França

O adeus cada vez mais próximo de Ancelotti no Paris Saint-Germain

O que era uma questão de tempo se tornou uma certeza. O Paris Saint-Germain sagrou-as campeão da Ligue 1 após um hiato de 19 anos, justificou seu elevado investimento na contratação de reforços e agora deixa seus nervos tranquilos para cuidar de um assunto bastante delicado: a situação de Carlo Ancelotti. Ao que tudo indica, a permanência do treinador para a próxima temporada está por um fio.

A relação entre Ancelotti e a diretoria do PSG se desgastou demais no fim do ano passado. Após a derrota por 2 a 1 para o Nice, quando o time saiu da zona de classificação para a Liga dos Campeões, os qatarianos que mandam no clube começaram o processo de fritura do técnico. O italiano se sentiu traído pela falta de confiança exibida pelos dirigentes. Esta volatilidade ao menor sinal de problemas fez o italiano repensar sobre seu futuro.

Ancelotti continuou seu trabalho e seguiu com ele sem interrupções. O PSG reagiu, classificou-se para as quartas de final da Liga dos Campeões (quando enfrentou o Barcelona de igual para igual) e cresceu na Ligue 1. Com a reação do time, a diretoria do clube mudou completamente sua opinião a respeito do italiano, que passou a ser tratado como um mártir. A montanha-russa apenas contribuiu para o técnico concluir que trabalhar em um ambiente assim, quase beirando o amadorismo, não seria uma boa para ele.

Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, revelou que o Real Madrid procurou o clube com uma proposta por Ancelotti. O empresário recusou a tal oferta e declarou que gostaria de continuar com o treinador. Um voto de prestígio que não convence. O mesmo homem que agora faz juras de amor foi um dos primeiros a cobrar a cabeça do técnico quando o time estava em fase ruim e até teria pedido a contratação de Arsène Wenger ou José Mourinho para substituí-lo.

O namoro entre Real Madrid e Ancelotti parece muito próximo de terminar em casamento, mas sempre há aquele porém para melar a cerimônia. O clube espanhol, que está até a testa com José Mourinho, torce o nariz para pagar a cláusula rescisória do italiano, em torno de € 4 milhões. Florentino Pérez, presidente dos Merengues, fez um ultimato a Ancelotti e lhe deu dez dias para se desvincular do PSG. A ideia de colocar a mão no bolso para deixar o time da capital francesa não agrada muito ao treinador, mas ainda sim valeria mais a pena do que suportar os arroubos dos dirigentes/torcedores do clube.

Pérez já gastou muito para contratar os últimos treinadores do Real Madrid. Foram € 4 milhões ao Villarreal para contar com Manuel Pellegrini, e outros € 8 milhões à Internazionale por José Mourinho. Ao mesmo tempo no qual trabalha para convencer Ancelotti a ficar, o PSG mexe os pauzinhos. Al-Khelaifi vai se encontrar com Wenger para um cafezinho bem animado. Roberto Mancini, Laurent Blanc, Rafael Benitez e até Mourinho também fazem parte da lista de pretendentes – lembrando que os qatarianos pagam o que for necessário par ter um treinador de ponta.

Sem clima, Ancelotti deve mesmo respirar novos ares. Se quiser manter sua evolução, o PSG precisa liberar seu treinador e desistir desta insistência que será prejudicial ao clube. O momento exige achar a forma mais amigável possível de selar esta saída para tratar com calma do substituto. A se julgar pelo nervosismo exibido por Leonardo, diretor de futebol do PSG, nas rodadas finais da Ligue 1, não se deve esperar atitudes lá muito equilibradas nos próximos dias.

Chance de redenção

Na lista de convocados por Didier Deschamps para a turnê pela América do Sul em junho, nada é mais justo do que a presença de Samir Nasri. O retorno do meia do Manchester City premia sua regularidade apresentada nas últimas partidas e se trata de mais uma oportunidade para ele mostrar sua capacidade, exatamente em um posto no qual os Bleus sentem dificuldades.

Nasri tem a chance de apagar suas passagens sem brilho com a camisa da seleção. A mais marcante foi há quase um ano, durante a última edição da Eurocopa. O meia deve ter a mente a necessidade de provar seu valor nos amistosos contra Uruguai e Brasil. Estes jogos de preparação servirão para Deschamps tirar suas dúvidas para o jogo contra a Geórgia, pelas eliminatórias da Copa-2014 e para o qual terá muitas ausências no meio-campo.

Cabaye, Matuidi e Pogba estão fora do duelo contra os georgianos. Nasri precisa agarrar com unhas e dentes esta que pode ser sua última oportunidade de mostrar sua utilidade para a seleção francesa. Após uma primeira metade de temporada irregular, marcada por uma série de lesões que o impediram de ter maior sequência com os Citizens, o meia voltou a exibir seu melhor futebol e se mostrou decisivo para seu time.

Nasri foi titular dos últimos oito jogos do Manchester City, com dois gols marcados e três assistências. Estes números são semelhantes aos que ele apresentou durante seus sete primeiros meses (!) no clube inglês, quando balançou as redes adversárias três vezes e deu quatro passes decisivos. A redenção do jogador está diretamente relacionada à recuperação no plano pessoal (em 2012, a perda de um tio o abalou demais) e a um exercício de mea culpa que o fez recolocar os pés no chão.

De presença certa na lista de negociáveis do City, Nasri se tornou indispensável ao time por seu renascimento em campo. O meia soube digerir as críticas que o incomodaram em um primeiro momento e o desequilibraram durante muito tempo, com reflexo em suas atuações irregulares. Ele mesmo admitiu que mudou sua postura após se acalmar, refletir sobre seu comportamento e agora está disposto a provar que está mesmo mudado.

Gourcuff também está de volta, mas envolto na velha incógnita: desta vez é para valer? O meia do Lyon parece ter se reencontrado com a boa fase após se recuperar de problemas físicos (um eterno filme em loop), tem marcado gols importantes e voltou a ser figura importante para a equipe. Assim como Nasri, ele tenta provar que merece mais uma chance, mesmo que sempre desperte desconfiança.

Enquanto Deschamps dá uma enésima oportunidade a Gourcuff, Maxime Gonalons ficou fora da lista. Ele faz companhia a Patrice Evra e forma a dupla que mais saiu perdendo com a divulgação desta lista de convocados. Franck Ribéry também não virá para a América do Sul, mas nada há de estranho em sua ausência. Com a decisão da Liga dos Campeões por vir e uma temporada desgastante, é melhor dar um descanso para ele.

Deschamps decidiu chamar dois novatos. O nome de Eliaquim Mangala já era esperado. O zagueiro, com passagem pela seleção francesa sub-21, tem feito uma temporada extraordinária pelo Porto. Ele ganha uma merecida chance tanto por seu desempenho pelos Dragões como pela necessidade de cobrir a ausência de Raphael Varane, lesionado. Considerado como ‘novo Matuidi’, Josuha Guilavogui foi chamado para ganhar experiência e certamente fará parte de novas convocações.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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