França

‘Tinha que me esconder. Não sou o Neymar, mas se você joga no PSG, é difícil ter uma vida normal’

Meia alemão falou sobre dificuldades em Paris, os anos no PSG e como Neymar e Mbappé influenciaram seu espaço no time

Julian Draxler foi um dos nomes mais promissores do futebol europeu na década passada, mas sua trajetória no Paris Saint-Germain não atingiu o nível esperado. Campeão da Ligue 1 quatro vezes com os parisienses, o meia não conseguiu se consolidar entre os protagonistas e, em 2023, decidiu rumar ao futebol do Catar.

Em entrevista ao jornal francês “Le Parisien”, o alemão revisitou sua passagem pelo PSG, relembrou o duro período na ala dos descartados do clube após a chegada de Neymar e Kylian Mbappé, a badalação na cidade e explicou como uma tentativa de assalto em Paris acabou acelerando sua decisão de se mudar.

Afeto com Paris não apaga cidade ‘difícil de viver’

Draxler deixou claro que tinha uma relação de afeto com a capital francesa, mas a rotina fora de campo se tornou pesada. Principalmente após uma tentativa de roubo.

“Eu amo Paris, sempre amei, não é segredo! Mas no fim, tivemos alguns problemas com uma tentativa de assalto pouco antes de fecharmos com um time no Catar. Eu estava refletindo, achando que era cedo demais, e esse incidente aconteceu. Olhei para minha esposa e disse: acho que temos que ir para o Catar. Foi o pequeno empurrão que me convenceu”, relatou.

21.04.2021 Frankreich, Paris Coupe de France 20/21 Viertelfinale Paris Saint-Germain – Angers SCO v.l., Neymar (Paris Sa
Neymar e Draxler antes de jogo do PSG (Foto: Imago)

O meia explicou que a exposição que um jogador do PSG enfrenta tornava sua vida cotidiana complicada e citou Neymar como exemplo de badalação não cidade.

“Nem sempre era fácil passear por Paris com meu filho pequeno, eu tinha que me esconder com um boné. Não sou Neymar, mas se você joga no PSG, é difícil ter uma vida normal. No Catar, é o contrário, você pode olhar as pessoas nos olhos. Essa vida é mais normal para mim e, humanamente, me faz muito bem.”

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O peso da sombra de Neymar e Mbappé

Antes da saída, Draxler passou meses afastado do grupo principal, treinando com outros atletas fora dos planos. O alemão não escondeu o incômodo e expôs a ala de descartados que existiu no elenco.

Ainda assim, procurou não criar atrito. “É preciso aceitar, embora tenha sido muito duro. Eu não sentia que era pior que outros jogadores que estavam nos planos. Mas também é o ego falando. Aceitei a decisão. Nunca falarei mal do PSG, mas essa questão foi dura.”

Draxler também refletiu sobre o impacto das chegadas de Neymar e Mbappé e admitiu que a contratação da dupla, ambos na mesma janela de transferências em 2017, ajudou a frear suas oportunidades.

“Ficou complicado quando Neymar e Mbappé chegaram. Essas contratações mudaram muitas coisas para mim. Foi um prazer jogar com eles. Quando Neymar chegou… eu nunca tinha visto algo assim na minha vida, foi incrível! Por isso fiquei tanto tempo. Eu queria ver esse nível, como o Kylian evoluiria. Estar em campo com jogadores assim é um prazer, o sonho de todos.”

Mesmo sem espaço, Draxler guarda carinho pelo PSG, que definiu como “um clube um pouco maluco, no qual sempre acontecem histórias”. E não deixou de comentar o tão aguardado título europeu. “Fico feliz que eles conseguiram. Foi um dia especial porque eles venceram no dia do meu casamento em Paris. Não pude assistir ao jogo inteiro, mas um pouco sim, com o celular debaixo da mesa”, brincou.

“Fiquei muito feliz em vê-los comemorar na cidade, mas ao mesmo tempo pensei: ‘Ah, eu adoraria ter estado lá para ganhar essa primeira Champions League’”, disse o alemão.

Perto de completar 32 anos, Draxler ainda tem contrato até 2028 no Catar e, mais de dez anos depois de ter explodido como uma jovem promessa no Schalke, que lhe rendeu um título de Copa do Mundo com a Alemanha em 2014, o meia vive dias mais tranquilos no Oriente Médio.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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