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Presidente da França critica inteligência dos jogadores: “Deveriam malhar o cérebro”

François Hollande, chefe de Estado da França há mais de quatro anos, é declaradamente um apaixonado por futebol. Assim como seu antecessor Nicolas Sarkozy, inclusive. Em 2012, quando ambos estavam concorrendo ao cargo da presidência, alguns portais de notícia franceses chegaram a colocar o atual presidente como torcedor do Monaco, embora a informação nunca tenha saído de sua boca de forma pública. Mas, apesar disso, ele está sempre envolvido em assuntos relacionados ao esporte, já que é algo que o interessa. Um pensamento de Hollande recentemente compartilhado, no entanto, dá a impressão de que ele tem muitas críticas entaladas em relação aos jogadores de futebol de seu país.

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“Eles [os jogadores de futebol] passam de crianças sem uma boa educação para estrelas cheias de dinheiro sem preparação. Eles não são preparados psicologicamente para saber o que é certo e o que é errado”, afirmou o presidente, de acordo com uma passagem do livro “Un président ne devrait pas dire ça…” [Um presidente não deveria dizer isso…]. Ainda segundo a obra dos jornalistas Gérard Davet e Fabrice Lhomme, Hollande teria sugerido que a Federação de Futebol da França trabalhasse educação teórica com os atletas, em vez da física e prática, que envolve o esporte que eles praticam.  “Em vez da federação ceder treinamentos aos atletas, deveria dar aulas. Aulas para eles malharem o cérebro”.

O excerto foi publicado esta semana, antes mesmo do lançamento do livro. E não demorou muito para que Emmanuel Petit, campeão da Copa do Mundo de 1998 e da Eurocopa de 2000 com a França, rebatesse a opinião do chefe de Estado francês. “As palavras de Hollande me decepcionam, mas não me surpreendem. Nós atletas por muito tempo fomos menosprezados por nossos ‘queridos’ governantes”, disse o ex-jogador à RMC Sport, ironizando depois:  “Eu daria aulas de como treinar o cérebro aos jogadores, e ainda consideraria ensinar política a eles. Especialmente honestidade intelectual. Honestidade e ponto final”.

“Seria bom se essas pessoas descessem de seus pedestais e se encontrassem com o povo francês. Nós jogadores não temos todas as respostas. Não nascemos com todo o conhecimento do mundo”, falou ainda o ex-meia. “Mas nós que geramos nossa própria riqueza. Ao contrário dos políticos, que vivem as custas do dinheiro dos cidadãos. É isto que nos diferencia de vocês: nós não roubamos dinheiro do povo. Nós ganhamos nosso dinheiro de forma honesta”, finalizou, mostrando que tomou as dores dos jogadores em atividade e não deixaria passarem batidas as considerações um tanto polêmicas do presidente.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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