Os substitutos da armada francesa

Laurent Blanc se viu em meio a uma enxurrada de desfalques para as partidas dos Bleus contra Albânia e Bósnia pelas eliminatórias da Eurocopa-2012. O treinador se viu obrigado a ceder e promoveu o retorno de Djibril Cissé à seleção. Além disso, ele também chamou Jérémy Mathieu, outro nome bastante cotado e que enfim ganhou uma oportunidade. Seria um sinal de fraqueza do técnico?
Cissé e Mathieu estavam entre os jogadores com maior potencial de convocação, embora a preferência, estima-se, ficasse para quem ainda não havia tido uma chance. O nome do atacante não causa tanta estranheza assim, apesar de seu envolvimento no fracasso francês na última Copa do Mundo. Para ser honesto, Blanc obedeceu à lógica ao chamar o jogador, que vive excelente momento na Lazio.
Sem Karim Benzema e Kevin Gameiro, Blanc não tinha nos Bleus um jogador com características típica de centroavante – ou seja, presença marcante na área e força física para brigar com os zagueiros. Cissé se encaixa perfeitamente nos critérios desejados para a função. Desde sua chegada à Lazio, o atacante reencontrou seus melhores dias e, mais importante, mostrou-se disposto a superar os episódios da África do Sul para provar seu valor.
O discurso de Cissé parece convincente. Se em campo ele tem feito por merecer um chamado à seleção, seu pensamento revela o desejo de dar a volta por cima nos Bleus. Ele disse ter ainda muito a oferecer pela equipe nacional e demonstrou um comprometimento capaz de convencer até o mais cético dos críticos. Com sua experiência, o atacante tem grandes chances de ser titular nestas duas partidas. Trata-se de uma chance de ouro para Cissé reconquistar a confiança de Blanc e, mais importante, da torcida.
A convocação de Mathieu, por outro lado, causa maiores discussões. Não tanto pelas qualidades do lateral do Valencia, mas sim pela função imaginada para ele dentro da seleção. Ele substituirá Eric Abidal, mas não se trata apenas de uma troca simples entre jogadores da mesma posição. O atleta do Barcelona tem prestígio com Blanc por conta de sua polivalência na defesa, algo que Mathieu não domina.
Abidal atua tanto na lateral esquerda como no miolo de zaga. Aliás, ele tem atuado nesta última função nos Bleus. Mathieu não tem essa mesma desenvoltura para atuar no miolo da zaga. Suas características indicam um jogador mais voltado para o apoio ao ataque, com a possibilidade de jogar como um meia pelo lado esquerdo. Blanc, portanto, deve improvisar.
Não dá para apostar em Laurent Koscielny, que acabou de se recuperar de um problema físico e não está em sua melhor forma. A alternativa que surge para Blanc seria escalar Adil Rami, companheiro de Mathieu no Valencia, como defensor. Como se a defesa não fosse um setor que lhe dá uma grande dor de cabeça em condições normais, o técnico precisa se virar para montar um sistema defensivo eficiente mesmo devastado pelas seguidas lesões. Um desafio a curto prazo, mas que pode proporcionar alternativas muito valiosas.
PSG no topo
Paris Saint-Germain e Lyon fizeram uma partida digna de concorrentes diretos pelo título da Ligue 1. Suspense, intensidade, boas chances de gol para os dois lados e um público inflamado no Parc des Princes fizeram deste um dos melhores jogos do campeonato até aqui. Melhor para o time da capital, que bateu o rival por 2 a 0 e lidera o torneio.
Mais uma vez, Javier Pastore mostrou seu poder de decisão e retribuiu cada centavo investido pelo PSG em seu futebol. O meia argentino desequilibrou, principalmente no segundo tempo. Engana-se, porém, quem pensa que os parisienses tiveram a partida sob seu domínio. O OL fez um primeiro tempo muito bom, mas lamentou sua infelicidade nos arremates. Aliás, este problema tem se repetido com uma frequência assustadora pelos lados de Gerland, como se verificou nos incríveis gols perdidos por Bafétimbi Gomis.
