Queijos e vinhos

No primeiro dia de jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões, o duelo entre França e Itália teve um ligeiro triunfo dos clubes da Bota. O Olympique de Marselha mais uma vez sentiu dificuldades ao atuar no Vélodrome e caiu diante de um Milan pressionado pelos recentes fracassos. Ao menos o Bordeaux fez valer o respeito de ser o atual campeão nacional. Com uma apresentação digna, empatou com a Juventus fora de casa e, em boa parte do duelo, anulou o adversário.
Em Turim, o Bordeaux esteve melhor do que a Juventus em quase todo o primeiro tempo. Sob uma intensa chuva no estádio Olímpico, os Marine et Blanc souberam explorar muito bem o lado esquerdo da defesa bianconera – afinal, a equipe já conhecia a fraqueza de Grosso em seus tempos de Lyon. Chalmé e Plasil se cansaram de chegar com perigo pelo setor, mas os girondinos sentiram a falta de alguém na frente para dar sequência às jogadas pela linha de fundo.
No segundo tempo, após a Juventus abrir o placar, o Bordeaux demonstrou uma maturidade que lhe faltou em suas participações anteriores na LC. Sem se deixar levar pelo complexo de inferioridade, os girondinos encararam a Vecchia Signora de igual para igual. O gol de Plasil surgiu em uma jogada irregular, é verdade, mas os visitantes exibiram um futebol aplicado, que anulou boa parte da ofensividade da Juve.
Dois fatores devem ser observados nesta explicação: o primeiro está na ausência de Diego, o que certamente facilitou o trabalho do meio-campo do Bordeaux. O outro está em Laurent Blanc. O treinador abriu mão de uma formação ofensiva e achou melhor se precaver. Ele tirou um atacante, deixando Chamakh isolado na frente, e montou uma dupla de volantes com Fernando e Alou Diarra. Foi a chave para desmontar a Juve.
O trabalho do brasileiro e de seu companheiro se complementou de forma harmônica. A marcação firme da dupla permitiu ao Bordeaux evitar as ligações ofensivas da Juventus, retomar a posse de bola e rapidamente iniciar contra-ataques, geralmente com passes para Gourcuff ou então abrindo pela direita como já foi dito. Essa consciência tática será fundamental para a evolução dos girondinos na LC.
Em uma primeira etapa de poucas emoções, o Olympique logo foi dominado por um Milan melhor fisicamente. Por si só, isto já deveria causar calafrios no treinador Didier Deschamps, dada a idade de alguns dos jogadores rossoneri com Inzaghi e Seedorf. Está certo que ‘Pippo’ tem um senso de colocação dentro da área que desafia as explicações mais racionais, mas a liberdade dada ao atacante no lance do primeiro gol coloca a defesa marselhesa em xeque.
Deschamps preferiu manter o 4-4-2 usado contra o Le Mans no fim de semana em vez de montar seu costumeiro 4-3-3. O resultado desta formação se fez sentir de forma mais negativa no ataque. Brandão ficou um pouco mais isolado, mas o brasileiro também contribuiu para uma fraca atuação. Sem grande mobilidade, ele acabou engolido pela marcação de Nesta e praticamente não apareceu em campo. Tamanhas oscilações entre um jogo e outro custarão caro ao time.
Por outro lado, Lucho González demonstrou maior resistência física do que no duelo contra o Le Mans. O argentino, que passou a primeira etapa em branco, enfim deu as caras no segundo tempo e comandou a equipe em busca do empate. Enquanto teve pernas, o argentino impulsionou o time para a frente, com uma boa pressão sobre os visitantes. Ben Arfa entrou em seu lugar, mas sem a mesma qualidade.
O mesmo vale para Morientes, que pouco contribuiu para os marselheses saírem com um resultado melhor. Um encurralado Milan achou o segundo gol com Inzaghi, e o OM amargou um revés em pleno Vélodrome. Esta era uma chance preciosa de tirar pontos de um forte adversário em crise, mas o Olympique conseguiu reabilitar os rossoneri e já sai em desvantagem em um grupo complicado.
