FrançaLigue 1

Monaco faz da janela de transferências uma brincadeira de criança

O Monaco abriu seu caixa-forte e já mostrou que não está para brincadeira em seu retorno à Ligue 1. Em uma tacada só, o time do principado sacou € 70 milhões para reforçar seu elenco com o atacante James Rodríguez e o meio-campista João Moutinho, que assinaram por cinco temporadas. Com dinheiro jorrando da fonte do bilionário russo Dmitry Rybolovlev, o ASM desperta desconfiança (para não falar temor) dos adversários (inveja?) e assegura transferências que beiram a ignorância pelos valores envolvidos.

O clube, lógico, já está no topo de todos os principais rumores do futebol europeu. Carlos Tevez, Falcao Garcia, Victor Valdés, Daniel Alves e outros tantos já apareceram como alvos em potencial do novo-rico. Ricardo Carvalho, cujo contrato com o Real Madrid está no fim, também foi seduzido pelo canto da sereia monegasca e o zagueiro já acertou com o clube do principado.

O projeto do Monaco se mostra bastante perigoso. Por mais que seu dono tenha dinheiro até dizer chega, o clube já vai para a temporada 2013/14 pressionado para fazer bonito. As comparações com o Paris Saint-Germain são inevitáveis, mas existe uma diferença crucial entre o que o ASM está fazendo agora e a situação na qual os qatarianos encontraram o clube da capital.

O Monaco acabou de subir para a primeira divisão, não tem vaga em competição europeia e ainda tem uma briga imensa pela frente fora dos campos. O PSG, quando foi vendido, batia na trave para se classificar para a Champions e, bem ou mal, conseguia algumas boas campanhas na Ligue 1. Claudio Ranieri, treinador do ASM, tem consciência de que varrer do elenco quem roeu o osso na Ligue 2 seria o primeiro passo para o fracasso.

O apetite de Rybolovlev ignora que o Monaco não conta com a simpatia dos demais clubes franceses por conta dos benefícios fiscais do principado, o que gera uma concorrência desleal para a contratação de jogadores. Se em condições normais esta disputa por jogadores já é desigual, quando a grana nasce em pencas pelos lados monegascos, o quadro chega a níveis insuportáveis.

Vale lembrar que a Ligue de Football Professional (LFP) exige o pagamento de uma compensação de € 200 milhões (pagos ao longo dos próximos cinco anos) exatamente para reduzir o impacto destas benesses fiscais. Rybolovlev deu de ombros. O Monaco desafia qualquer lógica financeira com propostas que fariam inveja a Dali em seus mais loucos delírios surrealistas.

Especula-se uma proposta de € 45 milhões para Falcao Garcia, com salário anual de € 14 milhões – o colombiano recebe atualmente € 4,5 milhões do Atlético de Madrid. Qualquer ausência de LC é esquecida rapidamente com estas cifras, que podem seduzir ainda mais jogadores. Enquanto movimenta a janela de transferências, o ASM amplia seu número de inimigos e desperta, desde já, temores de fazer da Ligue 1 apenas um brinquedo.

Acabou

O Lille saiu como grande derrotado da última rodada da Ligue 1. O time ainda tinha esperanças de se classificar para a Liga Europa, mas amargou um empate por 1 a 1 com o Saint-Étienne em casa e viu o Nice ficar com a vaga. O OGC cumpriu sua parte ao derrotar o Ajaccio por 2 a 0 na Córsega e contou com o tropeço dos riviais.

Pela primeira vez desde a chegada de Rudi Garcia, em 2008, o Lille fica fora da disputa de uma competição europeia. A esperança era quase nula no fim de janeiro, quando o time ocupava o 11º lugar, mas a incrível reação da equipe permitiu à torcida sonhar com algo maior. Era uma ilusão. Diante dos Verdes, os Dogues fizeram uma partida emblemática e que resume muito bem como foi sua temporada.

A necessidade de vencer o rival não empolgou o Lille no começo da partida. Tímido, o time da casa oscilou demais durante o jogo. Abriu o placar com Kalou ainda no primeiro tempo, mas sofreu o empate no começo da segunda etapa após Hamouma aproveitar um vacilo no posicionamento da defesa. A expulsão de Guilavogui parecia ser a chave para a vitória dos Dogues, mas foi apenas o marco da incapacidade do time.

O Lille dominou o Saint-Étienne nos vinte minutos finais de jogo, mas não soube transformar essa superioridade em gols. Ruffier fechou o gol dos Verdes, é verdade, mas o LOSC pecou pela falta de objetividade e pelo nervosismo quando precisava definir o jogo e matar o rival. O empate por 1 a 1 apenas deu sequência ao pífio 0 a 0 com o Montpellier na rodada anterior e que azedou qualquer chance de vaga na Liga Europa.

Melhor para o Nice, que sentirá o gosto de ser europeu logo na primeira temporada de seu estádio tinindo de novo. O OGC adotou uma postura inteligente na Córsega, fazendo a bola rolar de um lado para o outro, com um plano de jogo bem definido, à espera de uma brecha na defesa rival. Foi o que fez Dario Cvitanich ao aproveitar uma bobeada para abrir o placar. Bauthéac completou o serviço e selou a classificação.

Já rebaixado, o Nancy se despediu da Ligue 1 com a cabeça erguida. O ASNL bateu o também degolado Brest por 2 a 1, que igualou o recorde de onze derrotas consecutivas estabelecido pelo Strasbourg em 2007/08. A vitória, claro, não apaga a pífia participação do time nesta temporada. O Nancy foi para a pausa de inverno com apenas onze pontos ganhos. Deu a impressão de que protagonizaria uma das maiores reviravoltas no torneio, mas acabou degolado com justiça.

As derrotas para Lyon (3 a 0) e Bordeaux (3 a 2) recolocaram o Nancy em seu devido lugar. O time até tentou se reerguer após a saída do treinador Jean Fernandez, mas reconstruiu suas bases em um alicerce frágil. O time pagou o preço pelo rejuvenescimento de seu time, principalmente após a pausa de inverno. Foi exatamente esta inexperiência a grande responsável pelos tropeços em momentos decisivos. Agora, haverá mais tempo para uma reforma geral.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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