O Paris Saint-Germain continua marcando uma nova era no futebol francês, para o bem ou para o mal. O time da capital conseguiu um feito inédito na 15ª rodada do campeonato, e não falamos da goleada por 4 a 0 sobre o Lyon. Pela primeira vez na história do torneio, uma equipe começou uma partida com onze estrangeiros em sua escalação. Blaise Matuidi quebrou essa formação cosmopolita dos atuais campeões, mas a polêmica sobre a ausência de jogadores nacionais em seu onze já estava lançada.
Fenômeno comum em alguns clubes ingleses, essa torre de Babel do PSG causa preocupação. Rio Ferdinand, zagueiro do Manchester United, foi direto ao ponto ao qual quero chegar: “Ter poucos jogadores ingleses nos clubes do campeonato diminui o nível da seleção nacional”. Xeque-mate. A França ainda não chegou ao nível do que se viu em Manchester City x Newcastle, quando apenas três atletas ingleses estavam em campo no pontapé inicial, mas o PSG acaba de abrir um precedente perigoso no país.
Aliás, isso se tornou comum nesta temporada em alguns dos principais campeonatos nacionais da Europa. Por enquanto, Espanha e Alemanha escaparam desta completa invasão dos gringos. A já citada Inglaterra teve Manchester City, Newcastle e West Bromwich Albion dentro desta realidade, também constatada na Itália com a Internazionale. Nos últimos anos, várias equipes utilizaram este preceito, permitido pela lei Bosman, para crescer e se desenvolver, como o Chelsea.
No PSG, os jogadores franceses estão em baixa desde o começo da temporada. Daquele time comandado por Carlo Ancelotti em 2012/13, Mamadou Sakho partiu para o Liverpool e Christophe Jallet perdeu a braçadeira de capitão e se tornou mais uma a compor o banco de reservas. Jérémy Ménez também perdeu espaço com a chegada de Edinson Cavani e Lucas. O único que ainda tem prestígio com Laurent Blanc é Matuidi, mas o meio-campista viu que sua vaga também não está assim tão garantida.
Desde a chegada do QSI, em meados de 2011, os jogadores franceses têm se tornado personagens secundários nas contratações do PSG. Na grande maioria dos casos, eles se tornaram somente a segunda opção do elenco. O goleiro Nicolas Douchez só entra se houver uma catástrofe com Sirigu. Jallet viu Van der Wiel crescer de produção e agarrar a lateral direita. Lucas Digne mal tem chances para disputar posição com Maxwell. Camara, então, ficou relegada à quarta opção da zaga, atrás de Thiago Silva, Marquinhos e Alex.
Mesmo o Monaco, outro novo-rico da Ligue 1, contratou alguns jogadores nacionais para esta temporada (Toulalan, Abidal, Rivière, entre outros) e tem dado espaço a eles, bem como desempenham funções importantes. Abidal, por exemplo, usa a braçadeira de capitão. Rivière já marcou sete gols e é o vice-artilheiro da equipe no torneio, com dois tentos a menos do que Falcao Garcia.
Enquanto o PSG vive uma realidade paralela, a maioria esmagadora dos times da Ligue 1 segue uma linha completamente diversa e aposta cada vez mais em suas categorias de base para formar seus elencos. Esta política se tornou mais do que uma necessidade, pois o dinheiro não jorra como se vê no Parc des Princes. Por enquanto, o risco de comprometer a formação de atletas franceses é pequeno, mas o alerta está dado.
De volta à realidade
O susto tomado com o empate por 1 a 1 com o Anderlecht surtiu efeito no Paris Saint-Germain. Mesmo em inferioridade numérica durante todo o segundo tempo, o time da capital conseguiu se reerguer e encontrar forças para bater o Olympiacos por 2 a 1. Primeiro lugar da chave garantido, o PSG agora aguarda as oitavas de final com boas expectativas por um bom desempenho.
A partida contra o Olympiacos serviu para mostrar o poder de reação dos parisienses. Nos primeiros 25 minutos de jogo, o PSG teve o domínio completo das ações. Abriu o placar com Ibrahimovic, mas voltou a relaxar de forma exagerada. A expulsão besta de Verratti no fim da primeira etapa quase passou despercebida, já que o Olympiacos pouco ameaçava a meta de Sirigu.
Com uma postura defensiva, o PSG teve a tranquilidade necessária para se levantar após o golpe sofrido aos 35min, quando Manolas aproveitou uma posição irregular de Dominguez para igualar. Embora o tempo fosse seu maior inimigo, o time da casa se acalmou e teve a maturidade necessária para se reorganizar em campo e chegar à vitória graças ao gol marcado por Cavani nos instantes finais.
Grande parte dessa retomada dos parisienses se deve a Thiago Silva. O zagueiro provou mais uma vez sua liderança sobre os companheiros e a confiança que seus colegas depositam nele ao fazer uma excelente leitura do jogo. O brasileiro viu que o PSG não tinha mais aquela forte presença no meio-campo e seus ataques eram infrutíferos. Ele sugeriu que Cavani recuasse mais e passasse a atuar no meio-campo, pelo lado esquerdo. A mudança de posicionamento do uruguaio foi a chave para a vitória.
Zlatan Ibrahimovic também teve papel decisivo para a volta por cima dos parisienses. Além de marcar seu oitavo gol nesta LC (alguém ainda ousa dizer que ele não aparece em jogos da Champions?), o sueco demonstrou espírito coletivo ao não se contentar em ficar isolado na frente e reclamar que a bola estava longe dele. O atacante passou a combater no meio-campo, fez bons desarmes e ajudou muito em seu 100º jogo na competição.
O PSG assegura a liderança do grupo e, assim, sua chance de pegar um adversário cabeludo nas oitavas de final diminui sensivelmente. Com suas estrelas brilhando intensamente e um espírito coletivo cada vez mais aprimorado, a equipe pode sonhar com algo mais do que alcançar as quartas de final como na temporada anterior.


