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PSG está tentando derrubar clipe de M.I.A. por causa de uma camisa

A cantora britãnica M.I.A. lançou em novembro de 2015 o clipe para sua música Borders. Com a crise migratória europeia em seu momento mais delicado, o assunto tomou a temática do vídeo, com a cantora posicionando-se ao lado dos refugiados. Em parte do clipe, a artista veste a camisa do Paris Saint-Germain, com o patrocínio da Fly Emirates alterado para passar uma mensagem política: “Voem, Piratas”. Um mês depois, o clube acionou a rapper na Justiça para que o vídeo seja derrubado da internet, fato compartilhado nesta segunda-feira pela cantora.

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M.I.A. publicou um comunicado escrito por Jean Claude Blanc, vice-CEO do Paris Saint-Germain, e enviado à Universal Music, gravadora que representa a cantora, exigindo a retirada do vídeo da internet “dentro de 24h”, no dia 21 de dezembro. “Mais do que surpresos, simplesmente não entendemos por que somos associados, através de nosso logo e da camisa oficial de nosso time, a tal denúncia. Essa associação é ainda mais difícil de se entender por nenhuma de nossas atividades ou iniciativas diárias sugerirem que temos algo a ver com os problemas destacados por MIA”, dizia trecho da mensagem.

A cantora explicou-se na rede social, afirmando que “Borders saiu no dia da cerimônia do Paris Memorial Day, em homenagem às vítimas do ataque em Paris. Ter a Torre Eiffel em minha camisa era apoio, eu achei”. Em outras publicações, a britânica, nascida no Sri Lanka, simplesmente brinca com o fato de que um clube a acionou na Justiça e com a sua relação de “amor e ódio” com esportes.

Paris é uma cidade marcada pela migração de pessoas de fora da Europa, e ainda era o momento em que a Europa lamentava os atentados de Paris e em que o debate sobre migração tomava um rumo extremo. É compreensível o uso da camisa pela cantora no clipe. Em sua carta para a Universal, o PSG fala de seu próprio papel de apoio aos refugiados, destacando doações a instituições, o que nos faz pensar que o único motivo para a notificação judicial foi a alteração no patrocinador. Um motivo mesquinho diante do significado buscado pela cantora em seu clipe (e que, de quebra, associava a imagem do clube a uma questão humanitária). Será que vale a pena atrair tamanha má publicidade apenas para “preservar” a imagem do patrocinador?

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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