Novas caras
/https%3A%2F%2Ftrivela.com.br%2Fapp%2Fuploads%2Fhttps%3A%2F%2Ftrivela.com.br%2Fapp%2Fuploads%2F2011%2F06%2Fimg_14394_nzogbia-e-um-dos-novos-jogadores-dos-bleus.jpg)
Encerrada a turnê da seleção francesa pelo Leste Europeu, Laurent Blanc tem elementos suficientes para fazer algumas avaliações sobre o elenco e as opções à disposição. De marcante nos jogos contra Bielorrússia, Ucrânia e Polônia, o treinador saiu com uma certeza: a molecada está em alta. Setor por setor, traçamos uma análise de quem está bem e quem decepcionou.
No gol, Blanc deu uma partida para cada um dos convocados. O treinador não tem muito o que mexer aí. A ordem será mesmo Hugo Lloris como titular, Steve Mandanda como reserva imediato e Cédric Carrasso como terceira opção. Lloris teve sua culpa no empate por 1 a 1 com a Bielorrússia, mas Mandanda fez ainda pior ao ceder um gol bobo aos ucranianos, que abriram o placar mas foram goleados por 4 a 1. Carrasso teve atuação segura no 1 a 0 sobre a Polônia, mas ainda assim não foi o suficiente para fazer o técnico coçar a cabeça.
Bacary Sagna leva vantagem sobre Anthony Réveillère na lateral direita. O jogador do Arsenal disputou duas partidas e teve participação direta nos gols dos Bleus contra Bielorrússia e Polônia. Além disso, foi bem na marcação e nos cruzamentos. Réveillère foi mais tímido. Na esquerda, Eric Abidal mostrou ser o dono da posição quando comparado a Patrice Evra. O defensor do Barcelona exibiu grande qualidade de jogo tanto na lateral como no miolo de zaga. Evra, por sua vez, não esteve tão seguro em campo e por diversas vezes se esqueceu de suas funções defensivas.
O miolo da zaga se revelou uma das preocupações principais de Blanc. Adil Rami parece ter se deixado contagiar pelas comemorações do título do Lille e ficou aquém do nível habitual de suas atuações. Mamadou Sakho, de tão boas exibições com a camisa do Paris Saint-Germain, decepcionou com seus erros de posicionamento e até certa lentidão. Younès Kaboul pode se aproveitar disso e cavar um lugar entre os titulares.
O treinador certamente se surpreendeu com as opções descobertas no meio-campo. Enquanto Alou Diarra comprovava estar em um momento pouco inspirado, Abou Diaby e Yann M’Vila despontam com atuações sóbrias. Blanc também viu Marvin Martin surgir como boa opção ofensiva. O meio-campista do Sochaux já havia deixado boa impressão ao entrar durante o jogo contra a Ucrânia e mudar o panorama do jogo com dois gols e uma assistência. Titular contra a Polônia, ele se mostrou mais uma vez incisivo e com precisão nos passes.
Assim como Martin, Yohan Cabaye demonstrou um potencial interessante, ainda mais quando Samir Nasri esteve apagado contra os bielorrussos. Para quem precisa de opções para dar leveza e criatividade ao meio-campo, os dois primeiros aparecem como excelentes nomes. Além de Nasri, Franck Ribéry deve ficar atento se quiser manter sua vaga na equipe com um bom futebol e não apenas com o nome. Florent Malouda, por outro lado, segue prestigiado.
Karim Benzema não deve mais se sentir sozinho no ataque. Kévin Gameiro soubre aproveitar muito bem a chance contra os ucranianos e a agarrou com todo o seu senso de oportunismo. Guillaume Hoarau, porém, vagou como um fantasma contra a Polônia e perdeu terreno. Loïc Rémy também não foi lá essas coisas, mas tem crédito e deve ganhar novas oportunidades.
Paris Saint-Germain se arma
Após a chegada de um novo dono, o Paris Saint-Germain deu sinais de que dará trabalho na próxima temporada. A força econômica do Qatar Investment Authority (QIA) já começou a dar as caras no Parc des Princes e as mudanças não devem parar por aí. Mal foi aberta a janela de transferências e o PSG se apressou para ir às compras. Por enquanto, fez boas aquisições.
O primeiro nome a chegar ao clube da capital foi o de Nicolas Douchez. O goleiro se destacou no Rennes e chega ao Parc des Princes com custo zero – o que se pode chamar de um negócio da China. Aos 31 anos, ele assinou um contrato por três temporadas e chega para solucionar um problema que afetou demais a equipe nesta temporada. Basta perguntar a qualquer torcedor o que ele pensa de Apoula Edel.
O goleiro trapalhão não teve seu contrato renovado e deixou o PSG sem deixar saudades. Grégory Coupet, por outro lado, pendurou as chuteiras e deixou a equipe órfã de um jogador experiente e com a segurança necessária para aguentar a pressão. Douchez chega ao seu clube de coração com uma tarefa nada simples: dar regularidade a uma posição que sofreu com as oscilações de quem passou por ela recentemente.
O grande golpe, porém, foi a contratação de Kévin Gameiro. O atacante, de 24 anos, fechou um vínculo por quatro temporadas com o PSG após brilhar pelo Lorient. Os Merlus receberam algo em torno de € 11 milhões pela negociação. O jogador, cobiçado pelo Valencia, está em alta, principalmente por suas exibições com a camisa da seleção francesa na turnê pelo Leste Europeu.
Gameiro seguiu os conselhos de Blanc, que o havia advertido sobre os riscos de se transferir para um clube do exterior a um ano da Eurocopa. O atacante poderia muito bem perder todo o espaço que havia conquistado se ficasse no banco de reservas do Valencia, algo bastante previsível se a transferência para os Ches se concretizasse.
A chegada de Gameiro, autor de 39 gols nas duas últimas edições da Ligue 1, mostra que os novos investidores do PSG vieram com força total. O QIA se preveniu contra a possível saída de Mevlut Erding, cobiçado por Rennes e Lille, e já mira outros reforços apostando em uma linha estratégica: fazer apostas em nomes de sucesso já comprovado no Francês.
Assim, surgem boatos em torno de Gervinho (autor de 15 gols e dez assistências pelo Lille) e Blaise Matuidi, que poderia preencher o vazio deixado por Claude Makélélé. O PSG se vê novamente no direito de sonhar. Tanto que o clube já cogita até mesmo contar com o treinador Arsène Wenger, que nunca escondeu seu desejo de dar sua contribuição ao processo de desenvolvimento do time da capital, a partir de 2012.
O PSG só não deve se empolgar como qualquer novo rico e sair por aí esbanjando seu dinheiro com coisas fúteis e de qualidade duvidosa. Por enquanto, o QIA tem se mostrado interessado em montar um projeto equilibrado, mas não se deve esquecer que o grupo tem um lado bastante nebuloso. O próprio Sébastien Bazin, chefe do grupo Colony Capital, admitiu não saber direito quem está por trás do QIA. No momento, nada melhor do que a cautela para evitar um tombo gigantesco de uma nuvem formada por vãs ilusões.