O grande vencedor

Do bloco dos primeiros colocados da Ligue 1, apenas um deles comemorou uma vitória na 22ª rodada da Ligue 1. Enquanto seus principais adversários tropeçaram, o Paris Saint-Germain cumpriu sua parte: derrotou o Caen por 2 a 0 e, com a combinação de resultados, pulou para a terceira posição, quatro pontos atrás do líder Lyon. O time da capital conquistou sua quarta vitória consecutiva, levando-se em consideração todos os torneios que disputa. Um desempenho excelente para quem vive momentos de indefinição e uma demonstração de força, pois o elenco parece não ter se abalado tanto com os problemas internos da diretoria.
Para o PSG, o fim de semana foi perfeito. Além de contar com a sorte, o time tinha pela gente um adversário em queda livre. O Caen, irregular há algumas semanas, até se mostrou mais objetivo contra o domínio territorial dos donos da casa, mas logo suas forças se extinguiram. Muito da tranqüilidade vivida pela defesa parisiense se deveu a Sakho, vencedor com ampla vantagem do duelo contra Savidan. Apesar de passar em branco no primeiro tempo, o time da capital conseguiu se ajeitar depois do intervalo.
A cada partida, a dupla de ataque formada por Hoarau e Luyindula deixa evidente como cada um deles se complementa de maneira quase harmônica. Embora o segundo ainda tenha alguns defeitos na finalização, não há como se negar que este entendimento entre os dois faz do ataque do PSG um dos mais letais da Ligue 1. Some-se a isso as atuações sempre destacadas e regulares de Sessegnon, com suas assistências valiosas, para deixar a equipe em boas condições.
Já o Lyon segue com sua rotina de resultados pouco animadores em Gerland. No dérbi contra o Saint-Etienne, o OL não foi além de um empate por 1 a 1 – lembrando que o ASSE está à beira da zona de rebaixamento. Na primeira etapa, ficou nítida a tensão no ar. Os lioneses não se arriscavam sob o temor de colocar tudo a perder; os Verdes, com medo de deixar espaços ao rival e se complicar ainda mais na tabela. Os primeiros 45 minutos foram de dar sono, com raras chances de perigo e um sem-número de chutes de longe e que pararam nas arquibancadas.
O começo do segundo tempo concentrou toda a emoção do jogo. O gol de Mirallas logo foi apagado pelo empate graças a uma falta bem batida por Juninho Pernambucano. Tudo se tornou mais difícil para os donos da casa quando Piquionne recebeu cartão vermelho por uma falta violenta em Matuidi. Mais uma prova de como o atacante está em uma outra sintonia no OL, e de como a diretoria mais uma vez errou completamente ao acertar sua contratação. Com um a menos, o Lyon viveu uma experiência agora corriqueira: tomou sufoco do adversário, como se o fato de atuar diante de sua torcida pouco significasse.
Foi uma espécie de vingança para o treinador Alain Pérrin, demitido do OL no fim da temporada passada. O treinador ainda roubou os holofotes ao criticar o árbitro, que não deu um suposto pênalti a favor do Saint-Etienne. “É bom ter um presidente que pressiona os juízes, sobretudo quando joga em casa”, disse, em clara alfinetada a Jean-Michel Aulas, seu ex-patrão. Com um estilo de jogo pobre (extremamente dependente de um lampejo de Benzema), sem opções ofensivas interessantes (Piquionne, uma negação, e Delgado, que deixou o campo machucado), o Lyon ainda lidera o campeonato por completa incompetência de seus rivais.
O Bordeaux teria todas as chances de acabar o fim de semana na liderança, mas deixou escapar uma grande oportunidade ao ceder o empate por 2 a 2 com o Lille. Invicto há 25 partidas no Chaban-Delmas, os girondinos desperdiçaram a chance de matar o jogo no primeiro tempo, quando abriram o placar com Bellion. Postados em um 4-1-3-2, os girondinos tiveram em Tremoulinas uma boa opção ofensiva pela esquerda. Tudo seria melhor para os anfitriões se Cavenaghi não estivesse em péssimo dia e mandasse para longe seus chutes.
Com um duelo muitas vezes ríspido (Mavuba teve que deixar o campo duas vezes para estancar sangramentos), o Lille se aproveitou da desatenção do Bordeaux para virar o placar no segundo tempo. O empate, em uma cabeçada de Gourcuff, salvou a pele dos Marine et Blanc em um momento tenso. Laurent Blanc percebeu o problema de sua equipe – afrouxar a marcação no meio-campo – e tratou de corrigi-lo com a entrada de Fernando. A mudança reequilibrou o time, mas o estrago já estava feito.
Cadeira quente
Yves Bertucci sentiu por apenas seis meses o gosto de ser o treinador do Le Mans. Ele não resistiu à derrota por 2 a 0 para o Nantes em casa e acabou destituído do cargo. Henri Legarda, presidente do clube, nem perdeu tempo e anunciou Daniel Jeandupeux como substituto até o fim da temporada. Bertucci pagou pela queda de rendimento do MUC 72 neste começo de returno.
O resultado diante dos Canários provocou a ira de Legarda, que convocou uma reunião extraordinária da diretoria para manifestar seu descontentamento com os rumos da equipe. De acordo com o presidente, o Le Mans encontra-se “em total inadequação com os valores esportivos que fizeram o clube obter sucesso”. Em outras palavras, ele reprovou a falta de empenho exibida pelos jogadores nestas primeiras partidas de 2009.
Sobrou, claro, para o lado mais fraco. Bertucci, rebaixado para a condição de treinador auxiliar, não conseguiu levar a equipe às vitórias na segunda metade da temporada (um empate e uma derrota). O Le Mans ocupa um modesto 12º lugar (tem um jogo a menos), apenas seis pontos acima da zona de rebaixamento. Uma posição perigosa para quem começou a Ligue 1 com pinta de surpresa.
Jeandupeux, conselheiro da presidência, já havia exercido o cargo de treinador da equipe. ele ficou no cargo de fevereiro a dezembro de 2004, quando entrou no lugar de Thierry Goudet. Com a sua nomeação, Legarda pretende mostrar quem realmente manda dentro do MUC 72, exatamente por colocar um homem de sua confiança em uma missão das mais complicadas. Bertucci, ex-técnico do time reserva, tem seu prestígio contestado e agora precisa recuperar a confiança do dirigente.
Como se já não fosse suficiente a instabilidade trazida pela mudança de treinador, o Le Mans também precisa superar uma crise dentro de seu elenco. Anthony Le Tallec e Ibrahim Camara se desentenderam no dia do jogo contra o Nantes, deixando um pouco mais tenso o clima nos vestiários. O MUC 72 tem por objetivo cumprir uma campanha digna, nem com sonhos de vagas em competições europeias, mas também sem correr riscos de ser rebaixado. Tais problemas devem ser contornados rapidamente, e a experiência de Jeandupeux e o pulso firme de Legarda devem cuidar disso sem maiores consequências.


