FrançaLigue 1

Quem semeia ventos…

Era para ser o grande jogo da décima rodada da Ligue 1, mas o duelo olímpico entre Olympique de Marseille e Lyon acabou adiado. A forte ventania na região sul da França impediu a realização da partida e criou um grande impasse entre os dois clubes, quase uma guerra diplomática – tudo por conta da indefinição quanto à nova data do embate. O OL aparece como o chato da história e bate o pé para remarcar a tão esperada peleja para o dia 28 de novembro.

O pavio curto da diretoria do Lyon foi aceso já por conta do adiamento do jogo. Os lioneses acusam o Olympique de Marseille de não se prevenir da forma como deveria e tomar as medidas cabíveis para que a partida fosse disputada. Como se sabe, o estádio Vélodrome passa por reformas e, por motivos óbvios, os ventos de mais de 100 km/h poderiam causar estragos inimagináveis.

Agora, os lioneses fazem birra para que a partida seja remarcada para o dia 28 de novembro. Outra possibilidade seria realizá-la em 19 de dezembro, mas a diretoria do OL nem cogita esta hipótese. Ninguém no clube quer ver a equipe disputar dois jogos dificílimos seguidos fora de casa. No dia 16, está marcado o duelo entre Paris Saint-Germain e Lyon no Parc des Princes; daí o interesse lionês de fugir desta data.

Só que marcar o jogo para 28 de novembro varre o problema para baixo do tapete. Pode até resolver um dilema, mas cria outra confusão. A data está reservada para a disputa das quartas de final da Copa da Liga Francesa, na qual os dois times ainda estão envolvidos. Ou seja: se algum deles (ou ambos) ficar entre os quadrifinalistas, haverá a necessidade de se mexer de novo na agenda. E tome discussão para achar uma brecha em um calendário com espaços diminutos e que já desagrada a todos por criar uma maratona.

Cabe lembrar que OM e OL fazem disputa acirrada pela ponta da tabela e tentam acompanhar o ritmo do líder PSG. Os marselheses podem alcançar os mesmos 22 pontos do clube da capital caso vençam; já os lioneses iriam a 21, ficariam isolados na vice-liderança e com tempo suficiente para se preparar para o grande duelo no Parc des Princes.

Enquanto a tempestade atinge OM e OL, o PSG segue seu caminho com a brisa da liderança soprando em seu rosto. O time da capital mais uma vez jogou para o gasto e fez o mínimo no gramado sintético do Marcel-Picot para bater o lanterna Nancy por 1 a 0. O fim do jejum de três anos sem vencer o ASNL em seus domínios só foi possível graças a mais uma atuação decisiva de Zlatan Ibrahimovic, autor de seu décimo gol na Ligue 1.

O Nancy até começou bem e, nos vinte primeiros minutos de partida, antecipou sua marcação e deixou poucos espaços para o PSG, que sentia dificuldades para articular suas jogadas. Só que a lanterna se ajusta muito bem ao atual estado deste ASNL desprovido de qualquer imaginação ofensiva. Pouco ameaçador, o time da casa aos poucos viu sua empolgação inicial diminuir.

O PSG também estava apático e, por isso, Carlo Ancelotti resolveu mexer no time para a segunda etapa. As entradas de Gameiro e Verratti nos lugares de Rabiot e Bodmer reequilibraram o meio-campo da equipe e proporcionaram maiores chances ofensivas. Até então, os parisienses se limitavam às jogadas de bola parada para levar algum perigo. Para ser sincero, a equipe da capital só jogou quando Ibrahimovic deu o ar da graça. Não foi o jogo da vida do sueco, mas o atacante prova a cada dia ser fundamental para qualquer pretensão do PSG nesta temporada. Mesmo apagado, ele continua como referência e esperança no meio de tanta sonolência.

Já o Bordeaux perdeu a chance de se manter próximo ao bloco dos primeiros colocados e, para piorar, viu sua invencibilidade cair. Os girondinos não perdiam uma partida na Ligue 1 desde o longínquo 8 de abril, em uma série que durava 16 jogos. O carrasco foi o Bastia (3 a 1) e os Marine et Blanc evitaram qualquer desculpa. Nem o empate com o Marítimo (1 a 1 pela Liga Europa) nem outro motivo foram decantados ao final da partida – muito por conta do desempenho de pouco brilho até agora. Ao lado de Lorient e Nice, a equipe detém o maior número de empates até o momento na Ligue 1: seis.

Nada de novo na LC

O Montpellier tinha o jogo em suas mãos diante do Olympiacos. Era a oportunidade sonhada pelos atuais campeões franceses para conquistar sua primeira vitória na Liga dos Campeões e manter acesa a esperança de classificação para as oitavas de final – ou, em um objetivo mais realista, ficar perto de ir para a Liga Europa. Só que o MHSC mais uma vez acabou naufragando em seus próprios erros.

O pesadelo vivido pelo clube na Ligue 1 prossegue na LC. Jogando em casa, o Montpellier entrou em campo com uma formação bastante ofensiva. O técnico René Girard (suspenso, acompanhou a partida das tribunas) preferiu montar o time no 4-1-4-1, ciente de que o duelo contra os gregos era primordial para suas pretensões. Por um lado, a estratégia deu certo; por outro, acabou minando o próprio time.

Não que o Montpellier devesse atuar dentro de seu campo e esperasse um contra-ataque para resolver a questão. Girard acertou em seu plano e até teria colhido um resultado melhor, mas esbarrou no nervosismo excessivo de seus jogadores. A pressão e a necessidade pela vitória fizeram o MHSC se precipitar demais em diversas jogadas. O único lance de perigo real no primeiro tempo foi um chute de Belhanda para fora. Muito pouco para quem dominava o adversário sem maiores dificuldades.

O começo da segunda etapa se mostrava ideal para o Montpellier com o gol de Charbonnier. O Olympiacos, até então adormecido, resolveu atacar um pouco e nem precisou de muito esforço para colocar a defesa dos donos da casa em pane. Henri Bedimo foi de herói a vilão em um lance. Ao perder a bola de maneira infantil no lance do gol da virada do time grego, o defensor estragou sua bela atuação e comprometeu qualquer sonho do MHSC nesta edição da LC.

Já o Paris Saint-Germain fez o que dele se espera e, sem forçar, bateu o Dinamo Zagreb por 2 a 0 na Croácia. Em um estádio Maksimir às moscas, o time da capital precisou de apenas 45 minutos para construir sua vitória. Sirigu acumulou bocejos em sua meta, já que o Dinamo Zagreb praticamente não o ameaçou. Valeu pelas atuações destacadas de Ménez, Matuidi e Verratti.

Para Ancelotti, a partida serviu mais para colocar Camara, Sissoko e Hoarau e lhes dar algum ritmo de jogo. Contra um adversário que perdeu seus últimos nove jogos (!) da fase de grupos da Liga dos Campeões, o PSG fez seu dever de deixar a vaga para as oitavas de final muito bem encaminhada e sem sofrer sustos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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