Paris Saint-Germain se deita no berço da soberba
Era para ser a confirmação da vaga antecipada para as oitavas de final da Liga dos Campeões, mas o Paris Saint-Germain frustrou sua torcida no Parc des Princes. A goleada por 5 a 0 sobre o Anderlecht na Bélgica deixou no ar a impressão de um passeio na capital francesa, mas o que se viu foi um PSG preguiçoso. Ciente de que poderia derrotar o adversário sem se esforçar muito, o time da capital deitou no berço da soberba e quase foi sufocado.
Obviamente, o tropeço diante do campeão belga não comprometerá a classificação dos parisienses, mas serve como um alerta. A Champions não permite momentos de fraqueza, ainda mais para uma equipe cujo sonho de se firmar entre as grandes do continente se tornou uma obsessão. O relaxamento de um time que se acostumou a um festival ofensivo em suas últimas partidas deve ser encarado como um recado discreto, mas valioso.
O Anderlecht mudou muito com relação ao time que foi humilhado em Bruxelas. Apostou em uma formação defensiva, com intensa marcação sob pressão no campo dos donos da casa. O PSG, que não contou com o lesionado Cavani, ficou em dificuldades para sair deste ambiente desfavorável. Colocados contra as cordas e com preguiça de reagir, os parisienses penaram para encontrar seu melhor ritmo.
O PSG teve quase 70% da posse de bola contra o Anderlecht, com quase 700 trocas de passes corretas durante a partida – cerca de três vezes mais do que a equipe belga. O que faltou para um novo triunfo, e não estamos falando de uma goleada retumbante, foi aquele élan vencedor. Matuidi e Verratti pouco se empenharam para funcionar como elementos surpresa. Maxwell pouco ajudou na lateral esquerda, com uma atuação burocrática e de deficiente auxílio ao ataque.
Quando tem a chance de mostrar serviço, Lucas mais uma vez decepciona. Embora tenha se destacado na goleada por 4 a 0 sobre o Lorient, o brasileiro mantém a rotina de oscilar muito em suas apresentações. O ex-são-paulino alternou bons dribles com chutes imprecisos, além de ter um dos piores aproveitamentos de passe entre os titulares: 77% (apenas melhor do que o de Lavezzi e Ibrahimovic, ambos com 71%).
Laurent Blanc também tem uma parcela de culpa considerável neste resultado. O 4-3-3 montado pelo treinador foi engolido pelo Anderlecht, uma vez que John van den Brom, técnico dos Mauves, soube anular os avanços dos laterais Maxwell e Van der Wiel. O ex-capitão dos Bleus demorou muito para perceber que deveria mexer na equipe para se desvencilhar do eficiente bloqueio dos belgas. Quando finalmente decidiu alterar o time, nada fez de útil para melhorá-lo.
Aos 17 minutos do segundo tempo, Blanc mandou Thiago Silva para o campo, no lugar de Marquinhos. Até então, o jovem zagueiro estava muito bem e dava conta do recado. Ao trocar seis por meia dúzia, o treinador perdeu uma oportunidade clara para mudar o rumo da situação. Seis minutos depois, sal o gol do Anderlecht. A resposta do PSG tardou apenas dois minutos, com o empate vindo de Ibrahimovic.
Só então Blanc se lembrou de que o PSG se classificaria se vencesse a partida. Por isso, mudou o time para um 4-4-2, com as entradas de Pastore e Ménez nos lugares de Lavezzi e Verratti, respectivamente. Querer jogar em 15 minutos o que deveria ter feito nos outros 75 minutos soa quase como uma ofensa. Que o tropeço sirva como uma lição aos parisienses de que eles devem encarar seus compromissos com seriedade, sem se escorar no frágil pilar de uma superioridade que ainda precisa de comprovação real diante de adversários de maior calibre.
