França

Recado a Domenech

Raymond Domenech disse, assim que acabou a vexatória derrota da França para o México por 2 a 0 em Polokwane, que estava sem palavras para explicar o que havia acabado de acontecer em campo. Pois bem, eu posso ajudá-lo a entender a grande porcaria que o senhor fez – se quiser, claro, ouvir este modesto escriba que apenas gostaria de entender de forma lógica algumas de suas escolhas. Bom, fica difícil exigir alguma lógica em seu raciocínio, não é mesmo?

Tudo bem, entendo a entrada de Malouda no lugar de Gourcuff, que se mostrou bastante apático no jogo contra o Uruguai. Seu 4-2-3-1 com Ribéry fazendo as funções de meia-armador simplesmente se mostrou um fiasco ainda maior. Basta olharmos para as atuações pífias de Govou, que deveria ser uma solução para abrir o jogo pela direita, e de Anelka. Ah, Anelka… Benzema deve ter acompanhado esta partida com muita revolta por não estar em seu lugar.

Se não tinha Benzema, por pior forma física e técnica que estivesse, Domenech tinha ao menos a opção de colocar Henry em campo. Anelka já não havia feito nada que prestasse na estreia e repetiu seu desempenho fantasmagórico – tanto que Bixente Lizarazu questionou como é que um jogador tem a capacidade de andar em campo em um jogo de Copa do Mundo. O técnico tinha a chance de mudar a cara da equipe, mas permaneceu em pé, ao lado do banco de reservas, como se estivesse lendo um jornal em um café de Paris.

Henry só entrou em campo no finalzinho, quando não podia mudar mais coisa alguma. Ele viu o treinador chamar Valbuena e Gignac primeiro. Passou pela cabeça o mesmo filme de 2006, quando Domenech só se lembrava de Trezeguet quando o jogo se encaminhava para o final, como se quisesse queimá-lo com requintes de crueldade. Só que aquela França tinha Zidane. Esta, Govou.

Se a saída de Gourcuff tem a ver com a tal crise de ciúmes com Ribéry e Anelka, provou-se que em campo o meia faz falta, mesmo em suas piores condições. Ribéry, por mais que tenha qualidades técnicas, está mais para um solista do que um armador. Para ele, é interessante atuar aberto por um dos corredores, com espaço para driblar e avançar. Não dá para esperar que ele seja aquele jogador que cadencia a partida, tenha a calma necessária para organizar as jogadas e distribuir passes.

Sem dúvida, esta escolha de Ribéry como “meia puro” ajudou a afundar os Bleus, que já não tinham tanta força ofensiva assim. Ver a seleção ameaçar apenas em jogadas de bola parada dói. Em campo, a falta de vontade dos jogadores também assusta. A burocracia tomou conta do espírito da seleção. Pelo menos Domenech não pode dizer que não deixou a equipe com sua cara.

Agora, os Bleus jogam sua vida contra a África do Sul, e Domenech fala que a França precisa jogar por sua honra. Não dá para exigir muito de uma seleção que, do início ao fim de sua aventura, apresentou pouco brilho e se fiou mais nas controvérsias do que na lógica para montar um time de verdade. Fica difícil querer algo mais de um elenco envenenado por picuinhas (tanto entre os atletas como até com política) e um clima de fim de feira com a já anunciada saída de Domenech. Que a despedida contra os Bafana Bafana seja ao menos digna – pois a vaga nas oitavas já era.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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