Pequeno atrevido

A última rodada do primeiro turno da Ligue 1 teve a neve como um ingrediente extra de dificuldade. Apesar das condições naturais ruins, o fim de semana reservou jogos quentes, como o confronto entre os dois primeiros colocados da tabela. Para o líder Lyon, enfrentar o Nancy fora de casa era a oportunidade perfeita para acabar com a graça de seu adversário. Um triunfo ampliaria a diferença entre eles para sete pontos, o que deixaria os lioneses em situação bastante confortável na caminhada para o heptacampeonato. Já o ASNL tinha a seu favor, além da maioria da torcida no estádio, o ímpeto para diminuir para apenas um ponto a distância para o OL e provar não ser mais um time de ambições modestas.
Invicto no Marcel-Picot nesta temporada, o Nancy logo mostrou sua força, sem se intimidar com a qualidade do rival. Desde o início, a partida se transformou em uma pressão constante do ASNL sobre a meta de Vercoutre. Em um gramado castigado pela forte nevasca, o goleiro do Lyon se saiu muito bem do bombardeio ao qual foi submetido. Ao contrário de confrontos anteriores, o substituto de Coupet demonstrou segurança nos lances mais complicados – e não foram poucos.
O Lyon não contou com Juninho Pernambucano, suspenso. No entanto, Källström conseguiu fazer o time respirar um pouco em alguns contra-ataques. Puygrenier e André Luiz levaram a melhor na maioria dos lances contra os atacantes rivais, mas também contaram com os seguidos erros de finalização de Benzema e Baros. Para completar, Ben Arfa teve um desempenho bastante discreto. Só para variar um pouco, o lado esquerdo foi subaproveitado com mais uma atuação ruim de Grosso. O italiano, certamente o ‘flop’ desta temporada, está completamente perdido. Belhadj, opção para o setor, mostrou-se ainda inexperiente para tomar conta da posição.
Do outro lado, Dia, Hadji, Fortuné e Kim castigavam Vercoutre, em seu melhor jogo na carreira. Enquanto o Nancy martelava sem sucesso, o Lyon fez seu papel de visitante chato. Em rápido contra-ataque, Baros finalmente acertou o pé e abriu o placar no segundo tempo. Em desvantagem, o ASNL não se deixou abater e manteve seu nível de atuação, como se o jogo ainda estivesse empatado. Essa foi a chave para conseguir o empate, resultado que o mantém na briga pelo título.
Com o adiamento do duelo entre Lens e Lille, o Paris Saint-Germain parte para a pausa de inverno com um ‘doping moral’. Para todos os efeitos, o time terminou a primeira metade do campeonato fora da zona de rebaixamento ao derrotar o Saint-Etienne por 1 a 0 fora de casa. Os Sang et Or ou o LOSC podem passar o PSG quando se enfrentarem, mas mesmo assim a equipe comandada por Paul Le Guen não ocupará uma das três últimas colocações e ao menos se vê mais distante do perigo – isso tem grande efeito para um elenco massacrado por críticas, pressão da torcida e falta de perspectivas melhores a curto prazo.
Os Verdes ainda não haviam perdido em casa nesta temporada, mas não resistiram ao time com melhor desempenho como visitante da Ligue 1. Por mais paradoxal que pareça, o PSG se tornou o terror dos anfitriões, com cinco vitórias, três empates e apenas uma derrota longe de seus domínios. Os torcedores apenas lamentam que o clube tenha somado apenas quatro pontos no Parc des Princes, mas se esquecem de que eles transformaram o estádio parisiense em um caldeirão contra seus próprios jogadores.
