Champions LeagueFrança

Navas repete no PSG o brilho que teve no Real Madrid, agora com o devido reconhecimento

Ainda colecionando grandes noites na Champions, costarriquenho encontrou em Paris um ambiente que as valoriza

Graças ao seu apoio, as colunas das cinco grandes ligas da Europa estão de volta. Faça parte do nosso financiamento coletivo no Apoia.se.

Alguns fatores pesam para que quase todos os elogios ligados à vitória por 3 a 2 do PSG sobre o Bayern de Munique na quarta-feira (7) recaiam sobre Kylian Mbappé: a nacionalidade francesa, o status de estrela desde a adolescência e, é claro, a grande atuação em si, com dois marcados. O atacante, no entanto, não foi o único cujo brilho contribuiu significativamente ao surpreendente triunfo. Do outro lado do campo, Keylor Navas teve mais um desempenho de brilho e confirmação, do tipo que há muitos anos vem colecionando, desde os tempos de Real Madrid. A diferença, aqui, é que o costarriquenho vê seus esforços devidamente reconhecidos.

Contratado pelo clube espanhol em 2014 após excelente participação na Copa do Mundo por uma Costa Rica que surpreendeu, Navas teve entre quatro e cinco anos constantes, em que justificou seu espaço no clube de maior prestígio do mundo. Tricampeão da Champions League pelos Merengues, evidentemente não teve os mesmos holofotes que Cristiano Ronaldo, Luka Modric ou até mesmo Gareth Bale naquelas conquistas, ainda que tenha sido tão essencial em todas elas com atuações salvadoras. Em sua trajetória na capital espanhola, fez mais do que o suficiente para merecer mais reconhecimento do que teve.

Em vez disso, o que viveu lá foi uma relação de desprestígio do início ao fim. Em 2015, ainda sem ter tido uma sequência de jogos para confirmar seu valor, viu seu nome envolvido na tentativa mal-sucedida de contratar David De Gea, do Manchester United, em uma troca que só não se concretizou por um atraso no envio de documentos ao fechamento da janela.

Dali em diante, ganhando seu espaço, colecionou grandes atuações e um desempenho extremamente regular enquanto, paralelamente, via a novela por De Gea se estender. De forma até sintomática da cultura madridista, enquanto o costarriquenho seguia atestando sua qualidade a cada semana e negando a necessidade de um reforço para a posição a partir de suas atuações, o clube ansiava por um nome de maior brilho, mais midiático.

A falta de “grife”, por assim dizer, e a personalidade mais reservada de Navas acabaram de certa forma lhe custando o reconhecimento e a continuidade que merecia na Espanha. Em 2018, o Real Madrid largou a busca por De Gea e apostou em Thibaut Courtois, então no Chelsea, e Navas teve uma última temporada no Santiago Bernabéu como segunda opção ao belga, ainda que seguisse mostrando a qualidade de sempre enquanto o recém-contratado patinava, acumulando atuações ruins.

Em 2019, enfim, a necessidade de Navas por mais minutos encontrou a busca do PSG por um goleiro estabelecido e confiável, capaz de multiplicar boas atuações. Desde o início da era Catar no princípio da década passada, o clube procurava um arqueiro capaz de se tornar referência.

Salvatore Sirigu, entre 2011 e 2016, havia sido quem melhor ocupara o posto debaixo das traves, mas suas atuações oscilantes especialmente na Champions League levaram os parisienses a buscar novas soluções. Kevin Trapp não convenceu, o garoto da base Alphonse Areola não se firmou, e, por fim, Gianluigi Buffon tinha o nome, a experiência e a grife, mas não mais as mesmas capacidades de outros tempos, virando uma das faces de uma das recentes eliminações vexatórias na Liga dos Campeões, contra o Manchester United, em março de 2019.

Desde que assumiu o posto em setembro de 2019, Navas confirmou o acerto da “aposta” do PSG, se é que podemos sequer chamar assim a sua contratação. Sua primeira grande prestação veio logo em tom de “vingança”. Em novembro de 2019, diante do próprio Real Madrid, o costarriquenho viu sua equipe ser dominada durante quase todo o confronto e, apesar de não impedir dois gols de Benzema, realizou intervenções de grande dificuldade para evitar um prejuízo ainda pior. No fim, ajudou a manter o PSG na partida, testemunhou seu novo time buscando o empate na reta final e deixou o gramado do Santiago Bernabéu aplaudido por um público madridista reconhecedor não só de sua grande noite, como também de sua contribuição nos anos anteriores – diferentemente do que fizera a diretoria.

Depois da campanha finalista inédita do PSG na Champions League passada, Navas vai se destacando na atual e forte candidatura dos parisienses ao título tão sonhado. Nas oitavas de final contra o Barcelona, ajudou seus companheiros a manterem a larga vantagem de 4 a 1 da ida com nove defesas na partida de volta. Agora nas quartas de final, apesar dos dois gols em que nada pôde fazer, acumulou dez defesas contra o Bayern de Munique, atual campeão europeu, e reforçou o status de goleiro de grandes jogos.

O reconhecimento a seus serviços, desta vez, não se limitam aos torcedores e a seus companheiros de vestiário. Em público, Navas recebe os louvores do clube, em diferentes níveis de hierarquia. Nasser Al-Khelaïfi, presidente do PSG, exaltou o costarriquenho após a equipe eliminar o Barça, descrevendo-o como “o melhor goleiro do mundo”: “Mostrou isso hoje mais uma vez. É realmente um grande goleiro e um grande homem. Quando o compramos, sabíamos quem estávamos comprando, porque ele já era um grande homem e um grande goleiro”.

Leonardo, diretor de futebol do clube, confrontado com rumores de uma possível contratação de Gianluigi Donnarumma, representado por Mino Raiola e em vias de discussão de um novo contrato com o Milan, apenas respondeu nesta semana, após o triunfo sobre o Bayern: “Navas, Navas, Navas. Temos o Navas”. Pochettino, técnico dos parisienses desde o início do ano, foi outro a demonstrar sua apreciação pelo arqueiro: “O Keylor é um dos melhores goleiros do mundo, não canso de repetir. Estamos muito contentes de tê-lo conosco. Ele segue mostrando que é efetivamente um dos melhores jogadores do mundo em sua posição”.

A posição em que joga e os companheiros de clube que tem, como Kylian Mbappé e Neymar, tornam difícil que Navas seja visto como o grande nome de uma eventual conquista do PSG. Ainda assim, às proporções do papel que desempenha, parece ter encontrado o ambiente que o valoriza à altura de seus feitos e que o recompensa pela regularidade difícil de se atingir em um posto tão vulnerável quanto é o do goleiro.

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo