FrançaLigue 1

Em crise, sem time e sem dinheiro, Lyon vive um inferno

O Lyon se arrasta na temporada 2013/14. A derrota por 2 a 1 para o Monaco na 11ª rodada da Ligue 1 ilustra muito bem o momento da equipe, que patina na parte de baixo da tabela sem dar sinais de recuperação. Com apenas 12 pontos, os lioneses amargam uma sequência de jogos de pouco brilho, com uma formação incapaz de ameaçar seus adversários e, para piorar, com Yoann Gourcuff machucado mais uma vez.

Quando a ausência do meia, que prima pela irregularidade e tem somente alguns lampejos de inspiração quando está em campo, vira um problema, é porque a situação do Lyon está um caos. Gourcuff está na enfermaria desde 31 de agosto, por conta de um problema muscular na coxa. Ele voltou a treinar, mas sentiu novamente a lesão e ninguém sabe quando o jogador terá condições de disputar uma partida.

Gourcuff jogou apenas oito vezes em 2013/14 (quatro pela Ligue 1 e outras quatro na Liga dos Campeões). De lá para cá, o OL se ressente de alguém com um pouco de inteligência para comandar seu meio-campo. Grenier se esforça para fazer o ataque funcionar, mas até agora pouco conseguiu. Quando o setor de criação enfim parece funcionar, o ataque naufraga de forma retumbante e estraga qualquer tentativa de ajuste.

Contra o Monaco, o técnico Rémi Garde escalou o Lyon em um 4-4-2, com Grenier no apoio a Gomis e Briand. O segundo teve uma péssima atuação no Louis II: embananou-se em suas ações, perdeu diversas bolas e desperdiçou duas chances claras para marcar. Enquanto seu companheiro ofensivo se desdobrava para levar perigo (foi de Gomis o gol de honra do OL), Briand estava em outra frequência, bem distante do principado.

Se o meio-campo e o ataque sofrem com altos e baixos de seus integrantes, a defesa pelo menos mantém a regularidade: bate cabeça em todos os jogos. Nas laterais, Bedimo e Ferri ficam indecisos entre as tarefas de marcar e apoiar as ações ofensivas. Não fazem bem nem uma coisa nem outra. O miolo de zaga sofreu mudanças após o vexame diante do Montpellier, quando foi goleado por 5 a 1, mas o setor ainda não se encaixou.

Entre lesões, suspensões e alterações de ordem técnica, Garde não encontrou a formação ideal de sua defesa. Bisevac e Gonalons formaram a dupla de zaga diante do Monaco e, apesar de uma certa melhora, ainda parecem distantes de dar aquela segurança para que o time se sinta realmente protegido lá atrás. Ao menos Bisevac tem um espírito de liderança que falta a jogadores como Fofana e Koné.

Com grana curta para investir na contratação de reforços e com uma política pés no chão para a contenção de gastos, o Lyon enfrenta uma dura realidade. Se na última temporada o time surpreendeu ao beliscar uma vaga na Liga dos Campeões com um elenco modesto, agora encara um panorama bem mais hostil. Sem estrelas, sem um time-base formado e com cobranças excessivas em cima de seus jovens talentos, o OL se prepara para suportar um de seus períodos mais infernais dos últimos tempos.

Mágico

Zlatan Ibrahimovic acabou com o Anderlecht em uma das melhores atuações individuais desta edição da Liga dos Campeões. Se havia alguma dúvida sobre a força do Paris Saint-Germain na LC, o atacante sueco tratou de encerrá-las com golaços e uma exibição que exala respeito. Quatro gols, um adversário curvado aos seus pés, e a certeza de que o time da capital caminha a passos largos rumo a fases agudas da competição.

Poucos mereceram a honra de ser aplaudidos de pé pela torcida adversária. Difícil não se render ao talento de Ibra com a bomba mágica do seu terceiro gol. Pode-se tentar diminuir o feito do sueco ao exaltar aos quatro cantos que o Anderlecht é uma galinha morta e que não ofereceu qualquer resistência. Que ele não faria um gol sequer em defesas mais gabaritadas e sumiria se recebesse uma marcação bem mais viril.

Ibrahimovic, porém, não brilha sozinho. Claro que o sueco tem méritos próprios para alcançar o status de estrela da companhia, mas por trás deste sucesso há uma legião que cumpre com maestria com suas obrigações. Não diria coadjuvantes, pois eles também têm brilhado com intensidade. No meio-campo, por exemplo, Thiago Motta tem exercido papel impecável tanto na marcação como na qualidade do passe para os colegas e em suas aparições para a conclusão de jogadas.

O ítalo-brasileiro foi o jogador que mais passes deu na partida contra o time belga (153), com 88% de acerto. O excelente desempenho do meio-campo do PSG pode ser comprovado quando se analisa a estatística de Marco Verratti: 146 passes (segunda maior marca da equipe), com um impressionante nível de acerto de 90%. Uma precisão que não se limitou ao jogo no Constant Vanden Stock e tem sido uma constante na Champions.

A surpresa fica por conta da evolução de Van der Wiel. O lateral direito, que acumulava atuações apagadas e com constantes falhas na marcação, parece ter encontrado o equilíbrio. O holandês deu duas assistências e melhorou a qualidade dos seus passes: dos pífios 63% de passes certos na estreia contra o Olympiacos, Van der Wiel completou 83% dos passes dados na vitória sobre o Anderlecht.

O PSG está com a vaga nas mãos para as oitavas da LC e deve confirmar seu amplo favoritismo em uma chave com adversários pouco desafiadores. O time da capital prova que está apto a encarar qualquer uma das potências do futebol europeu com plenas condições de superá-las. E não dá para reduzir os parisienses somente à excelente forma de Ibra. Quem se preocupar apenas com o sueco caminha para um erro fatal.

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