França

Mudanças no principado

Em campo, o Monaco finalmente deu fim a uma série de nove partidas seguidas sem vencer na Ligue 1 (nas últimas quatro, o time apenas colecionou derrotas). Diante do Strasbourg, rival direto na briga contra o rebaixamento, o ASM venceu por 2 a 0 e respirou um pouco mais aliviado por se distanciar do bloco dos últimos colocados. Apesar da euforia, o elenco teve pouco tempo para se sentir aliviado, pois o ambiente voltou a nublar. Michel Pastor e Gérard Brianti, presidente e vice do clube, respectivamente, entregaram seus cargos, em decisão aceita pelo príncipe Albert.

Os dois principais dirigentes do ASM estavam no comando do clube desde a temporada 2004/05. Na época, a nomeação de Pastor via MFI (Monaco Football Investissement) trazia a esperança de uma solução para os problemas financeiros vividos pela equipe. Além disso, os torcedores sonhavam com a montagem de uma equipe poderosa, dada a recente campanha na Liga dos Campeões. O time sagrou-se vice-campeão do torneio e contava com atletas como Ludovic Giuly, Patrice Evra, Jérôme Rothen, Dado Prso e Fernando Morientes. Contudo, logo o futuro promissor se revelou um período de vacas magras.

Para começar, o ASM foi incapaz de encontrar substitutos com uma mínima qualidade para seus principais jogadores. Era mesmo de se esperar um desmanche da equipe dada a exposição alcançada pelo desempenho na LC, mas daí em diante o time entrou em queda livre. A política de contratações se revelou equivocada a cada temporada, com tentativas ainda piores de emendar as bobagens feitas no início de cada uma delas no mercado de inverno. A falta de critérios mudou a imagem do clube de uma possível vitrine para um monte de atletas em fase final de suas carreiras ou eternas promessas.

O reflexo desta ausência de cuidado se reflete na equipe montada para esta temporada. Com um elenco no qual se apostou em uma série de sul-americanos desconhecidos, a ausência de um espírito de grupo chama a atenção. O individualismo em excesso provocou vexames como os sofridos diante do Bordeaux (6 a 0 em pleno Louis II), Lyon (3 a 0) e Caen (4 a 1). Para sorte do time do principado, o Strasbourg consegue viver momento pior, com sua quinta derrota consecutiva e sem balançar as redes há quatro jogos. A vitória, uma obrigação, não esconde as dificuldades de uma equipe desequilibrada em seus diferentes setores.

Além disso, a alta rotatividade dos treinadores no banco de reservas atrapalhou a criação de projetos a longo prazo. Didier Deschamps, Jean Petit, Francesco Guidolin, Laszlo Bölöni, Laurent Banide e, agora, Ricardo Gomes sentiram na pele como trabalhar com um orçamento reduzido, elenco deficiente em alguns setores (no momento, a defesa consiste no ponto fraco) e constantes rumores sobre uma possível demissão logo nos primeiros resultados negativos.

Logo em um momento complicado para a equipe, a troca na presidência traz ainda mais incertezas à equipe. O próprio Ricardo Gomes se vê no meio de dúvidas quanto ao seu futuro. Jérôme de Bontin, administrador do ASM desde 2002 e pessoa próxima do Palácio, assumiu a presidência interina do conselho de administração do clube. Ele fez sua carreira nos Estados Unidos, ligado à área de finanças e participou do conselho de administração da federação americana de futebol. Se ele proporcionar ao menos condições estáveis de trabalho, já seria uma evolução para o Monaco.

Paris Saint-Germain afunda

Pouco adiantou vencer o Strasbourg, rival direto na briga para se manter na Ligue 1, na rodada anterior. O Paris Saint-Germain voltou a viver seu pior pesadelo ao visitar o Nancy. Candidato a uma vaga na Liga dos Campeões, o ASNL entrava em campo pressionado pelo crescimento do Olympique de Marselha, vencedor do duelo com o Lyon. Prevaleceu a força de quem está no topo da tabela, subjugando uma equipe que até não esteve tão mal em campo, mas insiste em se comprometer com seguidas falhas individuais.

