Ninguém segura este Nenê

Nenê tem feito a diferença para o Paris Saint-Germain. O atacante brasileiro mais uma vez se mostrou decisivo ao fazer os dois gols da vitória por 2 a 1 do time da capital sobre o Valenciennes fora de casa. O resultado, definido a poucos minutos do fim do jogo, permitiu ao PSG seguir colado no Lille, apenas um ponto atrás do líder. De quebra, os parisienses obtiveram, pela primeira vez nesta temporada, duas vitórias consecutivas na Ligue 1.
O brasileiro tem sido fundamental para o bom desempenho do PSG nesta temporada. Na Ligue 1, Nenê marcou 11 gols em 16 partidas e ocupa a vice-artilharia do torneio, dois gols atrás de Moussa Sow, do Rennes. Na Liga Europa, o faro do artilheiro também se mostra bastante apurado: o atacante balançou as redes adversárias quatro vezes em seis jogos.
Pode parecer um paradoxo, mas Nenê esteve longe de seus melhores jogos pelo time da capital. No entanto, sua fase encantada o permite superar até mesmo um dia ruim com uma atuação cirúrgica. Muito deste bom momento do brasileiro se deve também ao trabalho de seus companheiros no meio-campo, principalmente Mathieu Bodmer. O carregador de piano do PSG teve um excelente trabalho como um “camisa 10” contra o Valenciennes.
O técnico Antoine Kombouaré escalou a equipe em um 4-2-3-1 diante do Valenciennes, com Hoarau isolado na frente e Nenê mais recuado. A estratégia havia dado certo contra Sevilla e Brest; embora tenha se mostrado menos eficaz contra o VA, o PSG mostrou mais uma vez um sistema defensivo aplicado e uma equipe voltada para o ataque.
Como sua principal característica nas partidas mais recentes, o time da capital não deixou o adversário respirar. O Valenciennes sentiu muitas dificuldades para sair de seu campo de defesa devido à marcação adiantada exercida pelo PSG. Com Grégory Pujol totalmente isolado no ataque, o VA se tornou uma presa quase inofensiva. O Paris Saint-Germain, por sua vez, não repetiu a mesma qualidade na finalização, mas mesmo assim foi o suficiente para obter mais uma vitória.
Já o Lille teve pela frente um rival bem menos qualificado e, talvez por isso mesmo, escapou por pouco de um vexame. O LOSC se manteve na liderança graças ao magro 1 a 0 fora de casa sobre o lanterna Arles-Avignon. Ao contrário de seus jogos anteriores, os Dogues tiveram uma atuação abaixo das de seu melhor nível e só selou seu triunfo com um gol de Túlio de Melo nos acréscimos.
O Arles-Avignon pareceu incorporar o espírito do Lille e pressionou o rival desde o começo. O líder se limitou a alguns raros contra-ataques, o que certamente rendeu uma bela bronca no vestiário. A postura para a segunda etapa foi bem diferente, com o LOSC enfim acordado após 45 minutos de completa letargia. A expulsão de Aït-Ben-Idir logo nos minutos iniciais contribuiu demais para esta recuperação dos Dogues.
Para o Lille, faltava alguém com o poder de decidir dentro da área. A 20 minutos do final, este personagem entrou em campo – Túlio de Melo. A entrada do brasileiro foi crucial para o LOSC, e não apenas pelo gol marcado na bacia das almas. Com ele, Sow teve mais liberdade entre os zagueiros adversários, o que ajudou o ataque dos Dogues a fluir melhor contra uma marcação cerrada.
Pouco utilizado nesta temporada, Túlio de Melo mostrou sua utilidade ao treinador Rudi Garcia. Claro que não dá para desbancar Sow, artilheiro da Ligue 1, mas o brasileiro provou que o treinador tem uma alternativa interessante no banco de reservas. O brasileiro foi fundamental para desmanchar o bloqueio montado pelo Arles-Avignon, que quase protagonizou uma zebra.
Um segue, outro fica
Olympique de Marselha e Auxerre encerraram sua participação na fase de grupos da Liga dos Campeões de formas bem distintas. Enquanto o atual campeão francês comemorou uma vitória sobre o Chelsea (ok, os Blues entraram em campo sem motivação alguma, mas não deixa de ser um feito importante), o AJA despediu-se com uma goleada por 4 a 0 para o Real Madrid.
No Vélodrome, o OM enfrentou um adversário desfalcado de alguns de seus principais jogadores e que estava mais interessado em ver o tempo passar. Pouco importa; derrotar o Chelsea, que havia vencido seus cinco primeiros jogos na fase de grupos da LC nunca deixará de ser um grande destaque. Embora os marselheses também já estivessem garantidos nas oitavas de final do torneio, o triunfo sobre os Blues teve um alto valor.
Antes de encarar o time londrino, o Olympique de Marselha vinha de dois resultados ruins na Ligue 1: derrota para o Nice (1 a 0) e empate com o Rennes (0 a 0). Faltava um resultado que embalasse a equipe, principalmente na LC. Vencer o Zilina, convenhamos, era mais do que uma obrigação. Bater o Spartak Moscou na Rússia teve sua importância, mas ainda assim havia algo mais a conquistar.
Tirando alguns erros grosseiros de arbitragem, o jogo marcou o retorno de Didier Drogba ao Vélodrome. A torcida do OM o ovacionou, tratamento que não foi repetido a Brandão. O atacante brasileiro, contestado por parte da torcida, definiu a vitória marselhesa ao fim de um jogo sonolento de uma equipe empolgada, mas de recursos limitados ao se comparar com um dos grandes europeus, contra outra completamente desinteressada.
Pelo menos o Olympique de Marselha guardará como recordação o “dia no qual venceu o Chelsea”, sem se importar se os Blues entraram em campo com um time Z. A LC só retorna em fevereiro, mas sem dúvida o triunfo no Vélodrome sobre o poderoso rival terá um grande efeito psicológico no elenco para a disputa das oitavas de final.
O Auxerre, por sua vez, viu qual é seu devido lugar no cenário europeu: o de mero coadjuvante. O AJA não teve a menor chance diante do mistão do Real Madrid no Santiago Bernabéu e ficou mesmo em último lugar em sua chave. Embora tenha caído em uma chave complicada, o time francês fez muito pouco para batalhar por uma classificação para a Liga Europa.
Com uma timidez impressionante, o Auxerre passou a nítida impressão de que já subira para o gramado com a derrota estampada no rosto de seus jogadores. A passividade da defesa, especialmente pelo lado esquerdo – muito bem explorado por Cristiano Ronaldo – apenas provou que o time precisa amadurecer muito se quiser entrar na LC para disputar algo mais.


