França

Por que PSG de Messi, Neymar e Mbappé era ‘impossível’ de dar certo? Brasileiro explica

Brasileiro estava no time parisiense estrelado e revela como era o vestiário com o trio

O PSG ter fracassado com Neymar, Mbappé e Messi juntos entre 2021 e 2023 é mais uma prova que juntar muitas estrelas em um time de futebol nem sempre é a melhor estratégia. O brasileiro Rafinha Alcântara, que passou dois anos no clube parisiense, acompanhou o início dessa era e percebeu rápido que daria errado.

O ex-Barcelona e Internazionale, no momento sem clube, falou em entrevista ao “Charla Podcast” que a reunião de estrelas, além do trio, também impactou para que o time tivesse êxito.

— Pré-temporada, primeiro treino que estava todo mundo, eu falei: ‘é impossível que dê certo‘. Começa no gol: Keylor Navas ou Donnarumma. Quem não jogar fica put*. Vai ter briga, discussão com o treinador. Zaga: Marquinhos, titular, ninguém vai tirar ele, Kimpembe, ídolo do PSG, e Sergio Ramos. Lateral era top três para cada um. No ataque, Di María, Mbappé, Neymar e Messi — iniciou, aos risos.

— Quem tu tira? Di María, por peso, e mesmo assim não é um jogador que dá para tirar. Não tem como dar certo. Para um treinador é impossível. Era o melhor time do mundo por jogador, por nomes, mas, ao mesmo tempo, difícil por como vai gerenciar. […] Eu não jogava, então ficava assistindo — completou.

Treino do PSG em 2021 com Neymar, Messi, Mbappé, Rafinha Alcântara, Di María e Verratti
Treino do PSG em 2021 com Neymar, Messi, Mbappé, Rafinha Alcântara, Di María e Verratti (Foto: Imago)

Diferente do que muita gente pensa, o jogador de 32 anos revelou que esse PSG não tinha problemas de vestiário, a maior dificuldade era para o técnico comunicar quem ficaria no banco. Mauricio Pochettino e Christophe Galtier foram os comandantes do time durante essa era.

— Vai falar o que para os caras? Quando junta três muito diferentes, são três que sabem que tem que fazer a diferença. Muito difícil. […] [Achei que ia dar errado] porque não botar melhor do mundo para jogar é problema. Não é nem problema do vestiário, mas é mais problema para o treinador. Eles são tão bons que entender que tem que estar no banco é difícil.

Rafinha Alcântara conta como ‘cavou’ espaço no PSG

Formado na base do Barcelona, o brasileiro estreou no time principal em 2013 e, entre três empréstimos, ficou vinculado ao clube até 2020, quando assinou com o PSG. A ida a Paris, porém, só aconteceu pela proatividade do meio-campista e uma história inusitada.

Certa vez, Alcântara foi a França para uma festa de Neymar e por lá encontrou Thomas Tuchel, técnico do PSG entre 2018 e 2020, quem o encheu de elogios.

— Quando eu estava no Barcelona, machucado, fui no aniversário do Neymar e o Tuchel estava lá. Ele veio falar comigo, disse ‘Gosto muito de você, te acho um jogadoraço. Boa sorte na recuperação. Gostaria de ter te treinado’. Do nada. O cara ficou do meu lado e falou isso. Fiquei com isso na cabeça — detalhou.

Com isso, em 2020, quando já sabia que não ficaria no Barça porque o então técnico Ronald Koeman não contava com ele, Rafinha assistiu uma entrevista de Tuchel pedindo mais meio-campistas. Deu um clique na cabeça do jogador, que pediu para seu empresário ligar no clube parisiense e tentar a transferência.

— O PSG não podia pagar por causa da pandemia. Sabia que o Barça ia me liberar quase de graça. Eu vi uma entrevista do Tuchel: ‘estou precisando de meias, mas só podemos contratar de graça ou empréstimo’. Disse para o meu empresário, ‘o Tuchel gosta de mim, liga para o Leonardo [então diretor do PSG] e pergunta’. Tuchel falou: ‘agora’. Foi assim que acabei no PSG. Três meses depois o cara foi mandado embora — revelou.

Rafinha Alcântara antes de jogo do PSG
Rafinha Alcântara antes de jogo do PSG (Foto: Imago)

O brasileiro até ganhou muitos minutos com o técnico alemão, mas, com a chegada de Pochettino, treinador que o atleta já sabia que não gostava dele, perdeu o espaço no Paris Saint-Germain.

— Esses três meses com Tuchel foram bons, estava jogando. […] No natal chegou o Pochettino, aí eu já sabia que não gostava de mim. Quando ele treinava o Tottenham, meu empresário tentou a transferência, mas disse ‘esquece, ele não vai contar contigo’. Em janeiro de 2021 peguei COVID, fiquei um mês ferrado. Voltei sabendo que o técnico não gostava de mim. Sabia que só teria um ou duas chances se não aproveitasse, tava fora.

Rafinha permaneceu no PSG apenas até o começo de 2022, quando foi emprestado à Real Sociedad. Seis meses depois, fechou com o Al-Arabi, do Catar, onde ficou até o meio do ano passado.

Ainda se recuperando de uma grave lesão no joelho, Alcântara tem recebido sondagens do futebol brasileiro para voltar em janeiro, mas ainda não crava se retornará aos gramados pela gravidade do problema físico.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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