No começo, o Nancy foi com tudo para cima dos visitantes, que se seguraram como podiam. Passada a empolgação inicial dos anfitriões, o PSG enfim colocou a cabeça para fora d’água e começou a atacar. Seu meio-campo conseguia anular o do adversário, apesar da força do 4-5-1 montado por Pablo Correa, e vez por outra ameaçava chegar à meta. Estava tudo muito bem nos primeiros 45 minutos, mas a volta do intervalo se revelou desastrosa para o time da capital.

Os donos da casa se aproveitaram do recuo excessivo do PSG, disposto a querer arrancar um ponto de qualquer forma. Para se ter uma idéia da postura covarde dos parisienses, Diané foi obrigado a recuar para o meio-campo para ao menos tentar tocar na bola, já que ela não chegava ao ataque. E assim o Nancy se animou, pressionou e contou com a ajuda de Landreau na cabeçada de Fortuné para marcar. Paul Le Guen se viu obrigado a mexer na equipe e colocou Luyindula, Souza e Arnaud em campo. Tudo ficaria melhor se a equipe não apostasse tanto nos longos lançamentos. A defesa do ASNL agradeceu, enquanto a torcida do clube da capital arrancava seus cabelos.

No entanto, o Lens conseguiu façanha ainda pior. Em casa, os Sang et Or tinham pela frente o Metz, com a possibilidade de definir oficialmente o rebaixamento do lanterna da Ligue 1. A equipe comandada por Jean-Pierre Papin pagou pelo mesmo pecado exibido pelo PSG. Quando o time abriu o placar no primeiro tempo, depois de uma grande pressão sobre o rival, simplesmente se acomodou em campo. Mesmo diante de um rival frágil e da necessidade de obter uma vitória a qualquer custo, a apatia da equipe do norte surpreendeu.

Como na final da Copa da Liga, Hilton enterrou o Lens. O brasileiro mais uma vez cometeu uma falta boba nos acréscimos. O lance deu origem ao gol de empate do Metz, que se não apresentou um grande futebol, teve o mérito de acreditar até o final em suas forças. Uma virtude da qual os Sang et Or e o Paris Saint-Germain necessitam demais. No jogo atrasado da 31ª rodada, Papin observou a derrota de seu time por 2 a 0 para o Saint-Etienne com a mesma fisionomia de desespero.

No mesmo barco, o Toulouse sofreu diante do Lorient em casa para segurar um empate sem gols. A ausência de Elmander pesa nestes importantes jogos da reta final do campeonato, pois nem sempre se dá para apostar em Emana como salvador da pátria. Arribagé ainda foi expulso no final, para complicar um pouco mais a situação do TFC, de planos tão ousados no início desta temporada.

Se a disputa entre o quarteto para ver quem cai ganha contornos extras de emoção, a briga pelo título também ganhou um tempero especial. O Olympique de Marselha deu seu toque pessoal à briga ao derrotar o Lyon no Vélodrome e ajudar o Bordeaux a diminuir a diferença. Embora o Nancy tenha vencido seu compromisso e se mantenha em terceiro, o triunfo sobre o líder absoluto da competição certamente encherá o OM de ânimo para tentar desbancar o ASNL da vaga na fase preliminar da Liga dos Campeões.

A chave do desmanche da defesa lionesa foi a saída prematura de Toulalan, machucado, aos dez minutos de jogo. Sem seu principal marcador e responsável pelo primeiro passe na direção do ataque, o OL demorou para se reorganizar em campo. Eric Gerets montou sua equipe em um 4-5-1 voltado para o ataque, com seu melhor quarteto à disposição (Cissé, Niang, Akalé e Nasri) para armar e concluir suas jogadas ofensivas.

Com os espaços abertos à disposição, os marselheses logo abriram uma vantagem de 2 a 0. Para piorar a situação dos visitantes, Fred se lesionou e também deixou o campo no primeiro tempo. Era muito azar para um dia só. Embora tenha criado dificuldades no segundo tempo, o Lyon ainda contou com uma atuação pouco inspirada de seus defensores. Os seis pontos de vantagem para os girondinos, embora deixem uma margem muito boa para um tropeço aqui e ali, não devem se tornar desculpa para a falta de atenção em duelos tão decisivos.
 

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Equipe Trivela

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