Surpresa na Ligue 1
O ataque milionário do Monaco parou na defesa do Lille. Com um sistema defensivo sólido, o LOSC impôs ao time do principado sua primeira derrota nesta edição da Ligue 1 e assumiu a vice-liderança do torneio. Surpresa? Nem tanto, se levarmos em consideração a excelência demonstrada pelos Dogues até o momento na hora de combater e marcar seus adversários com precisão.
Já são sete jogos consecutivos sem sofrer gols. A defesa do Lille ostenta números excelentes nesta temporada: em doze jogos já disputados na Ligue 1, o LOSC só buscou a bola no fundo das redes em apenas dois deles: nas derrotas para o Stade Reims (2 a 1 ) e Nice (2 a 0). Apenas o PSG (segunda defesa menos vazada, com sete gols sofridos) se aproxima do desempenho dos Dogues.
Diante do Monaco, a dupla da zaga formada por Kjaer e Basa teve trabalho para conter Falcao Garcia, mas se saiu muito bem. A segurança transmitida pelos dois se completa com as atuações inspiradas de Enyeama. O goleiro nigeriano simplesmente fechou o gol contra os monegascos. O mérito para a quase inviolabilidade da defesa do LOSC até o momento também deve ser dividido com seu meio-campo.
O Monaco, mesmo com James Rodríguez e João Moutinho, foi anulado por Gueye, Mavuba e Balmont. O ASM só teve alguns lampejos durante meia hora de jogo. No restante do tempo, os visitantes sucumbiram diante de um meio-campo do Lille mais agressivo e exercendo intensa pressão.
Já o Stade Reims viveu uma semana dos sonhos. Primeiro, bateu dois fortes concorrentes na sequência. Na Ligue 1, venceu o Olympique de Marselha por 3 a 2 em pleno Vélodrome. Em seguida, eliminou o Monaco da Copa da Liga Francesa com um triunfo por 1 a 0. Para completar, recebeu o Bastia, ganhou por 4 a 2 e agora o time aparece na sexta posição do Francês. Para uma equipe cujo objetivo inicial era lutar para permanecer na elite, dá para sonhar com algo mais ambicioso, muito embora todos no clube mantenham os pés firmes no chão.
E a primeira experiência de Fabrizio Ravanelli como treinador profissional chegou ao fim. O italiano não resistiu à fraca exibição do Ajaccio diante do Valenciennes, rival direto na briga contra o rebaixamento, e perdeu por 3 a 1 em casa. A situação do técnico já estava por um fio, uma vez que o ACA havia vencido apenas uma partida na Ligue 1. Vencer o VA era uma questão primordial, já que o time chegaria aos mesmos dez pontos do Lorient, o primeiro time fora da zona da degola.
O Penna Bianca causou controvérsia com seus métodos de preparação, baseados no uso maciço de complementos alimentares. Dentro de campo, porém, os resultados foram bem fracos, com oito derrotas e apenas oito gols marcados (o pior ataque da Ligue 1). A demissão de Ravanelli apenas confirma a frágil posição do Ajaccio dentro do contexto da elite do futebol francês.
A classificação média do ACA em doze participações na primeira divisão atesta seu status de time que sempre luta para não cair: 15º. Somados critérios como títulos e orçamento, a modéstia sempre dominaram o clube corso. Além disso, o Ajaccio se consolidou (de forma negativa, claro) como uma das equipes com o banco mais ‘quente’: em sete temporadas na Ligue 1 (incluindo a atual), apenas dois treinadores completaram as 38 rodadas: Dominique Bijotat (2003/04, 15º colocado) e Olivier Pantaloni (2011/12, 16º).
Christian Bracconi, que comandava as categorias de base do ajaccio, assumiu o cargo de forma interina. Ele terá sete jogos para mostrar serviço e tentar estancar a sangria de um time que não está à altura da Ligue 1. A diretoria promete buscar um novo treinador durante a pausa de inverno, mas desde já os corsos deveriam economizar tempo e adiantar a preparação para a disputa da Ligue 2 em 2014/15.


