FrançaLigue 1

Crise no Toulouse é um claro reflexo da economia francesa

Não é novidade para ninguém que a França tem atraído bons e bilionários investidores em clubes de futebol. Os exemplos extravagantes de Paris Saint-Germain e Monaco provam isso: nem sempre investimentos pontuais ou puramente estruturais são feitos pelos dirigentes, que compram times e os tratam como brinquedos.

Pois enquanto os outros dois manda chuvas vão gastando tubos de dinheiro em astros internacionais, sem medir o rombo que isso pode causar no futuro, o Toulouse anda na contramão dos euros fáceis e está beirando a falência. As receitas de TV não são mais tão satisfatórias, o público tem sido baixo e por consequência os Pitchouns não conseguem trazer nenhum grande patrocínio.

Os efeitos são devastadores. O dono do clube, Olivier Sadran, afirma que a situação está mais do que delicada e se não fosse por algumas vendas de jogadores efetuadas no último ano, a conta teria fechado pra lá de negativa. Em entrevista ao jornal local La Depeche, Sadran desabafa sobre as dificuldades encontradas pelos pequenos franceses, contrastando com os times que brigam pelo topo da Ligue 1.

O futebol virou uma ilha dentro da França

O cartola do Toulouse já enfrentou algo parecido quando assumiu os violetas em 2001 após um pedido de concordata. Três anos depois, o clube estava saudável e de volta à elite francesa. Se passaram nove anos, alguns jogadores promissores foram descobertos nas bases e negociados com o exterior ou as grandes forças locais. O retrato da própria França reflete no Toulouse, que vê seus patrocinadores retirarem a verba de um país que tenta sobreviver à crise.

Nesse contexto, apenas o futebol consegue prosperar, já que com a exposição no resto do mundo, as marcas de algumas equipes são expostas para torcedores de outros continentes. Sabendo dessa possibilidade, ricaços do Oriente Médio ou até da Rússia passam a derramar sua fortuna nos cofres de clubes com bom potencial de crescimento e exploração de marketing.

Terminando em 10º lugar na última edição da Ligue 1, que contemplou o PSG com o título, o Toulouse não tem nenhum motivo para sorrir enquanto as competições encaram a pausa até o mês de agosto: “O declínio na presença do público e no patrocínio afeta a grande maioria dos clubes e isso causa um enorme desastre, uma morte lenta no nosso futebol. Nosso orçamento não é apenas baixo, mas opera em déficit. Provavelmente não fizemos nada demais na liga, mas vendemos alguns atletas e isso nos permitiu encerrar o ano com balanço positivo. Alerto a todos que se não tivermos apoio da torcida e de anunciantes, o futuro do clube será complicado”, comenta Sadran.

O futuro não parece tão animador para os violetas

Enquanto sobrevive de vendas dentro do elenco, o Toulouse não tem grandes expectativas, sobretudo com a chegada de mais times com cacife estrangeiro para bancar a construção de um elenco apropriado. Sadran enxerga que o futuro não é nem um pouco animador: “Temos sim jovens garotos que são muito talentosos. Mas não há chance que os recrutemos três ou cinco outros jogadores para o plantel. Me parece razoável que terminemos o campeonato entre a 5ª e a 15ª colocação. E se alguém tiver alguma ideia melhor para sobreviver, que venha com um talão de cheques”, vocifera Olivier.

Por agora a palavra de ordem nos violetas parece ser apenas sobreviver. Evitar o rebaixamento com os recursos encontrados em caixa e tentar amenizar as perdas com as vendas de seus atletas. Uma hora a fonte seca, e quando isso acontecer, poderá ser irreversível. Ou será que o Toulouse encontrará seu salvador em tempo suficiente para evitar uma nova derrocada?

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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