França

Monaco sonha alto, mas o caminhão de grana não resolve

Como é bom ser rico. Você gasta todo o seu dinheiro com móveis caríssimos, itens dispensáveis, um carro novo e outras coisas que você nem sabia que queria, mas como a conta no banco vai bem, compra sem pensar.

Esse é o panorama do Monaco, que não bastasse o inesgotável dinheiro de caixa, quer virar outro time completamente diferente. Gastando tubos e tubos de grana em novos reforços, a equipe do principado chefiada pelo russo Dmitry Rybolovlev deve mudar bastante seu elenco para esta temporada e terá com isso alguns problemas de entrosamento. Até agora, os reforços mais impactantes foram Falcao García, James Rodríguez, Ricardo Carvalho, João Moutinho e Jéremy Toulalan, anunciado neste domingo.

Evidente que as chegadas não devem parar por aí, já que o projeto é muito ambicioso e o Monaco quer ter um time competitivo para brigar logo de cara pelo título e pela Europa em curto espaço de tempo. Esse processo é natural, mas a história conta que os novos milionários demoraram um certo tempo para chegar ao patamar desejado. Chelsea, Manchester City e Paris Saint-Germain bateram na trave ao tentar conquistar algum título nacional. Exatamente por essa razão, resolvemos fazer um exercício de imaginação: como será que o Monaco vai fracassar nesta primeira temporada? Contamos direitinho essa história fictícia (ou não, só o tempo dirá) a seguir.

Marco Borriello, reserva de Falcao no Monaco
Marco Borriello, reserva de Falcao no Monaco
Novas e decepcionantes contratações

Claudio Ranieri é o treinador do Monaco. Isso por si já indica que o time não podia jamais ser campeão. O italiano queria reforçar ainda mais seu setor defensivo e escolher algum goleiro mais jovem que Flavio Roma, já com 39 anos. Antes do início do campeonato, fechou com Abbiati de 36, que virou titular absoluto. Givet veio para formar a dupla de zaga com Ricardo Carvalho, Diego Buonanotte fechou o quarteto do meio campo com Toulalan, Moutinho e Jakob Poulsen, deixando seu compatriota Ocampos no banco. Soberano no ataque, Falcao teve seu patrício James Rodríguez ao lado, dando lugar a Borriello nos jogos menos importantes. Borriello estava infeliz na Itália e queria reencontrar a alegria no futebol. Ainda no banco, Fernando Meira, Marco Cassetti e Simone Perrotta (apostas pessoais do professor) deram um ar de experiência ao plantel.

Duelo contra rivais diretos no primeiro turno

O Monaco conseguiu se impor contra os rivais diretos pelo título, apesar de começar com dois pontos a menos como punição por uma invasão de campo. Venceu o Bordeaux, o Lyon, o Saint-Étienne, perdeu apenas de 1 a 0 para o PSG, com gol de Ibrahimovic e empatou com o Marseille, na 19ª rodada. Terminaram o primeiro turno na liderança, com quatro pontos na liderança, já que os parisienses estavam preocupados em se classificar na Liga dos Campeões. A outra derrota dos monegascos veio contra o Bastia, aos 47 do segundo tempo e por 2 a 1, quando Ricardo Carvalho demorou para ajeitar as meias num escanteio e se esqueceu de marcar Ilan, que testou para o fundo das redes de Abbiati. Falcao marcou 23 gols. Oito deles contra Guingamp e Stade de Reims.

Tédio na segunda metade e decadência

O PSG focou na fase final da Liga dos Campeões, o Lyon caiu cedo e foi parar na Liga Europa, onde Nice e Saint-Étienne surpreenderam e avançaram às quartas de final. O Bordeaux foi Bordeaux e caiu na fase de 16 avos de final, perdendo de goleada para o Stromsgodset em casa no jogo de volta. Sem ter concorrentes interessados, o Monaco começou a murchar e empatou três jogos seguidos contra Evian, Sochaux e Rennes. Falcao marcou nesses três jogos, mas o time insistia em levar gols no fim. Quando veio a revanche com o PSG, eliminado nas quartas da LC, Ibrahimovic descontou todo o tempo que ficou em jejum na Europa e fez um hat-trick no 4 a 1 dentro do Parc des Princes. Abbiati torceu o tornozelo no terceiro gol e Roma voltou frio para assumir a baliza nos 12 jogos restantes.

