França

Prêmio de consolação

A Copa da Liga nunca foi uma competição lá muito importante dentro do calendário. Muitas equipes, mais preocupadas com a disputa de torneios continentais, mandam a campo seus reservas para tirar o ‘estorvo’ de seu caminho de uma maneira digna. Outros se preocupam mais com suas situações no campeonato nacional e, da mesma foram, deixam para segundo plano a ‘prima pobre’. Uma ou outra equipe realmente entra para valer, e essa seriedade nasce no decorrer dos jogos. Nesta temporada, Paris Saint-Germain e Lens se encaixam nesta última definição. Classificados para a decisão, ambos almejam pelo menos se contentar com alguma migalha.

Tanto PSG como Lens cumprem campanhas nada animadoras na Ligue 1 e flertam com o rebaixamento. Para o clube da capital, as copas nacionais se transformaram na única chance de conquistar alguma coisa nas últimas temporadas. A falta de perspectivas na Ligue 1 fez com que o clube depositasse suas forças nas disputas dos mata-matas, um caminho bem menos árduo para a classificação para a Copa Uefa. Se a Liga dos Campeões parece um sonho distante da realidade, o outro torneio continental surge como uma grande oportunidade de se manter em evidência – e dar um pouco de satisfação a uma exigente torcida, que ainda não se acostumou com a idéia de ver o clube lutar por posições intermediárias.

O Lens, por sua vez, sentiu na pele outro fator determinante para seu futuro. A semifinal contra o Le Mans foi uma das partidas mais emocionantes da temporada. Os Sang et Or buscaram duas vezes o empate, viraram para 4 a 2, tomaram dois gols em pouco mais de três minutos e, graças a um gol na prorrogação, saíram de campo com o triunfo e, muito melhor, a alma lavada. Não há motivação melhor para um grupo de desempenho irregular do que uma vitória arrancada a fórceps na casa do inimigo. O time pode nem ser o campeão, mas recarregou suas energias para seus próximos confrontos na Ligue 1. Com o astral em alta, dá para se acreditar em seu próprio potencial para se afastar com segurança da zona do rebaixamento.

Para os Sang et Or, Keita ilustra muito bem o momento vivido pelo clube e indica como ele deve agir daqui para frente. Alguns dias antes do duelo contra o Le Mans, ele ficou de cama em um hospital devido a uma virose. Embora tivesse acabado de se recuperar, Keita demonstrou grande poder de reação e se multiplicou em campo. Simbolicamente, o gol decisivo no tempo extra se confunde com o próprio momento do Lens: um time em um momento ruim, mas com capacidade para superar suas próprias limitações e conquistar seus objetivos.

No PSG, esse ‘poder da superação’ recai sobre Mickaël Landreau. O goleiro passa por péssima fase, com os seguidos erros cometidos nas partidas contra Olympique de Marselha e Monaco na Ligue 1. Contra o Auxerre, na semifinal da Copa da Ligue, ele novamente entregou o ouro e quase estragou a vitória por 3 a 2. Mais uma vez, ele foi obrigado a conviver com a chuva de críticas por sua atuação, mas seus companheiros de equipe tomaram suas dores e manifestaram seu apoio ao arqueiro. Tal prova união, em uma hora crucial na temporada, costuma trazer seus benefícios – ainda mais quando houve problemas públicos de relacionamento entre alguns atletas (Ceará, por exemplo, conhece muito bem esta experiência).

Apesar de a decisão de 29 de março no Stade de France não reunir duas equipes badaladas, ao menos promete ser um jogo interessante de se acompanhar. Ali, não estarão frente a frente dois adversários com o objetivo de cumprir tabela, mas sim times que enxergam o título da competição como única chance de amenizar as dores provocadas por uma temporada sem brilho. Um título, mesmo desvalorizado, certamente servirá como uma reserva de fôlego para um fim de Ligue 1 mais decente.

Lyon respira

Até mesmo nos piores momentos, o Lyon consegue se sair bem. Com o Bordeaux bufando em seus calcanhares, os lioneses chegaram à 26ª rodada da Ligue 1 pressionados para a conquista de uma vitória. Em um momento de grande aperto, a tabela reservou um grande presente ao clube: enfrentar o lanterna Metz em casa. Como se não bastasse a moleza, o OL ainda comemorou o tropeço do Bordeaux diante do Lille. Em pleno Chaban-Delmas, os Marine et Blanc ficaram no 0 a 0 com o LOSC.

O Lyon mal havia acabado de se recuperar do duro confronto contra o Manchester United na Liga dos Campeões e teria pela frente a missão de se manter na dianteira do campeonato nacional. Pelo menos houve essa ‘ajuda’ ao pegar o Metz, quase condenado e sem nada a perder. Bem ao seu estilo, o OL mostrou suas cartas logo no começo e o gol de Fred, aos dez minutos, na primeira oportunidade dos donos da casa, calou qualquer pensamento dos grenás em criar alguma dificuldade.

Depois do intervalo, embora os visitantes começassem a incomodar um pouco, Fred novamente jogou um balde de água fria ao fazer o segundo. Aliás, o brasileiro teve um bom entendimento com Benzema, que atuou mais pelo lado esquerdo. A associação entre os dois evoluiu, uma possível sugestão a Alain Pérrin para outros jogos. Keita, Juninho Pernambucano e Ben Arfa, reservas de luxo, entraram durante o duelo apenas por garantia, para deixar tudo em paz. Sem ser brilhante, mas com bastante eficiência, o OL seguiu sua velha fórmula e acabou com um prêmio extra.

Se por um lado os líderes tiveram vida fácil após seu compromisso em uma competição continental, o Bordeaux lamentou ter pela frente o Lille pouco depois de sua eliminação para o Anderlecht na Copa Uefa. Três dias depois de cair diante do time belga, chegava a vez de encarar um rival ainda invicto em 2008. Laurent Blanc não tinha outra alternativa a não ser mandar a campo uma equipe bastante modificada, mas mesmo assim era impossível disfarçar o cansaço.

O duelo contra os Mauves deixou estragos nos girondinos. Além da parte física, eles sentiram a falta de ritmo com as substituições realizadas pelo treinador. Também não dá para colocar Blanc no banco dos réus, pois ele correria o risco de estourar alguns de seus principais jogadores se os escalasse para encarar um Lille bem organizado em campo, mas sem a objetividade necessária para levar algum perigo à meta de Ramé. Alonso, o único a tentar organizar alguma jogada, viu-se em meio ao deserto. Até mesmo Cavenaghi esteve em um dia irreconhecível.

Na segunda etapa, os visitantes se aproveitaram da morosidade do Bordeaux para botar a defesa dos donos da casa para trabalhar. Ramé impediu um resultado ainda pior com boas intervenções. O Lille, montado num 4-2-3-1, dominou o meio campo, sobretudo pelas boas atuações de Cabaye e Mavuba. O primeiro foi o responsável por grande parte das ações ofensivas da equipe, enquanto o segundo desancou as (raras) oportunidades criadas pelos anfitriões. Melhor para o OL, um pouco mais sossegado na liderança e com um certo alívio nas cobranças por bons resultados.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo