Copa da FrançaFrança

O exemplo enorme de espírito esportivo dado pelo Lyon

Erros de arbitragem são intrínsecos ao esporte. Nem mesmo os recursos eletrônicos mais avançados impedem que certa decisão de um juiz seja contestada. Obviamente, enquanto nega novas ferramentas que auxiliem os árbitros, o futebol está ainda mais sujeito à naturalidade da falha humana. O que não impede os grandes gestos que minimizem injustiças.

O exemplo louvável vem do futebol feminino. O Lyon passou à decisão da Copa da França com vitória nos pênaltis por 6 a 5 sobre o Montpellier. A última cobrança das adversárias, no entanto, foi invalidada pela arbitragem de maneira absurda. Primeiro, o juiz pediu para Rumi Utsugi recobrar a penalidade, já que a bola havia se mexido e saído da marca. Tudo certo até aqui. Já no segundo chute, inexplicavelmente o árbitro anulou o gol. Talvez, por desconhecimento total da regra, ao achar que o lance não teria continuidade após bater na trave.

Para não dar margem à discórdia, o Lyon fez uma proposta rara: disputar outra vez não somente os pênaltis, mas o jogo todo: “O Lyon fez a proposta em favor do espírito esportivo e do fair play, dadas as circunstâncias (o pênalti de uma jogadora do Montpellier invalidado injustamente) e as boas relações entre os dois clubes”.

No comunicado, o Lyon cita o exemplo dado pelo Arsenal nas oitavas de final da Copa da Inglaterra de 1999. Em um lance no qual deveria ter devolvido a bola ao Sheffield United por fair play, Kanu deu continuidade à jogada e serviu o gol de Marc Overmars. Apesar da vitória por 2 a 1, Arsène Wenger escreveu uma carta à Football Association e os Gunners refizeram o jogo contra as Blades para, somente então, confirmar a classificação.

A atitude engrandece ainda mais o Lyon, que hoje conta com uma das maiores equipes da história do futebol feminino. Nesta temporada, os Gones selaram o heptacampeonato francês com uma campanha impressionante: 20 vitórias em 20 jogos, com 120 gols marcados e apenas cinco sofridos. Além disso, as francesas tentam o tricampeonato da Liga dos Campeões na próxima semana. Para não manchar a reputação com um erro tão grotesco, nada melhor do que colocar o fair play acima da sede por mais troféus.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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