PSG vai adotar azul da família real do Catar no escudo
O Paris Saint-Germain pode mudar o seu escudo nos próximos meses. A notícia já vinha circulando como um boato na França desde dezembro, mas ganhou ares oficiais com as declarações do diretor esportivo, o brasileiro Leonardo, defendendo as mudanças no símbolo do clube, uma das coisas mais sagradas para um time de futebol. As justificativas fazem sentido para quase tudo, menos uma: a mudança do azul do logo, de um tom mais escudo para um mais claro. Tudo por uma razão: o azul mais claro é a cor da família real do Catar. E aí que está a controvérsia.
O jornal Le Parisien noticiou que a mudança estava sendo estudada e divulgou aquele que seria o projeto do novo escudo que mais agradou. A ideia do novo escudo será privilegiar a ligação do clube com a cidade de Paris, dando menos importância a Saint-Germain. E isso fica claro nas mudanças propostas no novo escudo.

Nele se vê que o berço que ficava embaixo da Torre Eiffel foi retirado. O berço representa o nascimento de Luís XIV em Saint-Germain. É bom lembrar que o Paris Saint-Germain surgiu da fusão entre o Paris FC e o Stade Saint-Germain, que ficava na cidade de Saint-Germain-em-Laye. Além disso, o ano de fundação do clube, 1970, seria retirado da parte de baixo do escudo. O nome seria dividido: Paris ficaria em cima e Saint-Germain embaixo, menor. A torre Eiffel ganharia mais destaque com a transformação do desenho do momumento em algo 3D.
O mais polêmico, porém, é a mudança do tom de azul. O escudo do PSG é azul escuro, cor que é também da bandeira da França. Aliás, as cores do time são inspiradas no símbolo nacional francês: além do azul escuro, o branco e o vermelho também fazem parte da cor oficial. Só que no novo escudo, o azul deixaria de ser parecido com o azul da bandeira para ser um tom mais claro, que lembra a cor do maior rival do PSG, o Olympique de Marseille. Essa mudança, em particular, não tem qualquer justificativa. Mas há uma explicação.
A cor da família real do Catar é azul claro e já apareceu envolvido em confusão, como o episódio que membros da família real estacionaram seus carros em um local proibido em frente à loja comprada pela família. A cor dos carros? Azul claro, a cor da família real novamente. Parece que há uma certa obsessão por ela.
O dinheiro da Qatar Investment Authority fez o Paris Saint-Germain mudar de patamar e tornar-se um time poderoso na Europa. Ainda não fez a equipe voltar a ganhar o título francês – o que se espera que aconteça nesta temporada –, mas já contratou grandes jogadores, como Thiago Silva e Zlatan Ibrahimovic, além do brasileiro Lucas, mais recentemente. Todos jogadores caros e de nível internacional. Só que toda essa força em campo começa a cobrar um preço fora dele.
Mudar o escudo de um time é sempre algo que causa controvérsia, mas a verdade é que a maioria dos clubes passou por esse processo. O próprio Paris Saint-Germain já viu seu logo se transformar ao longo do tempo. Veja todos os escudos que o clube já usou desde a sua criação, em 1970:

A questão aqui é menos pelas mudanças, que até fazem sentido. Vincular o time de forma mais intensa à cidade que é a mais visitada do mundo, de forma a tornar o clube um símbolo disso, é uma atitude inteligente. O problema é mexer com o tom da camisa, algo que tem a ver com a identidade do time. E ainda pior quando se trata de mudar para o tom que é o do seu maior rival.
“O respeito [pela história] está ali”, disse Leonardo, que defendeu o clube nos anos 1990 e é um dos principais dirigentes do clube, atuando como diretor esportivo. “Nós não decidimos mudar o logo do clube porque não concordamos com a história. O PSG já mudou cinco vezes [o escudo], grandes clubes já mudaram dez vezes”, afirmou o dirigente. “É um erro que vem por causa do dinheiro e do poder que temos. Eu estou aqui pela história do clube”.
É de se imaginar que os torcedores do Paris Saint-Germain estejam empolgados com as contratações milionárias do time e a força que ele ganhou desde que a Qatari Sports Investment assumiu o comando, em junho de 2011. Mas a questão é: o quanto vale mudar o tom do azul do time, algo tão tradicional? Talvez nem todo o dinheiro da família real do Catar seja suficiente para pagar por isso.