Sem convencer
Em seus últimos compromissos antes da estreia na fase de grupos da Liga dos Campeões, Bordeaux e Lyon fizeram apresentações tímidas diante de Grenoble e Lorient, respectivamente. Os dois líderes fizeram o mínimo para garantir uma vitória por 1 a 0em casa, suficiente para mantê-los na ponta e sem sofrer maiores danos para a competição continental. O Olympique de Marselha também se deu bem ao bater o Le Mans por 2 a 1 na casa do adversário e segue rondando os dois rivais.
O fato de encarar o lanterna da Ligue 1 no Chaban-Delmas, onde já havia marcado oito gols em seus jogos anteriores, deixou o Bordeaux em situação um pouco cômoda. Com Gouffran no lugar de Chamakh como parceiro de ataque de Cavenaghi, os girondinos praticamente não incomodaram o Grenoble nos primeiros minutos. O gol da vitória dos Marine et Blanc saiu na primeira ação ofensiva dos donos da casa, que progressivamente tomaram as rédeas do duelo.
Embora tivesse o jogo nas mãos, o Bordeaux nitidamente economizou seus esforços. O GF 38 ajudou o time da casa a se poupar, pois mostrou extrema fragilidade ofensiva – como se atestou com a incrível chance perdida por Dieuze com o gol aberto. Mesmo com uma atuação sem convencer o torcedor mais exigente, os girondinos souberam se aproveitar de um rival que até agora não somou um ponto sequer na Ligue 1.
Também sem brilhar, o Lyon recebeu o Lorient e também ganhou por 1 a 0. Ao contrário do Bordeaux, o OL se deparou comum nível de dificuldade maior com seu rival em Gerland. A ausência de Lisandro López deixou os lioneses sem sua principal referência ofensiva, o que serve de alerta para a mesma dependência vista na temporada passada com relação a Benzema. Os Merlus pressionaram com qualidade, com um bloco defensivo bem montado, compacto e velocidade para atacar.
Na maior parte do jogo, o Lyon se limitou a arriscar alguns chutes de longa distância, enquanto os visitantes dificultavam a saída de bola com uma marcação forte ainda no setor defensivo dos anfitriões. Contra a parede do Lorient, Claude Puel arriscou ao colocar Govou em campo. E foi dele o cruzamento que resultou no gol de Michel Bastos. Contudo, seria injusto deixar de destacar a atuação de Lloris, cujas defesas salvaram o OL de um resultado muito pior.
O treinador ainda corrigiu uma falha na escalação ao substituir o jovem Gonalons por Toulalan, poupado. Revelado nas categorias de base do OL, o garoto de 20 anos deixou muitos espaços abertos no meio-campo, o que facilitou a pressão exercida pelo Lorient. Teria sido melhor deixá-lo no banco e aí sim colocá-lo para jogar durante a partida, para não correr risco de queimá-lo.
Enquanto isso, o Paris Saint-Germain lamentou os últimos minutos do duelo contra o Monaco, em sua primeira derrota na Ligue 1. Sem inspiração ofensiva, o PSG sofreu diante de um adversário que ainda procurava encaixar seus reforços de última hora. A derrota para o time monegasco deixou evidente que Sessegnon precisa controlar seus nervos. A entrada estúpida em Adriano no fim do jogo motivou a expulsão de um dos jogadores mais importantes para o clube da capital, que agora se vê privado de um de seus principais elementos para o complicado duelo contra o Lyon.
Pela primeira vez na Ligue 1, o Olympique de Marselha conseguiu derrotar o Le Mans fora de casa. Grande parte deste triunfo se deveu ao bom entendimento entre Brandão e Niang no ataque. O único porém foi a demora de Didier Deschamps para substituir Lucho González, ainda fora de seu melhor ritmo de jogo para a entrada de Valbuena. Eeembora tenha recorrido às bolas paradas para chegar à vitória, o Olympique teve uma atuação sólida, capaz de deixar os líderes de sobreaviso.


