França

Persona non grata, Gomis sofre com tortura lionesa

De opção indispensável à persona non grata. Esta é a mudança completa de visão do Lyon sobre Bafétimbi Gomis. O atacante, considerado como uma solução para o time quando Lisandro López estava disposto a deixar o clube, passou à condição de jogador negociável, quase como se fosse uma quinquilharia em um saldão à espera do primeiro comprador que lhe fizer uma oferta razoável.

Para Jean-Michel Aulas, negociar Gomis se tornou quase uma obsessão. O presidente precisa urgentemente dar uma respostas aos acionistas do OL, impacientes com as contas negativas apresentadas pelo clube. A ordem, como se tornou comum nos últimos meses, continua sendo a de enxugar ao máximo a folha salarial – leia-se livrar-se de quem ganha muito e não traz o retorno esperado.

O presidente do OL já tentou convencer Gomis no começo da última temporada de que seria melhor para ele procurar outro clube. Agora, a conversa se intensificou e a pressão psicológica também. Pelo Twitter, Aulas faz seu papel de infernizar a vida do atacante: “Como vocês medem a vontade de Bafé? Até porque ele não comemora seus gols com o grupo e não cumprimenta seu treinador quando deixa o campo”, cutucou o dirigente.

Com contrato até junho de 2014, Gomis foi o principal artilheiro do OL na última Ligue 1 com 16 gols. Aulas, porém, prefere enxergar outro número. O atacante despertou interesse de clubes ingleses, russos e turcos, além da Fiorentina. O presidente do Lyon calcula que pode negociar o jogador por até € 10 milhões. Contudo, o dirigente teve mais motivos para se irritar com o goleador.

Mesmo com toda a pressão para que saia do OL, Gomis continua firme no grupo. Com a necessidade de negociar ao menos um jogador para fechar o ano fiscal em situação menos calamitosa, Aulas foi praticamente obrigado a aceitar a proposta de € 5 milhões do Monaco pela transferência do jovem Anthony Martial. O atacante, de 17 anos, é considerado como uma das grandes promessas das categorias de base lionesas.

Gomis quer ficar no Lyon por um motivo bem simples. A um ano da Copa do Mundo, o atacante quer ganhar espaço com Didier Deschamps, treinador da seleção francesa. Uma mudança de clube, ainda mais para o exterior, complicaria demais suas pretensões. Haveria o risco de demora na adaptação ao novo país, o que acarretaria pouco tempo de jogo e, consequentemente, menos chances de ser convocado por DD.

Por outro lado, o atacante tem seu filme completamente queimado com Aulas. Se permanecer no clube, Gomis será forçado a conviver com um ambiente completamente desfavorável, por mais gols e assistências que dê. Com a cabeça praticamente voltada para as finanças, o presidente lionês usa uma tática degradante para se livrar de um de seus principais jogadores. Nenhuma necessidade financeira justifica tamanha perseguição, que certamente compromete o futuro de Gomis.

Monaco negativo

Pode até ser perseguição, mas o Monaco já começa a próxima Ligue 1 na lanterna. O clube do principado, de volta à primeira divisão e disposto a arrebentar na janela de transferências, foi punido com a perda de dois pontos por conta dos incidentes provocados por sua torcida durante a partida contra o Le Mans. O ASM ainda terá que disputar um jogo com portões fechados.

A decisão da Comissão de Disciplina da Ligue de Football Profissionel ainda pode cair, já que o Monaco entrou com recurso. Para quem é adepto de teorias da conspiração, pode considerar isto como o início de uma série de perseguições às quais o clube do principado deve se acostumar nesta temporada. Vale lembrar que o ASM se tornou odiado pelos demais clubes franceses por conta de seus privilégios fiscais, que gera uma concorrência desleal no mercado de transferências.

Na verdade, qualquer teoria maluca que sugira um complô contra o Monaco cai por terra ao se analisar os motivos da punição imposta pela LFP. O clube escapou de algo ainda pior e deveria agradecer por não sofrer uma sanção mais pesada. Segundo o relatório da comissão disciplinar, o clube foi punido “pelo uso de artefatos pirotécnicos, invasão do gramado e hostilidade ao árbitro por parte de um torcedor que entrou em campo.”

Os exageros da torcida se justificam por se tratar de uma partida festiva. Afinal, o jogo contra o Le Mans selou a conquista do título da Ligue 2 pelo time do principado. Só que há um limite entre festa e loucura. É inadmissível que um árbitro seja ameaçado por um maluco que invadiu o gramado. Por sorte, nada mais grave aconteceu, mas algo muito pior poderia ter acontecido se o invasor fosse acompanhado por uma horda.

O Monaco e seus torcedores não devem confundir as coisas e cair naquele velho golpe de que tudo e todos estão contra eles. Obviamente a Ligue 1 não é um concurso para eleger o clube mais simpático, mas o ASM pode se complicar ainda mais se insistir nesta velha história de ser uma vítima do sistema.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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