França

Poker face

Há um mês e meio, o Lyon não sabe o que é vencer na Ligue 1. Na Liga dos Campeões, porém, a situação é bem diferente. Se o time se afunda na zona de rebaixamento do Francês, lidera sua chave na LC após a vitória por 3 a 1 sobre o Hapoel Tel Aviv em Israel e deixa bem encaminhada a classificação para as oitavas de final. Já Olympique de Marselha e Auxerre… bem, os outros clubes franceses passam vergonha e devem se preocupar até com a perda da vaga para a Liga Europa.

Sem ser genial, o Lyon se impôs diante de um adversário mais empolgado do que propriamente bom tecnicamente. O espírito da LC parece contagiar o OL e lhe dá um oxigênio extra para aplacar a fúria de sua torcida, incomodada com a sequência negativa na Ligue 1.

O contestado Claude Puel repetiu a formação usada contra o Saint-Etienne – ou seja, com Källström no meio-campo e Pjanic no banco de reservas. A diferença foi que, desta vez, o Lyon teve a eficiência que lhe faltou no dérbi. Muito se deve à atuação destacada de Michel Bastos, novamente fundamental para a equipe.

O OL fazia uma apresentação correta, mas sem empolgar. Faltava profundidade às jogadas da equipe, o que foi corrigido com a entrada de Pied no lugar de Gomis. Briand foi o maior favorecido e passou a aparecer mais em campo. Apesar da tranqüila vitória, os lioneses voltaram a apresentar problemas defensivos. Mesmo diante de um ataque de pouco peso como o do Hapoel Tel Aviv, a passividade da zaga do Lyon incomoda demais.

Em um grupo com Real Madrid e Milan, era de se esperar que o Auxerre não fosse páreo para os dois gigantes europeus. No entanto, de forma surpreendente, o AJA teve em seus pés raras chances de colocar os grandes em dificuldade. Como na estréia contra os rossoneri, os comandados de Jean Fernandez deixaram o bonde passar diante dos Merengues em pleno Abbé-Deschamps.

Com uma boa colocação defensiva, o Auxerre conseguiu amenizar em parte o poderio ofensivo do Real Madrid. O time espanhol, por sua vez, voltou a apresentar extremas dificuldades em acertar o alvo, como em seu primeiro duelo diante do Ajax. Diante deste quadro, o AJA estava com todos os elementos a seu favor para, pelo menos, sair com um empate.

O time francês apostou nos contra-ataques e teve a chance de resolver a partida com Jelen, que mandou para fora. Pepe também quis ajudar o AJA ao quase marcar contra. E em um de seus raros erros defensivos, o Auxerre pagou caro. Pedretti falhou na marcação a Di María e a vitória do Real Madrid se fez ali.

Fernandez acertou ao montar o Auxerre em um 4-2-3-1 e apostar na técnica de Chafni para servir o isolado, mas veloz, Oliech – que teve algumas chances interessantes na primeira etapa. Jelen, que entrou na segunda etapa, também manteve o bom nível ofensivo. O que se pode lamentar foi a atuação equivocada dos alas, com algumas opções equivocadas no apoio ao ataque.

O Olympique de Marselha tem pouco a explicar. O campeão francês foi engolido por um Chelsea desfalcado. Com um time pesado em campo, Didier Deschamps pouco pôde fazer para mudar o panorama da partida. A atuação do OM se resume ao desempenho de André-Pierre Gignac, completamente omisso no Stamford Bridge. A sorte dos marselheses: a outra equipe do grupo se chama Zilina e, por isso, a vaga na Liga Europa está assegurada.

Dérbi da fúria

No Campeonato Francês, a fase anda mesmo ruim para o Lyon. Quando enfim joga bem e faz uma atuação digna, o time é castigado. Em pleno Gerland, o Saint-Etienne afundou um pouco mais os lioneses nas últimas posições, embora os donos da casa não tenham merecido a derrota por 1 a 0. Para os Verdes, o triunfo no 100º dérbi foi especial. Além de consolidar a equipe na liderança da Ligue 1, serviu para encerrar um jejum de 16 anos (!) sobre seu adversário local.

O Lyon se especializou em quebrar recordes negativos. A equipe sofreu sua quarta derrota nos sete jogos iniciais do campeonato, algo que não acontecia desde 1997/98. Claude Puel entra para a história como o treinador que não só viu o OL interromper sua hegemonia nacional como também acabar com a supremacia no dérbi. Apenas para completar, o time aparece na zona do rebaixamento – claro, estamos no início do torneio, mas o fato já serve para acender o sinal de alerta.

Há 15 anos (!) o Lyon não figurava entre os times que cairiam para a segunda divisão. Tantos números negativos esgotaram a paciência da torcida, que após incentivar o time por 90 minutos, uniu-se para gritar “Puel, demissão”. As cenas a seguir parecem surreais quando se trata do OL. Vinte minutos após o fim do jogo, cerca de três mil torcedores ainda continuavam nas arquibancadas do setor Virage Nord, enfuecidos. Foi quando Jean-Michel Aulas apareceu e, de microfone em punho, pediu calma à torcida.

O presidente do Lyon adotou a mesma estratégia fracassada e o discurso furado para desviar o centro das atenções. Aulas saiu em defesa do treinador, acusado de semear a discórdia no elenco, e preferiu culpar os jornalistas, esses sim os grandes culpados por plantar uma crise onde ela não existe – na visão do dirigente. Queridinho de Aulas, Puel segue com força no clube, mas até quando?

Analisando apenas o que aconteceu no dérbi, Aulas tem lá sua razão. O Lyon criou quase 30 oportunidades para marcar, o time evoluiu em sua organização tática, houve um pênalti não marcado para o OL e o gol da vitória do Saint-Etienne saiu em uma falta inexistente, na única oportunidade do ASSE em toda a partida. Uma coisa, porém, é certa: Puel está sem moral com a torcida faz tempo.

Aulas também desmentiu ter se encontrado com Marcello Lippi, um possível candidato à sucessão de Puel. Cabe lembrar que o último treinador demitido pelo presidente lionês durante a temporada foi Guy Stéphan em… 1996. Portanto, não se deve esperar por grandes mudanças no clube a curto prazo, até pelo fato de o dirigente ter extrema paciência com relação aos projetos para o time.

No Saint-Etienne, a vitória no dérbi teve Dimitri Payet como herói. Ele salvou duas bolas em cima da linha e ainda cobrou a falta que assegurou o triunfo histórico para o ASSE. Ele vive uma temporada especial, ocupando o topo da artilharia da Ligue 1 com uma eficiência assustadora: em todo o campeonato até agora, Payet chutou onze vezes em direção ao gol e balançou as redes nada menos do que sete vezes. Um desempenho que o credencia a aparecer na próxima lista de convocados de Laurent Blanc.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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