de não ser páreo para Liverpool e Atlético de Madrid não se trata do principal problema. A equipe simplesmente teima em não aprender com seus erros cometidos em edições anteriores. O Olympique até fez alguns bons jogos, mostrou um certo valor e teve chances para obter resultados mais significativos, mas a falta de concentração da equipe se tornou irritante. Contra rivais de bom nível técnico, é necessário estar atento durante todos os 90 minutos.

Nos dois jogos contra o Liverpool, a defesa entregou o ouro quando poderia muito bem ter se virado. No Vélodrome, seis minutos de apagão foram suficientes para os Reds marcarem duas vezes e definirem a vitória. Em Anfield, Bakary Koné pensava na morte da bezerra quando os donos da casa cobraram um escanteio e Gerrard aproveitou a bobeada para marcar. O Atlético de Madrid também agradeceu a dois presentes oferecidos pela defesa marselhesa, com direito a dedicatória e tudo.

Até mesmo contra o PSV, no duelo em Eindhoven, o Olympique se mostrou passivo demais, diante de um adversário limitado. Quando teve um mínimo de organização, não encontrou dificuldades para superá-lo, como fez em casa. Claro, dificilmente o OM roubaria uma vaga de Liverpool e Atlético de Madrid, mas não era para estar tão mal assim na tabela.

O Bordeaux paga por ter engrenado tão tarde. Deixemos de lado a estréia contra o Chelsea em Stamford Bridge. A segunda partida, em casa, diante da Roma seria a chance ideal de recuperação. A derrota para os giallorossi, aliada aos sucessos do surpreendente CFR Cluj, deixaram os Marine et Blanc na lanterna da chave, sem pontos. O time seria motivo de chacota, não fosse a reação obtida nas duas partidas contra o clube romeno.

No primeiro tempo do duelo contra os Blues, a aplicação dos girondinos foi exemplar. Os visitantes deram zero chutes na direção do gol. Isso mesmo, zero. Mesmo com maior posse de bola, o time inglês não conseguia se desvencilhar da boa marcação. Tanto que os londrinos tomaram três cartões amarelos em dez minutos, em claros sinais de irritação. Isso sem contar as chances desperdiçadas por Gouffran e Gourcuff.

Em um momento Olympique, o Bordeaux pagou caro em seu primeiro momento de distração. O gol de Anelka aos 15 minutos da segunda etapa quase jogou os planos dos donos da casa na sarjeta, pois Lampard teve mais duas chances para ampliar. Pois os Marine et Blanc encontraram forças para reagir, igualaram com Diarra e deram mostras de que são capazes, sim, de proporcionar um bom espetáculo na LC. Pena que eles se deram conta disto tarde demais.
 

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Equipe Trivela

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