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Nice pode mesmo disputar o título na Ligue 1 com Monaco e PSG? Até aqui, tudo indica que sim

Era difícil de imaginar no começo da temporada na Ligue 1 que o Nice era um dos candidatos ao título. O Paris Saint-Germain era o grande favorito e dizer que o Monaco brigaria pela taça não surpreenderia ninguém. Mas o Nice? Este é uma surpresa. A três rodadas do final do primeiro turno e termos a parada de inverno na França, o Nice tem quatro pontos de vantagem no topo da tabela sobre o atual campeão. A pergunta, então, é até onde pode ir o Nice.

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Ligue 1, afeita a alternância de poder

O caso do Nice imediatamente remete ao Leicester da temporada passada, na Inglaterra. É uma comparação quase irresistível, até pela dimensão do que aconteceu. Só que o caso do Nice é um pouco diferente. O time de Claudio Ranieri conseguiu o título em uma liga que raramente vê uma surpresa, com poucos times conseguindo o título. Na era Premier League, de 1992/93 até 2015/16, temos só seis campeões: Manchester United, Blackburn Rovers, Arsenal, Chelsea, Manchester City e Leicester. A França é diferente.

Considerando o mesmo período da era Premier League, a Ligue 1 teve 10 campeões diferentes: Paris Saint-Germain, Nantes, Auxerre, Monaco, Lens, Bordeaux, Lyon, Olympique de Marseille, Lille e Montpellier. Neste período, houve duas grandes dominâncias: o Lyon, sete vezes campeão entre 2001/02 e 2007/08; e Paris Saint-Germain, tetracampeão de 2012/13 a 2015/16.

Neste período, duas vezes tivemos sequências de campeões diferentes. De 1993/94 até 1998/99, foram seis campeões diferentes a cada ano. Ninguém repetiu a taça. Algo que aconteceu também depois do período de dominância do Lyon. Se contarmos o último título da sequência do Lyon, em 2007/08, até o primeiro do atual período de dominância do PSG, em 2012/13, são seis campeões diferentes, sem ninguém repetir o título novamente.

Tudo isso para dizer: a Ligue 1 tem na sua história recente muito mais abertura a um campeão inesperado. Quando o PSG se tornou um time muito mais forte pelo dinheiro dos novos donos, o Montpellier conseguiu enfrentar e vencer. Naquele ano, o time levou a taça com os gols de Olivier Giroud e as assistências de Youanès Belhanda.

Belhanda que é também o grande destaque deste atual Nice, líder da Ligue 1. Antes de falar do marroquino, nascido na França, vale falar sobre qual foi o clube que ele encontrou ao chegar nesta temporada, de última hora, no último dia da janela de transferências.

Boa campanha e desmanche na temporada passada

O time da costa sul da França é o segundo destino turístico mais procurado do país. O que, aliás, não é pouca coisa, porque o primeiro colocado é Paris, o destino turístico mais procurado do mundo. Ou seja: Nice é uma cidade muito cotada para o verão europeu. Curiosamente, porém, o verão do Nice não foi lá muito feliz.

A campanha do Nice na temporada passada já tinha sido muito boa. O técnico Claude Puel levou o time ao quarto lugar na tabela, deixou o clube para assumir o Southampton, na Inglaterra, logo ao final da temporada dia 30 de junho. O grande destaque do time, Hatem Ben Arfa, também deixou o time rumo ao PSG, de graça, após o fim do seu contrato, em julho.

O meio-campista Jérémy Pied também deixou o clube rumo ao Southampton acompanhando o antigo treinador. Outro que rumou para a Inglaterra foi o meio-campista Nampalys Mendy, que assinou com o Leicester. Era um dos principais jogadores do time e um dos três que tinham jogado todas as partidas na campanha da Ligue 1, ao lado de Valère Germain, que voltou ao Monaco após o fim do seu empréstimo, e apenas Jean Michaël Seri continuou no clube.

Apostas de risco
Dante, do Nice (Foto: Nice)
Dante, do Nice (Foto: Nice)

Neste cenário, o Nice precisava de um técnico e de reforços que fossem capazes de manter o bom desempenho da temporada anterior. O sucesso destas escolhas era crucial. E o que temos visto é que o Nice parece ter acertado em cheio.

A começar pelo técnico escolhido, Lucien Favre. Eleito técnico do ano na Bundesliga na temporada 2014/15, quando fez um excelente trabalho pelo Borussia Mönchengladbach. Foram contratados jogadores para três setores do time: Dante, que veio do Wolfsburg por € 2,5 milhões e tem experiência internacional aos 32 anos.

No meio-campo, trouxe Youanès Belhanda, 26 anos, por empréstimo do Dynamo Kiev e com opção de compra ao final da temporada. Por fim, Mario Balotelli, 26 anos, que veio do Liverpool depois de um empréstimo ao Milan que não convenceu o clube italiano a contratá-lo. Tanto que o jogador chegou de graça.

O risco com Balotelli era tão alto que o Nice colocou uma cláusula bastante curiosa no contrato do atacante italiano: se ele cuspir ou não insultar ninguém nos gramados, recebe um bônus de € 1,2 milhão. Em campo, tem correspondido: são seis gols marcados e ótimas atuações com a camisa do time.

Balotelli tem jogado bem, mas só jogou seis jogos como nesta temporada na Ligue 1. Não porque ele fique no banco, mas porque está com problemas de lesões. Não esteve nos últimos três jogos do time, machucado. O time não sentiu sua falta por causa de um jovem jogador que vem brilhando no ataque: Alassane Pléa. Aos 23 anos, Pléa já tinha começado a se destacar na temporada passada, com seis gols em 19 jogos. Nesta temporada, ele melhorou ainda mais. São nove gols em 16 jogos até aqui.

Voltamos, então, a Belhanda. É o meio-campista que tem sido a grande estrela nesta temporada pelo Nice. São três assistências e três gols marcados até agora, com boas atuações e mostrando ser um jogador perigoso quando tem espaço. O marroquino é um dos que mais cria jogadas no time.

Calendário
Plea, do Nice (Foto: Nice)
Plea, do Nice (Foto: Nice)

A campanha do Nice na Ligue 1 é excelente, enquanto na Liga Europa o time nem deve se classificar. Embora seja um fracasso, o que há de vantagem é que a Ligue 1 se desenha para ter três concorrentes ao título, com Nice, PSG e Monaco. E o Nice é o único que não terá um calendário atribulado no segundo semestre da temporada.

PSG e Monaco disputam a Champions League e já estão previamente classificados. Devem dividir a atenção entre as duas competições. O Monaco tem mostrado uma capacidade goleadora enorme. É o time que mais fez gols até aqui entre as principais ligas europeias, com 49 gols.

Sem nenhuma outra competição, o Nice ganha uma vantagem. O seu elenco não é tão forte quanto o estelar PSG e nem tem uma capacidade de marcar gols como o Monaco, mas vem mostrando regularidade. Sem ter que se dividir entre duas competições com um elenco curto, o Nice sonha alto. O que aconteceu com o Leicester na última temporada e o que vem acontecendo com o RB Leipzig na Bundesliga deixam a impressão que é possível sim o Nice brigar até o fim para levantar a taça na França.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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