FrançaLigue 1

Numeralha

O primeiro turno da Ligue 1 terminou com um impressionante equilíbrio na disputa pela liderança. As três maiores cidades da França veem seus representantes brigarem cabeça por cabeça para ficar com a ponta. Paris Saint-Germain, Olympique de Marselha e Lyon, todos com 38 pontos, repetem uma trinca que não ocorria desde a temporada 1998/99. Um equilíbrio até certo ponto inesperado para quem imaginava uma superioridade estrondosa do PSG, dono do simbólico título de campeão de inverno – assim como em 2011/12.

O time da capital encerra o primeiro turno como o melhor ataque (36 gols, à frente de Lyon (33) e Lorient (32)) e a defesa menos vazada (12, dois a menos que Bordeaux e Saint-Étienne). A marca de 24 gols de saldo é a melhor desde 2006/07, quando o Lyon chegou a 28. Curiosamente, levando em conta apenas o número de gols marcados e sofridos, os parisienses têm desempenho rigorosamente igual tanto dentro como fora de casa. No Parc des Princes ou como visitante, o PSG marcou 18 gols e levou seis.

O Paris Saint-Germain teve uma reviravolta daqueles no fim do ano. Nos últimos dias de novembro, o time sofreu duas derrotas na Ligue 1, foi eliminado da Copa da Liga Francesa e conviveu com os mais variados tipos de boatos. A ira do técnico Carlo Ancelotti se misturava aos rumores sobre a saída dele e também da de Leonardo, além dos problemas de relacionamento entre os atletas ‘italianos’ e os ‘franceses’.

A grande virada veio com a vitória por 2 a 1 sobre o Porto na Liga dos Campeões, o que garantiu à equipe a liderança de sua chave na Liga dos Campeões. Pronto; a reação foi imediata. O PSG encadeou vitórias convincentes sobre Évian, Valenciennes (ambas por 4 a 0) e Brest (3 a 0), além do emblemático triunfo por 1 a 0 sobre o concorrente direto Lyon. Ancelotti reconheceu a mudança de postura do grupo e celebrou o maior espírito solidário de seus jogadores – talvez contagiados pela proximidade das festas natalinas e querendo provar que foram bons meninos para ganhar presentes do Papai Noel.

Império sueco

Ainda falando do PSG, Zlatan Ibrahimovic lidera a artilharia com 18 gols. O último a atingir um desempenho tão bom foi Vahid Halilhodzic (na época no Nantes) em 1984/85. No entanto, o sueco levou apenas 16 partidas para atingir tal marca, contra 18 do bósnio. Em 50 anos, somente três jogadores marcaram mais gols do que eles nesta altura do torneio: Skoblar, em 1970/71 (21); Gondet (19), em 1965/66; e Akesbi, em 1962/63 (22).

Responsável por metade dos gols do PSG na Ligue 1, Ibra marcou um total de 50 gols em 2012, marca que o coloca como o terceiro principal artilheiro da Europa no ano que está para acabar. Ele perde apenas para Messi e Cristiano Ronaldo. O atacante do PSG também demonstra que gosta mais de marcar em territórios inimigos do que no Parc des Princes. Doze de seus gols no Francês (ou seja, dois terços do total) foram marcados fora de casa (média de 1,71 gol/jogo).

Se deixou sua marca nas redes adversárias nas sete vezes nas quais atuou fora de casa, Ibrahimovic já ficou cinco jogos sem marcar no Parc des Princes. Outra curiosidade: mesmo com seu 1,95m de altura, o sueco não marcou de cabeça: foram 11 gols de pé direito e sete com o esquerdo – mais do que canhotos como Traoré, Michel Bastos e Alessandrini, todos com cinco tentos anotados.

Uma estatística interessante mostra que Ibrahimovic fez um gol a cada 79 minutos em campo. Ele só perde para Rafael Dias (Sochaux) e Kevin Gameiro (PSG), mas os números destes dois jogadores aparecem maquiados. O primeiro atuou por apenas 34 minutos e fez um gol de falta. Já o segundo jogou 374 minutos, com cinco gols marcados neste período.

Por falar em gols, a média de 2012/13 está um pouco melhor do que a atingida em 2011/12 no fim do primeiro turno: 2,58 contra 2,52. A presença de estrangeiros entre os principais artilheiros caiu: em 11/12, seis jogadores de fora da França estavam no top 10 dos goleadores; em 12/13, são quatro em 11 atletas. Os brasileiros dominam a lista de gols estrangeiros: foram 25, dois a mais do que os argentinos. A Suécia aparece em terceiro… com os 18 de Ibrahimovic.

Por continente, a África continua como a grande responsável por balançar as redes na Ligue 1: 112 no total. A Europa conseguiu se igualar à América do Sul, ambos com 52. Os jovens estão em baixa quando falamos em gols. Foram apenas 19 tentos marcados por atletas com menos de 21 anos (o melhor deles foi Jordan Ayew, com quatro). Já os veteranos se destacam com 55 bolas nas redes.

Sorteio interessante

Na Liga dos Campeões, o PSG respirou aliviado. Diante da possibilidade de enfrentar Real Madrid, Arsenal ou Milan, o clube da capital se deu bem. Não que o Valencia seja uma baba, mas se trata de um adversário bem mais plausível do que os três citados. Os Ches passam por um período difícil: estão em 9º, 25 pontos atrás do líder Barcelona e já trocaram de treinador nesta temporada (Ernesto Valverde assumiu o cargo em dezembro e sucedeu Mauricio Pellegrino, que ficou apenas seis meses na equipe espanhola).

Mas é bom o PSG não se empolgar tanto. Em 18 duelos contra times franceses, o Valencia venceu 13, empatou quatro e perdeu apenas um (diante do Nantes, em 1980). Para complicar, os Ches são osso duro de roer contra rivais consideráveis. Em pleno Santiago Bernabéu, a equipe empatou com o Real Madrid (1 a 1); até então invicto na temporada, o Atlético de Madrid sofreu sua primeira derrota (2 a 0) quando cruzou o caminho do Valencia; e ainda dificultou demais a vida do Barcelona no Camp Nou e vendeu caro a derrota por 1 a 0.

Por outro lado, o Valencia teve a capacidade de sofrer derrotas inexplicáveis, algumas delas para equipes pouco cotadas. No jogo que selou a queda de Pellegrino, os Ches foram humilhados pela Real Sociedad por 5 a 2 no Mestalla. Houve ainda uma goleada por 4 a 0 para o Málaga. Apesar destas oscilações, a equipe espanhola deve ser encarada com respeito pelo PSG.

Ancelotti sabe bem dos cuidados que precisará tomar para não ser surpreendido. O primeiro deles será a atenção especial a Roberto Soldado. O atacante já marcou oito gols no Espanhol e outros quatro em cinco partidas na LC, sendo a principal referência ofensiva da equipe. A defesa apresenta alguns destaques, como a dupla francesa formada por Adil Rami e Aly Cissokho e o goleiro Diego Alves, com um bom Sofiane Feghouli na ligação no meio-campo.

O PSG tem boas possibilidades de avançar às quartas de final da LC, ainda mais por conta de sua reação nesta parte final do ano. No entanto, o sorteio benevolente não deve ser encarado com o excesso de confiança tão comum para quem começa a se achar um pouco superior aos demais concorrentes.

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