França

PSG: O último que sair…

A permanência do Paris Saint-Germain na Ligue 1 fica a cada dia ainda mais comprometida. Como se as seguidas derrotas dentro de campo já não bastassem, o ambiente nos bastidores apodreceu de vez. Após a derrota por 3 a 0 para o Caen, o presidente Alan Cayzac afirmou que continuaria no cargo até o final da temporada. Era um blefe. No dia seguinte, o presidente recolhia suas coisas em seu escritório e anunciou sua saída do cargo.

No domingo à noite, Cayzac se reuniu com Sébastien Bazin, acionista majoritário do PSG, e o treinador Paul Le Guen para discutir sobre a atual situação da equipe. A necessidade de uma mudança na estrutura do clube forçou a diretoria a nomear Michel Moulin, diretor geral do grupo Hersant Médias e vice-presidente do conselho de fiscalização do jornal Paru Vendu, como conselheiro esportivo, em uma atitude que desagradou ao então presidente.

Com a obrigação de trabalhar com alguém que nem lhe sobe nem desce, Cayzac, preferiu jogar a toalha e pular ao mar antes que o barco do PSG naufrague. Moulin pelo menos não é um aventureiro qualquer no mundo do futebol. Conhecido do treinador Luis Fernandez, ele passou pelo Istres quando o clube subiu para a primeira divisão e ficou pouco tempo no Red Star. Seu nome também esteve no meio de possíveis interessados em administrar o Nantes em 2007.

Cayzac estava no cargo desde junho de 2006, quando assumiu no lugar de Pierre Blayau. “Não sou um fugitivo, nem pedi demissão por estar com medo. Propus permanecer se o time caísse e sair se o PSG ficar na Ligue 1. Pequei por excesso de otimismo. Deveria ter pedido demissão mais cedo”, disse em sua despedida. Difícil é acreditar como ele manteve os pensamentos positivos em um time com Ceará, Souza, Landreau em péssima fase… Ou então cogitar José Mourinho como possível salvador da pátria, em uma tentativa desesperada (para não dizer cega) de salvação.

Agora, Moulin trabalhará ao lado de Le Guen, confirmado para os quatro jogos decisivos no restante da Ligue 1. Difícil será administrar um elenco rachado, mais preocupado em definir o valor dos prêmios em caso de permanência na Ligue 1. Em um momento no qual todos os esforços deveriam se concentrar dentro de campo para conquistar o maior número possível de pontos, discutir sobre dinheiro soa no mínimo como falta de compromisso e desrespeito aos torcedores.

Tal clima reflete na torcida, cada vez mais desesperada com os rumos do clube. Alguns fãs do PSG também insistem em não colaborar e piorar ainda mais a situação. A invasão do Camp des Loges provou como tudo caminha para a desgraça. Há uma fossa abissal entre protestar e exigir mudanças e partir para a violência. Exceto Pauleta e Alonzo, os demais membros do elenco e o treinador foram hostilizados. Sobrou para os carros dos atletas e para a polícia, que até usou um helicóptero para conter os revoltosos, que pediam o retorno de Fernandez, ex-técnico da equipe.

Para o lugar de Cayzac, o PSG confirmou o nome de Simon Tahar como novo presidente do clube. Ele já trabalhou como advogado e administrador do clube da capital. Além disso, participou do desenvolvimento da ‘Associação PSG’, da qual era o presidente até sua nomeação. O Paris Saint-Germain não informou se Tahar ocupará o cargo de forma interina ou definitiva. Aliás, o próprio anúncio mostra como andam as coisas no clube. Primeiro, divulgou-se que haveria uma apresentação oficial, na qual Tahar leria um comunicado e não responderia às perguntas dos jornalistas presentes. Uma hora antes do início, o evento foi cancelado, sem maiores explicações.

