Preparação promissora

A França faz uma contagem regressiva para a decisiva partida contra a Itália, em setembro, pelas eliminatórias da Eurocopa-08. No teste contra a Eslováquia, os Bleus tiveram a certeza de que seu ataque passou por uma evolução. Com a dupla formada por Henry e Anelka, a seleção viu uma maior fluidez neste setor, algo que não ocorria com tanta freqüência. Um sinal de alento às vésperas de momentos tão importantes para as futuras pretensões da equipe.
Domenech tinha a opção de escalar Samir Nasri ou Nicolas Anelka para o setor ofensivo dos Bleus. O técnico fez a segunda opção e não se arrependeu de sua escolha. O jogador do Bolton mostrou-se complementar ao estilo de Thierry Henry e isso trouxe enormes benefícios ao time. O atacante do Barcelona sofreu com seus antigos companheiros de ataque, que insistiam em ocupar os mesmos espaços no campo.
A dupla Anelka e Henry provou ter um bom entendimento. Além do senso de colocação, os dois se dispunham em campo de forma a um ajudar o outro, com um grande senso de organização. Claro, Henry ainda precisa ganhar ritmo de jogo após se recuperar de um problema físico, mas logo ele baterá o recorde de Michel Platini (ele tem 40 gols com a camisa dos Bleus, um a menos do que o atual presidente da Uefa).
Para completar o bom entendimento entre os dois, caberia a Nasri e Ribéry a função de armar a equipe, como se cansaram de fazer no Olympique de Marselha. Com esse quarteto ofensivo de qualidade, os Bleus ganham em velocidade, inteligência e criatividade. Se contarmos com as presenças de Patrick Vieira e Claude Makélélé na proteção à zaga/marcação, teremos uma excelente formação.
Caso resolva manter essa estratégia, Domenech adotaria de vez o 4-4-2 e deixaria de lado outras opções, como o 4-3-3 à lionesa ou um 4-2-3-1 bastante utilizado há algum tempo. Não que esses esquemas tenham se tornado obsoletos e mereçam ir para a lata do lixo. O amistoso contra a Eslováquia serviu como um teste exatamente para se analisar novas possibilidades, e os dois atacantes ‘natos’ se deram muito melhor do que se tivessem que atuar isolados ou com um deles recuado para o setor de armação.
Na própria Copa do Mundo, a França sentiu os efeitos de depender exclusivamente de um atacante. Por mais que Zidane trabalhasse, Ribéry e Malouda abrissem espaços pelas pontas, Henry se sentia solitário demais – tanto que até cobrou a presença de alguém mais próximo a ele para aumentar o poder de fogo da equipe. Além de tornar o jogo menos previsível e facilitar a marcação adversária, a qualidade das finalizações aumenta consideravelmente.
As ressalvas ficam por conta da defesa. Enquanto a equipe principal demonstrou equilíbrio mesmo com tantos desfalques, o time reserva bateu cabeça na derrota por 1 a 0 para os mesmos eslovacos. Um sinal de que Jean-Alain Boumsoung, com uma marcação falha no lance do gol adversário, está um degrau abaixo. Mais grave: as opções de Domenech para o setor não tem a mesma abundância do que em outros. Está aceso o sinal de alerta.
Decepções
Iniciada a Ligue 1, o Paris Saint-Germain deu sinais nas primeiras rodadas de que ainda não acordou direito do pesadelo vivido na temporada passada. Em quatro rodadas, a equipe colecionou três empates sem gols e uma derrota por 3 a 1 para o Lorient . Além da série de resultados negativos, chama a atenção a falta de poder ofensivo da equipes, mesmo tendo em seu elenco jogadores como Pauleta, Luyindula, Diané, Frau e Rothen.
Juntos, os cinco marcaram 287 gols no campeonato. O que acontece então para emperrar o sistema ofensivo do time? Para os jogos fora de casa, o treinador Paul Le Guen tem deixado Pauleta no banco. Contra o Metz, por exemplo, ele preferiu montar a dupla de ataque com Luyindula e Diané. Embora sejam dois jogadores de boa qualidade, de nada adianta associá-los se não houver quem lhes forneça bons passes e sirva para pensar o jogo de forma organizada.
Por enquanto, tal papel cabe a Pierre Alain Frau, mas ele provou ser apenas mediano, sem conseguir ultrapassar o nível já atingido por ele. Uma resposta nada animadora. Loris Arnaud poderia ser uma opção, mas seus 20 anos e sua inexperiência contam de forma negativa neste momento no qual se exige um pouco mais de preparo para carregar um time nas costas.
Sem ter alguém para armar o jogo com qualidade, as oportunidades naturalmente diminuem. Pauleta sente isso quando está em campo. Para piorar, a Águia dos Açores não faz mais questão de esconder seu descontentamento por ficar no banco partida sim, partida não. Embora Le Guen saiba que esse tratamento é o melhor para o português manter um bom nível de atuações, o treinador precisará de muita conversa para convencer um de seus principais jogadores a ficar no clube. Uma eventual saída do atacante apenas contribuiria para deixar o ambiente tenso – e isso antes de se completar nem 1/4 do campeonato.
Por falar em decepções, Olympique de Marselha e Lyon até agora não mostraram a que vieram na temporada. O OM parece reviver a ‘síndrome do Vélodrome’, que havia espantado em 2006/07. A partida contra o Nancy em casa foi um reflexo disso. Mesmo sem jogar bem, os marselheses abriram uma vantagem de 2 a 0 sobre uma equipe equilibrada e até então mais perigosa. Só que a vitória parcial serviu como um estímulo negativo para os anfitriões, que sentiram a pressão adversária.
Bastou o Nancy diminuir para o OM entrar em parafuso e se perder em campo. Um desequilíbrio emocional inexplicável e tremeram diante de um rival mais aplicado, sem ser brilhante. Como na temporada anterior, um erro defensivo custou caro ao Olympique. Taiwo, o calcanhar de Aquiles do time, mais uma vez falhou no lance que definiu o placar de 2 a 2. Um resultado que já coloca pressão sobre o elenco – algo com o qual os marselheses provaram inúmeras vezes ter dificuldade para lidar.
Já o Lyon se ressente de seus inúmeros problemas com lesões. Coupet, Cris, Müller, Govou, Fred… Tantas ausências geram uma queda de produtividade da equipe, mesmo com bons substitutos. Fica nítida a falta de sintonia de Fabio Grosso com seus novos companheiros de equipe. O italiano por vezes se esquece de suas tarefas defensivas, como em um dos dois gols sofridos pelo OL contra o Lorient. Enquanto não souber se organizar para se virar com tantas baixas, os lioneses patinarão na Ligue 1.