Nos passos trôpegos para fugir das últimas posições, Peguy Luyindula aos poucos recupera sua melhor forma. Contratado no início do ano para resolver o problema ofensivo do time, o atacante se destacou na segunda metade da temporada passada e ajudou a salvar a equipe. Entretanto, seu rendimento caiu demais nas primeiras rodadas desta Ligue 1. Titular nos nove duelos iniciais, ele passou a vagar em campo como uma sombra. Le Guen, como fizera anteriormente, mudou completamente o time para obter alguma reação – e Luyindula passou a freqüentar o banco de reservas.
Dois meses depois, o atacante reconquistou sua condição de titular. Luyindula parece ter reencontrado também seu faro de gol. Foram dele os gols dos importantes triunfos fora de casa contra Auxerre e Saint-Etienne (em ambos, o PSG venceu por 1 a 0), em partidas complicadas. Graças a ele, o clube da capital ganhou algum fôlego para se manter na luta contra a queda. Se o afastamento de alguns titulares ainda não surtiu o efeito desejado, pelo menos Le Guen tem a garantia de que o ‘chá de banco’ fez bem a Luyindula, e isso pode fazer a diferença em momentos cruciais.
Mudanças no lanterna
O Metz terminou o primeiro turno de forma melancólica. Ao perder por 2 a 0 para o Lorient, a sexta derrota consecutiva, o time fechou uma campanha da qual se envergonha. Das 19 partidas até aqui, os Grenás venceram apenas uma, empataram quatro e sofreram nada menos do que 14 derrotas (!). Os parcos sete pontos deixam a equipe na lanterna isolada, 14 pontos atrás do último time fora da zona de rebaixamento. Com atraso, a diretoria achou melhor dar o bilhete azul a Francis De Taddeo.
O técnico, claro, não deve ser considerado o único culpado pelo pífio desempenho do Metz em seu retorno à Ligue 1. Ele utilizou 34 jogadores na Ligue 1, em uma prova de que não conseguiu encontrar a formação ideal para um clube ainda frágil na maioria de seus setores. Os Grenás, notáveis na temporada passada por garantirem a promoção com 32 rodadas na Ligue 2, candidatam-se com força a repetir o feito, desta vez de forma negativa. Mesmo com a chegada de Yvon Pouliquen, novo técnico do clube, as perspectivas de melhoras são remotas.
Carlo Molinari, presidente da equipe, reconheceu as dificuldades de se manter na elite para 2008/09. Para o dirigente, atingir a meta de 42 pontos, uma estimativa aproximada da pontuação necessária para evitar a queda, ‘não será simples’. Boa parte destas dores de cabeça foram causadas por ele próprio, ao demorar demais para tomar uma atitude para mudar a situação. No momento de ter pulso firme, Molinari deixou o desgastado De Taddeo continuar, sem ver seu trabalho surtir qualquer efeito.
O melhor treinador da última Ligue 2 fracassou na tentativa de dar equilíbrio e o punch necessário para suportar a primeira divisão. Contribuíram para esse fiasco as seguidas contusões de jogadores importantes, além de algumas frustrações provocadas por reforços que em nada ajudaram o elenco a melhorar sua qualidade. De Taddeo, em sua última cartada, apostou nos jovens vindos das categorias de base. Ainda verdes, eles sentiram o peso da responsabilidade e da inexperiência.
Pouliquen assume o cargo com objetivos muito claros. Como a permanência na primeira divisão ficou comprometida com a campanha horrível na primeira metade da temporada, resta ao novo treinador pensar a longo prazo. Agora, o mais importante é encontrar um mínimo de padrão de jogo, se possível com a chegada de alguns reforços em janeiro. Se as vitórias vierem, tanto melhor; só não se deve esperar uma transformação radical de um time que pouco fez em campo.
Para esta missão, ele contará com o apoio de Michel Ettore, seu assistente. O ex-goleiro retorna ao Metz após deixar o clube pelas mãos do próprio De Taddeo. Ambos estão conscientes de que o milagre da salvação passa bem longe das portas do clube. Pelo menos, tentarão salvar a honra dos Grenás, abalada pelo desempenho risível do primeiro turno.


