França

Pais e filhos

Quis o destino que Yoann Gourcuff enfrentasse o próprio pai em sua estreia pelo Lyon. Pior para ele, pois Christian saiu vencedor com seu Lorient por 2 a 0. O resultado serviu para colocar o OL em péssima situação. Este é o pior início de temporada da equipe e a pausa para o início da disputa das eliminatórias da Eurocopa-2012 chega em excelente momento. Para quem esperava um início marcante, os lioneses até agora colecionam decepções. O próprio meia, ainda sem conhecer direito sua nova casa, ao menos terá algum tempo para se adaptar às novas condições.

Em quatro rodadas na Ligue 1, o Lyon somou apenas quatro pontos – com uma vitória, um empate e já duas derrotas. Mais do que o rendimento abaixo do esperado, o time deixa no ar uma impressão negativa. A equipe ainda está em fase de construção, ainda mais com a chegada em cima da hora de novos jogadores – como o caso do próprio Gourcuff. Seria prematuro demais cobrar resultados expressivos com tão pouco tempo para arrumar a casa.

Além disso, o OL enfrenta outro problema sério. Sua enfermaria está cheia já nestas primeiras partidas, o que dificulta ainda mais a tarefa de Claude Puel estabelecer um time-base e entrosá-lo. Cris, Ederson, Michel Bastos e Cissokho já estavam sob cuidados médicos e ganharam a companhia de Delgado e Lisandro López, que se machucaram durante a partida contra o Lorient. Assim não há esquema tático que aguente.

E, como em outras ocasiões, Puel se vê obrigado a improvisar em sua escalação. Contra os Merlus, o jeito foi deslocar Jérémy Toulalan para o miolo da zaga, com um desempenho bastante irregular. Com Gourcuff fora de suas melhores condições físicas, o OL penou para encontrar o equilíbrio no gramado sintético do Moustoir, que não serve de desculpa para os jogadores.

Também chama a atenção o fato de que os lioneses enfrentaram problemas diante de equipes que, em teoria, não deveriam lhe causar grandes incômodos. Um caminho inicial com Caen, Brest e Lorient deveria ser a base para catapultar o Lyon, mas teve efeito completamente contrário. Como apenas Lloris foi chamado por Laurent Blanc para as partidas da França contra Bielorrússia e Bósnia, o OL terá chances de sobra para sanar suas dificuldades.

O Paris Saint-Germain está em situação parecida. O time da capital sofreu três derrotas em oito dias e soma os mesmos quatro pontos dos lioneses. Depois de Bordeaux e Maccabi Tel Aviv, foi a vez do Sochaux expor as dificuldades defensivas do PSG. Os primeiros 15 minutos de jogo davam a impressão de que os parisienses teriam facilidade para sair de campo com a vitória, mesmo atuando fora de casa. O ímpeto ofensivo, porém, foi insuficiente para superar as falhas da defesa da equipe.

O Sochaux precisou de dois contra-ataques para acabar com qualquer esperança dos visitantes. Com 20 minutos de jogo, o placar apontava 2 a 0 para os Leões. O principal problema apresentado pelo PSG, e muito bem explorado pelos donos da casa, foi o posicionamento da defesa parisiense. Ceará foi deslocado para o lado esquerdo e atuou avançado demais, perto de Jallet. Estava aberta a avenida.

Para complicar, os meio-campistas do Paris Saint-Germain atuaram mais recuados do que deveriam, deixando o ataque órfão. O técnico Antoine Kombouaré preferiu manter seu 4-4-2 ineficaz e pagou caro. Para o PSG, a pausa para as eliminatórias da Euro-2012 também chega na hora exata.

Sorte e azar

A felicidade do Auxerre por alcançar a fase de grupos da Liga dos Campeões mal cabia no rosto de seus jogadores. A vitória sobre o Zenit St. Petersburgo nos playoffs alimentava o sonho do time de lutar por algo mais no torneio continental. No entanto, o sorteio em Mônaco se mostrou cruel demais com o AJA. Em um grupo extremamente difícil, o clube passou da euforia à decepção em um curto intervalo de tempo.

Ter pela frente Real Madrid e Milan pela frente já tira qualquer perspectiva de uma classificação do Auxerre para as oitavas de final. Mesmo que Butragueño, diretor do Real Madrid, tenha dito que o AJA “era o adversário mais temido do pote quatro”, parece um tanto quanto impossível imaginar o time francês como o ratinho que amedronta o elefante. A disputa se resumirá aos dois gigantes europeus.

Agora, o sorteio poderia ser um pouco mais clemente com o Auxerre. Vá lá ter Real Madrid e Milan como adversários, mas a vaga para a Liga Europa seria uma chance concreta caso o outro time da chave fosse uma baba. Não foi bem assim. E lá está o Ajax, motivado pela volta à disputa da fase de grupos, querendo provar sua grandeza, no caminho do AJA. Que vida complicada…

Os outros clubes franceses tiveram um pouco mais de sorte e terão pela frente um caminho mais simples em teoria. O Olympique de Marselha pode se lamentar por ter caído no grupo do Chelsea, mas ao menos tem o favoritismo para o segundo lugar. O Spartak Moscou parece não ser um adversário à altura por esta segunda vaga, enquanto o Zilina se prepara apenas para fazer figuração.

Por outro lado, o Lyon não terá qualquer bicho-papão em seu grupo. Em compensação, o OL caiu em uma chave equilibrada e precisa dormir de olhos abertos. Benfica e Schalke 04 podem não ser potências, mas também estão muito longe de facilitar as coisas. O Hapoel Tel Aviv tem cara de quem pode atrapalhar e, mesmo com chances reduzidas de classificação, complicar um dos favoritos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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