Com o domínio territorial e melhor coletivamente, o Lyon teve várias chances para definir a partida, enquanto o PSG atacava em doses homeopáticas. Os donos da casa tiveram a paciência necessária para aproveitar o descuido do OL, que diminuiu muito o ritmo a partir dos 15 minutos do segundo tempo. Foi então que Pastore saiu da penumbra para ficar sob os holofotes e definir os rumos do duelo.
Se Pastore abriu o placar e o caminho para o triunfo do PSG, Blaise Matuidi também teve papel decisivo para o sucesso do time da capital. Em franca evolução, o meio-campista perdeu pouquíssimas bolas e serviu como excelente opção para ligar o setor e o ataque com bons passes. No entanto, a lesão muscular que o tirou de campo ameaça interromper seu crescimento nesta temporada.
Já o Olympique de Marselha não consegue engrenar na Ligue 1. Em meio à maratona, o OM ficou no 1 a 1 com o Brest no seu sétimo jogo em 22 dias. Serviria como uma desculpa perfeita, mas a diferença gritante do desempenho da equipe para a vitória categórica sobre o Borussia Dortmund pela Liga dos Campeões deixa muitas dúvidas no ar. Tanto que o público presente ao Vélodrome não perdoou e vaiou seu time de forma veemente.
O OM foi incapaz de desenvolver um estilo de jogo coerente. O meio-campo da equipe, leia-se Lucho González, Alou Diarra e Mathieu Valbuena, teve uma apresentação opaca. Até mesmo Steve Mandanda, que vinha em evolução, também falhou. O único mérito da equipe foi a reação quase imediata após ver o Brest abrir o placar em pleno Vélodrome.
Entretanto, a empolgação parou por aí. Com o 1 a 1 no marcador, as duas equipes caíram na mesmice e recorreram às jogadas de bola parada como única fonte de emoção. Nem mesmo as entradas de Jordan Ayew e Benoit Cheyrou ajudaram os marselheses a renovar sua forma de atuar. O técnico Didier Deschamps permanece com um ponto de interrogação.
O OM que vale a pena
Na Liga dos Campeões, o Olympique de Marselha apresenta uma cara bem diferente. Diante do Borussia Dortmund, o OM se mostrou muito à vontade no Vélodrome e, sem sustos, passou pelo time alemão para consolidar sua condição de forte concorrente à classificação para as oitavas de final. Com as duas vitórias, a liderança nas mãos e um Arsenal ainda em formação, os marselheses podem se dar ao luxo de sonhar até mesmo em terminar esta fase na liderança do grupo F.
A partida reuniu dois times que buscam afirmação neste início de temporada. O Borussia Dortmund ainda encontra dificuldades para exibir o mesmo futebol envolvente que o levou ao título da Bundesliga. Por sua vez, o Olympique de Marselha enfrenta problemas na Ligue 1 e também não se encontrou. A LC, porém, parece transformar os marselheses, muito mais concentrados em seu jogo.
Ao contrário de suas exibições na Ligue 1, os marselheses exibiram uma defesa bem mais equilibrada. O setor conseguiu segurar os momentos de pressão do Borussia Dortmund, no início de cada tempo. Mario Götze, principal arma ofensiva do BVB, tentava levar sua equipe para frente e criou boas oportunidades, mas era pouco diante de um OM mais letal em suas finalizações.
A equipe alemã pagou caro pelos erros de sua defesa, que destoou do restante do time. Neven Subotic falhou na jogada que terminou com o gol de André Ayew, que abriu o placar no primeiro tempo. Na segunda etapa, foi a vez de Mats Hummels errar e facilitar a tarefa de Lis Rémy para ampliar. Com a vantagem de 2 a 0, os marselheses enfim respiraram e ainda contaram com um pênalti convertido por Ayew para confirmar o triunfo.
A situação do OM Na LC está para lá de confortável. O Borussia Dortmund, que seria o candidato mais natural à briga por uma das vagas para a próxima fase, não se encontrou nesta temporada. Como o arsenal também está em busca de seus melhores dias, não seria uma surpresa ver os marselheses no topo de seu grupo ao fim desta fase. Nada mal para quem joga de forma tão diferente e pouco empolgante na Ligue 1.


