Futebol francês

‘Igor Paixão é julgado pelas estatísticas’: Técnico do Marseille defende brasileiro de críticas

Bruno Genesio destaca comprometimento tático do atacante e contribuição defensiva na vitória sobre o Leverkusen

Igor Paixão não precisa necessariamente marcar gols ou distribuir assistências para convencer Bruno Genesio de sua importância no Olympique de Marseille. Após a vitória sobre o Bayer Leverkusen, fora de casa, pela Liga Europa, o atacante brasileiro foi alvo de questionamentos por uma atuação considerada individualista e decepcionante.

Na avaliação do treinador, porém, a leitura sobre o desempenho do jogador precisa ir além dos números e considerar também aquilo que nem sempre aparece nos melhores momentos. Em coletiva de imprensa neste sábado (7), véspera do confronto com o Lens, pela décima rodada da Ligue 1, Genesio foi perguntado justamente sobre a atuação de Igor na Alemanha.

O técnico não só saiu em defesa do brasileiro, como aproveitou a oportunidade para ressaltar aspectos do seu jogo que considera fundamentais para o funcionamento da equipe.

— Não há problema algum, muito pelo contrário. Acho que as atuações de Igor são julgadas demais por estatísticas, gols e assistências. O que eu também vejo e avalio é o seu comprometimento com a equipe. Em Leverkusen, ele veio apoiar Ulisses Garcia (lateral-esquerdo do Olympique) em diversas ocasiões, recuou defensivamente quase como um quinto zagueiro, que era o que eu havia pedido a ele antes da partida.

A declaração ajuda a entender por que Genesio não compartilha da avaliação negativa sobre o atacante. Embora Igor seja reconhecido principalmente por sua capacidade ofensiva, o técnico valoriza uma participação que passa pelo cumprimento de funções táticas e pela disposição de contribuir em diferentes fases do jogo. Contra o Leverkusen, o brasileiro precisou dividir sua atenção entre atacar e proteger o lado esquerdo da defesa, oferecendo cobertura frequente a Ulisses Garcia.

Igor Paixão vai além dos gols e assistências

Igor Paixão durante Leverkusen x Marseille
Igor Paixão durante Leverkusen x Marseille (Foto: Markus Verwimp / kolbert-press / IMAGO)

A fala de Genesio toca em um aspecto importante do perfil de Igor Paixão: um jogador que não se limita à produção ofensiva. Habitualmente utilizado pelos lados do campo, o brasileiro combina velocidade, capacidade de drible, agressividade nas arrancadas e movimentação para atacar espaços. Essas características ajudam a explicar sua trajetória até o futebol francês, mas não resumem tudo o que oferece dentro de campo.

O comprometimento na recomposição defensiva, citado pelo técnico, representa justamente uma parte menos evidente de sua contribuição. Ao acompanhar os avanços dos adversários, fechar espaços e auxiliar o lateral, Igor participa da organização coletiva mesmo quando está distante da área rival. É um trabalho que exige disciplina e esforço, mas que dificilmente se traduz diretamente em gols ou assistências.

Genesio também deixa claro que esse comportamento não foi uma iniciativa isolada do atacante. O posicionamento mais recuado diante do Leverkusen fazia parte de uma orientação específica para a partida.

Contratação histórica, números e trajetória de Igor Paixão

Igor Paixão celebra gol pelo Marseille
Igor Paixão celebra gol pelo Marseille (Foto: Gabriel Calvino Alonso / BSR Agency / IMAGO)

A contratação do atacante em agosto de 2025 dimensiona a expectativa em torno de suas atuações. Igor Paixão chegou ao Marseille como a transferência mais cara da história do clube na época, em uma negociação que poderia chegar a 35 milhões de euros — somados bônus e metas. O investimento colocou o brasileiro sob uma atenção especial, sobretudo em uma equipe que busca resultados arrojados na França e em competições europeias.

Na primeira temporada, o jogador respondeu com números expressivos. Foram 12 gols e seis assistências em 42 partidas. Já no início da atual campanha, soma dois gols e duas assistências em 12 jogos. Embora os números sejam relevantes para avaliar seu rendimento, a cobrança por participações diretas em gols também ajuda a explicar por que atuações mais discretas acabam ganhando repercussão.

Antes de chegar à França, Igor Paixão construiu uma trajetória de crescimento no Coritiba, clube pelo qual despontou no futebol brasileiro. A transferência para o Feyenoord, em 2022, representou um passo importante na carreira.

Nos Países Baixos, o atacante evoluiu, ganhou experiência em competições europeias e se destacou pela capacidade de desequilibrar partidas com velocidade, dribles e presença ofensiva. Sua passagem pelo clube de Roterdã foi determinante para despertar o interesse do Marseille.

O reconhecimento no Feyenoord abriu caminho para uma mudança de patamar, mas também aumentou as exigências sobre seu futebol. Em Marselha, Igor precisa conciliar a expectativa de ser decisivo no ataque com as responsabilidades de um sistema que demanda participação de todos os jogadores.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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