Em meio a tantos problemas extracampo, o PSG ainda conta com um elenco frágil, com as esperanças concentradas apenas em Pauleta. Quando o atacante português não está inspirado, dificilmente algum outro herói aparece para carregar a responsabilidade. Como se faz necessária a presença de um mínimo de concentração para uma tarefa tão complicada como a permanência na Ligue 1, o time da capital está em desvantagem em relação aos seus adversários. As chances de se repetir o fiasco do Nantes aumentam a cada instante.

Última vaga em aberto

Quando o Olympique de Marselha parece engrenar e se fortalecer na disputa pela terceira e última vaga para a Liga dos Campeões, o time refuga. Em pleno Vélodrome, o OM foi derrotado pelo Lille por 3 a 1 e acabou ultrapassado pelo Nancy, que amargou um empate por 1 a 1 com o Le Mans em casa. Mesmo com o tropeço, o ASNL ultrapassou os marselheses na tabela e agora está em terceiro lugar, em briga mas intensa do que pelo título da Ligue 1.

O LOSC, após um início pouco animador no torneio, entrou nos eixos e passa por um momento razoável. Invictos desde o começo de dezembro, os comandados de Claude Puel ainda alimentam o sonho de se classificar para alguma competição européia. Dispostos a fazer valer seu objetivo, os visitantes anularam o meio-campo rival com uma sólida marcação. O trio formado por Cabaye, Mavuba e Makoun conseguiu parar o ponto forte dos donos da casa: a rápida ligação para o ataque.

Nasri e Niang, por exemplo, foram obrigados a buscar jogadas individuais para tentar criar algum lance de perigo. Com Cheyrou pouco inspirado, Cissé pouco poderia fazer diante de um sistema defensivo bastante aplicado. Embora o senegalês tenha aberto o placar, logo o OM sucumbiu diante da pressão rival. Com a adoção de uma perigosa estratégia de esperar os contra-ataques, os anfitriões se acovardaram. Sem se desvencilhar da armadilha do meio-campo, o Olympique não teve forças para corrigir sua própria falha.

Logo em um momento no qual não poderia falhar, o OM sentiu as dificuldades de atuar diante de sua torcida, revivendo os melhores tempos da ‘síndrome do Vélodrome’. A derrota para o LOSC deixou um aviso bem claro: embora a equipe conte com um meio-campo de qualidade, um mínimo de esforço se faz desejável nestes momentos de decisão. Niang, vice-artilheiro da Ligue 1 com 16 gols, não ganha partidas sozinho. Para fazer alguma coisa de útil, Cissé depende da disposição de Nasri, Cheyrou e Akalé para criar jogadas.

Enquanto o OM tropeça em seus próprios equívocos, o Nancy faz sua parte, mesmo sem grande brilho. Em uma das raras ocasiões nas quais deixou o pódio do campeonato, o ASNL precisava de uma grande atuação para se fortalecer na disputa contra os marselheses. Havia grande expectativa por parte dos torcedores, pois o time vinha de cinco vitórias seguidas em casa, enquanto os visitantes, em posição intermediária, contavam com alguns desfalques importantes. Por isso, o gosto de frustração com um desempenho apático e um empate sem graça.

Da mesma forma como o Lille, o Le Mans adiantou sua marcação para sufocar o Nancy e foi muito bem sucedido. Yebda e Le Tallec foram um perigo constante para a defesa dos anfitriões, incapazes de reação durante quase uma hora de jogo. Depois de abrir o placar, o MUC 72 ainda perdeu duas chances preciosas para matar o duelo, mas Sessegnon as desperdiçou quando apareceu cara a cara com Bracigliano. O Nancy só despertou da letargia quando estava atrás no placar, quase muito tarde para buscar o empate.

Com duas equipes com dificuldades pontuais para definir a situação a seu favor, a disputa pelo terceiro lugar da Ligue 1 promete novos capítulos interessantes. Olympique de Marselha e Nancy devem chamar a atenção não pela qualidade de seu estilo de jogo atual, mas sim pela disputa para ver quem tem a maior capacidade de entregar o ouro para o inimigo.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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