França

O sonho não acabou

Havia dúvidas sobre como o Olympique de Marseille reagiria ao enfrentar o Zilina fora de casa. Afinal, o OM havia deixado seus torcedores preocupados com a apresentação diante do frágil adversário no Vélodrome, quando o derrotou por uma pequena vantagem. O que se viu na Eslováquia, porém, serviu como excelente motivação para os marselheses. Nada como um 7 a 0 para lavar a alma do elenco; aliada à goleada sofrida pelo Spartak Moscou diante do Chelsea, as chances do time francês passar para as oitavas aumentam de forma considerável.

O Olympique de Marseille enfim conseguiu algo que penou em seus jogos anteriores nesta temporada: a eficiência nas finalizações. Diante de um rival que praticamente não o ameaçou, o OM aproveitou muito bem a formação escolhida por Didier Deschamps. O treinador acertou ao escalar Benoît Cheyrou e deixar André Ayew no banco. Foram três assistências e a prova de que merece uma vaga na equipe titular.

Claro que o OM não se tornou o melhor time do mundo por uma sacolada em uma equipe que não tem nível para jogar uma fase de grupos da LC. No entanto, o resultado enche os marselheses de moral (e de vantagem no saldo de gols) para brigar pela segunda vaga do grupo com o Spartak Moscou. A classificação para as oitavas de final se tornou bem mais próxima de se tornar real.

O Auxerre também viu seus sonhos seguirem firmes com a vitória por 2 a 1 sobre o Ajax. Diante de um rival pouco inspirado, o AJA se aproveitou da vantagem prematura para jogar de sua forma preferida: nos contra-ataques. Nem mesmo a reação do time holandês no segundo tempo abalou os donos da casa, que tiveram tranquilidade suficiente para buscar o gol da vitória.

O AJA teve uma atuação madura diante de um adversário mais calejado, mas que não estava em seus melhores dias. Embora o Auxerre tenha o direito e as chances matemáticas de se classificar, não dá para pensar muito em surpresas diante de Real Madrid e Milan. O objetivo real seria a vaga na Liga Europa, mas ainda assim o time já deve considerar que cumpriu seu dever na LC.

Já o Lyon sofreu seu primeiro revés ao perder por 4 a 3 para Benfica no estádio da Luz. Apesar da derrota, o OL não deve encará-la como o fim do mundo. Afinal, a equipe tem a classificação para as oitavas bem encaminhada e não deve encontrar muitos problemas para ratificá-la. Os lioneses só devem ficar em alerta para não ligarem a chave “Ligue 1” quando entrarem em campo em seus jogos restantes na fase de grupos da LC.

Brest na cabeça

Sempre quando um time alcança a primeira divisão de seu país após uma longa ausência, logo se coloca em dúvida se aquela equipa conseguirá se manter na elite. O caso do Brest se encaixa nesta afirmação. Por isso, o clube causou surpresa geral ao aparecer na liderança da Ligue 1, mesmo que de forma provisória por conta dos adiamentos de algumas partidas. Resta saber se não se trata apenas de um devaneio de curta duração e que se revele uma grande decepção ao fim desta temporada.

A volta à primeira divisão empolga qualquer torcedor e jogador de um time promovido. O Brest foi além e conseguiu encaixar uma série de bons resultados que lhe permitiu figurar na parte de cima da tabela, algo que não acontecia há 24 anos. Apenas para níveis comparativos, o Arles-Avignon, que também subiu ao lado da equipe, ocupa a lanterna da Ligue 1 com apenas dois pontos ganhos em onze jogos. O caçula de sucesso soma 21.

A diferença brutal de desempenho entre os dois promovidos tem uma explicação para Alex Dupont. Para ele, o Brest teve mais cuidado na hora de reforçar seu elenco, com a preocupação de montar um grupo de verdade. “Os jogadores se conhecem, há um padrão de jogo, todo mundo defende”, afirmou. Já o Arles-Avignon se assemelharia a um catadão sem a menor identificação e que, por isso, encontra tantas dificuldades para encontrar um pouco de qualidade em seu jogo.

Para ajudar a entender um pouco o sucesso do Brest neste início da temporada, os números mostram um dado curioso. A última vez na qual a defesa da equipe sofreu um gol na Ligue 1 foi em 21 de agosto, na derrota por 1 a 0 para o Lyon. Ou seja, o time está com sua meta intacta há oito partidas – para ser mais exato, são 791 minutos sem buscar a bola no fundo de suas próprias redes.

A inviolabilidade da defesa do Brest impressiona. Foram apenas quatro gols sofridos até aqui, algo que não se repetia desde 1996, quando o Paris Saint-Germain atingiu a mesma excelente marca. Entre os feitos da equipe, estão duas vitórias fora de casa contra adversários de peso, como Monaco (triunfo por 1 a 0) e Bordeaux (2 a 0). Contra o Saint-Etienne, quando derrotou o rival por 2 a 0, o Brest provou ser mais eficiente do que propriamente uma equipe que joga bonito.

Os jogadores admitem que um dos ingredientes do atual sucesso está no fato de no elenco não haver qualquer estrela – a velha história do grupo de operários que, unidos, superam todas as adversidades encontradas pelo caminho. Tudo muito bonito no discurso, mas o desafio do Brest será mostrar em fases mais agudas do campeonato se realmente tem maturidade suficiente para aguentar o tranco.

Não dá para falar em sorte ou competência com menos de um terço do torneio disputado. Quando chegar a oscilação natural sofrida por todos os times durante a competição, o Brest responderá a que veio para esta temporada: se realmente tem bala na agulha para repetir a surpreendente campanha do Montpellier em 2009/10 ou se será apenas um cavalo paraguaio destinado a percorrer o caminho de volta à Ligue 2.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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