Fim tenebroso e Ranieri fazendo das suas

Faltavam 12 jogos para o fim da Ligue 1, e Ranieri ranierou bancando Ocampos na vaga de James Rodríguez, deixando apenas Falcao no ataque. O meio-campo então ficou com Mavuba (contratado em janeiro), Toulalan, Perrotta, Moutinho e Ocampos, sendo apenas o último livre de marcação para criar. Falcao não é Messi e as bolas pararam de chegar no colombiano, que terminava todo jogo passando raiva por só ser acionado em bolas paradas, escanteios. Isso quando não arrancava com a bola no meio e chutava de fora da área. Já com 34 gols, o atacante não impediu a queda livre do seu time, que depois daquela derrota para o PSG, ainda viu Montpellier (3 a 1) e Nantes (2 a 1) saírem com três pontos dos duelos contra o Monaco. Diante do Nantes, aliás, quase os monegascos tiveram um herói inesperado: Carlos Alberto fez um gol de falta aos 42 e empatou para os Rouge-et-blanc, mas Aristeguieta (o Falcao pobre dos Canários) driblou Roma aos 45 minutos finais e acabou com as esperanças de reação.

Já ameaçado de demissão, o treinador ainda encontrou tempo para mais uma presepada: voltou atrás na escalação de Ocampos e deixou Carlos Alberto como titular, acreditando que o brasileiro teria maturidade para ajudar na reação do time. Em quarto, o Monaco já se despedia do título quando venceu o Bastia por 1 a 0, gol de Borriello. Ele perdeu quatro chances claras durante o primeiro tempo e só se mexeu quando viu seu número na placa de substituição, driblando três para marcar e sair aplaudido do Louis II.

Na liderança, o PSG já abria larga vantagem de oito pontos sobre o Lyon, que era seguido de Marseille e Monaco, brigando cada rodada pelo terceiro posto. Logo atrás estavam Lille, Saint-Étienne e Nice, numa escadinha e separados por apenas dois pontos, três atrás de marselheses e monegascos. O Lille deu o pulo do gato (no caso, do cachorro) e bateu no Monaco por 1 a 0 em casa, empatando na classificação e tirando a distância dos Rouge-et-blanc para o pelotão intermediário.

Antoine Kombouaré, substituto de Claudio Ranieri pouco antes do fim da temporada
Antoine Kombouaré, substituto de Claudio Ranieri pouco antes do fim da temporada
O troféu de consolo

Montpellier e Toulouse arrancaram empates suados do Monaco nas últimas cinco rodadas. O time treinado por Antoine Kombouaré, substituto de Ranieri (demitido após a derrota para o Lille), precisava vencer os três compromissos derradeiros contra Lorient, Bordeaux e Marseille. Venceu os dois primeiros e sonhava com uma remota chance de bater no OM por 5 a 0 para tirar a diferença no saldo e ainda torcer contra Lille e Saint-Étienne. Os dois também podiam se aproveitar do tropeço marselhês para brigar pela vaga LC. Falcao fez um hat-trick e o jogo foi para o intervalo com 3 a 1 no placar.

Kombouaré liberou Toulalan e Moutinho para a criação e o time ficou com três armadores e apenas Mavuba na contenção. Valbuena diminuiu com um gol de falta e Jordan Ayew, com espaço no meio, achou Payet, que empatou de voleio. Por sorte, apenas o Saint-Étienne venceu, mas não conseguiu ultrapassar o Marseille. PSG, Lyon e OM foram para a LC, Lille e Monaco ganharam a Liga Europa como consolo. Rybolovlev socou a mesa e pediu mais reforços para 2014-15, exigindo que o seu time fosse campeão francês. Sabe qual foi a principal ideia? Investir pesado em jogadores de renome. Será que vai dar certo?

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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