De gastador a formador: PSG troca cheques por base e (enfim) consolida identidade francesa
Após anos de grandes gastos e estrelas internacionais, PSG passa a apostar na juventude da base para manter seu nível competitivo
O Paris Saint-Germain começou a temporada 2025/26 com um movimento incomum para os padrões do clube nos últimos anos: gasto equilibrado no mercado de transferências.
Acostumado a abrir os cofres para repor peças ou buscar novas estrelas, o atual campeão europeu, dessa vez, optou por contratações pontuais — Illya Zabarnyi (zagueiro) e Lucas Chevalier (goleiro) — e preferiu apostar na manutenção do elenco, sobretudo no amadurecimento de jovens formados e lapidados em sua base.
E pode-se dizer que, até aqui, tal decisão tem encontrado respaldo dentro de campo.
Lesões de titulares importantes, como Ousmane Dembélé, recém-eleito melhor do mundo, e Désiré Doué, poderiam ter criado um vazio preocupante. No entanto, o pânico não tomou conta do Parque dos Príncipes. Pelo contrário.
Jogadores como Senny Mayulu e Ibrahim Mbaye, além de Warren Zaire-Emery, que já vem se destacando há algumas temporadas, não só preencheram as lacunas deixadas pelas lesões, bem como trouxeram novas dinâmicas ao time de Luis Enrique.
Um PSG mais francês

Destaque na vitória por 2 a 1 sobre o Barcelona, na última quarta-feira (1), pela Champions League, o versátil Mayulu tem se mostrado cada vez mais maduro nos jogos. Mbaye, por sua vez, oferece velocidade e ousadia pela ponta-direita, enquanto Zaire-Emery consolida-se como motor do meio-campo.
Juntos, os jovens têm permitido ao PSG sustentar o alto nível competitivo mesmo sem algumas de suas maiores estrelas.
Mais do que soluções imediatas, eles também simbolizam uma mudança de identidade no clube. Se em outros tempos o vestiário parisiense era criticado por falar mais espanhol do que francês, hoje a realidade é diferente.
Kylian Mbappé, hoje no Real Madrid, acabou se tornando a face de um projeto mais francês depois das saídas de Neymar e Messi. Mas foi somente na última temporada, já sem o astro, que essa ideia começou a dar frutos de maneira consistente, com a conquista da tríplice coroa — Champions League, Ligue 1 e Copa da França.
Agora, com Mayulu, Mbaye, Zaire-Emery e outros jovens ganhando espaço, o Paris dá passos concretos para consolidar uma identidade própria, menos dependente de estrelas estrangeiras e mais ligada à formação local.
O campeão europeu de 2024/25 provou que seu sucesso não depende apenas dos nomes mais caros do futebol mundial. Na atual temporada, a força do PSG reside na juventude e no talento de uma geração que já mostra que pode carregar o piano em momentos de pressão.
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Mayulu, Mbaye, Zaire-Emery: o que cada um oferece a Luis Enrique?
Mayulu

A grande virtude de Senny Mayulu é a versatilidade. Meio-campista de origem, foi utilizado assim na vitória sobre o Auxerre, mas também tem atuado como falso nove ou atacante central, como ocorreu diante do Barcelona. Ainda que não seja um finalizador nato e não ofereça a mesma presença de área de um centroavante, sua inteligência tática e a facilidade de associação com o trio de meio-campo e os pontas tornam-no uma peça valiosa nas mãos de Luis Enrique.
Ambidestro e com boa estatura, Mayulu amplia as possibilidades ofensivas do PSG. Ele se movimenta com naturalidade entre as linhas, participa da construção e confere fluidez ao jogo, servindo tanto como apoio para quem vem de trás quanto como alternativa para abrir espaços. Essa capacidade de ocupar diferentes funções no ataque faz dele um recurso estratégico importante.
— Mayulu é muito bom, vocês o conhecem agora. Ele tem muitas qualidades: chuta com os dois pés, joga por dentro ou por fora… Tenho muita sorte — disse Luis Enrique após a vitória do PSG sobre o Barcelona.
Mbaye

Ibrahim Mbaye tem se destacado como opção de velocidade e desequilíbrio pelas extremidades. O jovem ponta não tem ainda o mesmo repertório de dribles de Dembélé, mas compensa com intensidade e coragem para enfrentar os defensores no um contra um. Sua capacidade de atacar os espaços em velocidade e esticar o campo oferece ao PSG uma profundidade essencial, sobretudo em partidas de transição rápida.
Além da explosão física, Mbaye demonstra maturidade em sua movimentação ofensiva. Ele se posiciona bem para receber passes em diagonais e tem mostrado evolução no entendimento coletivo, associando-se com laterais e meio-campistas para criar superioridade numérica.
Ainda em busca de seu primeiro gol na temporada, o atacante já se coloca como alternativa real para manter o setor direito competitivo, provando que não está em campo como um simples “tapa buraco”. Ele deseja se consolidar como parte da rotação ofensiva de Luis Enrique.
Zaire-Emery

Zaire-Emery representa a combinação entre maturidade precoce e consistência em alto nível. Com apenas 19 anos, idade de Mayulu, o camisa 33, desde a temporada 2023/24, é o motor do meio-campo parisiense, capaz de dar equilíbrio às duas fases do jogo.
Sua leitura tática permite ajustar a equipe tanto na pressão alta quanto na recomposição defensiva, enquanto a força física e a qualidade no passe garantem intensidade e segurança na circulação da bola. Zaire-Emery consolidou-se como um pilar no esquema de Luis Enrique. É ele quem dita o ritmo do time e aparece como opção constante de apoio.


