Copa da FrançaFrança

Maçã mordida

Mais uma vez, o Quevilly surpreendeu e chegou à final da Copa da França. Ao desbancar o Rennes e conquistar o direito de disputar o título contra o Lyon no Stade de France, o modesto time ficou muito perto de conseguir o maior feito de sua história, mas uma eventual taça criará um problema. Em tese, a equipe não poderá disputar o Troféu dos Campeões contra o campeão da Ligue 1 em partida a ser disputada em Nova York.

Pelo regulamento da Liga de Futebol Profissional (LFP), apenas clubes profissionais podem disputar o Troféu dos Campeões. O Quevilly, que disputa o National (terceira divisão), possui o status de clube amador. Caso triunfe sobre o OL no próximo dia 28, o time pode não ter o direito de ver sua festa se prolongar em uma viagem aos Estados Unidos.

O artigo 800 do regulamento da LFP prevê que “os casos não previstos serão analisados pela comissão de competições da entidade”. Seria um tiro no pé se Frédéric Thiriez, presidente da LFP, esfregasse suas mãos com feição maquiavélica e impedisse o Quevilly de participar de uma competição da qual conquistou o direito de disputar de forma legítima em campo – isso, claro, se derrotar o Lyon. Se o título lhe dá a passagem para a Liga Europa, nada mais natural do que permitir também um lugar no Troféu dos Campeões.

Finalista da Copa da França em 1927 e semifinalista em 1968 e 2010, o Quevilly se tornou o mais moderno herói da competição. Desta vez, a história foi escrita com tons dramáticos. Após um primeiro tempo apático, o time da terceira divisão foi para os vestiários com uma derrota parcial por 1 a 0 e subjugados de forma incontestável pelo Rennes. A entrada de Karim Hérouat, com passagem pelo centro de formação do PSG, mudou completamente os rumos da partida.

O reserva inverteu a tendência do jogo; de dominado e mentalmente derrotado, o Quevilly passou a ser o time com atitude e que colocava pressão no adversário. Ele marcou o gol de empate e viu Laup, nos acréscimos, levar o estádio Michel d’Ornano à loucura. Após o Olympique de Marselha, mais um grande tombava diante dos pés de Davi.

Desde 2001, com o Amiens, um clube da terceira divisão não chega à decisão da Copa da França. Apenas dois campeões do torneio não pertenciam à elite do país: Le Havre (1951) e Guingamp (2009). O Quevilly tenta agora entrar para a história e, para isso, conta com o brio de jogadores formados em clubes da Ligue 1, mas com passagens de pouco brilho. Além de Hérouat, Cédric Vanoukia foi revelado… no Rennes que ele ajudou a derrubar.

O técnico Régis Brouard segue uma linha de trabalho calcada na valorização do lado humano e é visto também como uma espécie de guia pelo elenco. Misturando um pouco de psicologia e discurso motivacional, ele tem conseguido inflar seus atletas a ponto de superar as claras limitações do grupo. Pode soar como uma técnica questionável, mas até agora tem funcionado muito bem. Que o Lyon se cuide para não ser o último degrau da escalada do Quevilly.

O mínimo

O título da Copa da Liga Francesa trouxe um pouco de ânimo ao sorumbático clima no Olympique de Marselha provocado pelo pífio desempenho na reta final da temporada. A vitória sobre o Lyon por 1 a 0 na decisão serviu para encerrar a série maldita de 12 partidas sem triunfos (sendo incríveis onze derrotas e um empate). A classificação para a Liga Europa ameniza o panorama de trevas que se desenhava no Vélodrome, mas isso não significa dizer que tudo agora é motivo de alegria.

O OM tem sete partidas a disputar pela Ligue 1 (a coluna foi escrita antes da partida contra o Caen nesta quarta, 18). O time ocupa a 10ª posição na Ligue 1 com 40 pontos, apenas sete a mais do que o Sochaux – a primeira equipe da zona do rebaixamento. Parece demais falar em queda para os marselheses, mas a matemática exige um pouco de respeito.

Embora o OM não deva sonhar mais do que com o oitavo lugar, a equipe terá papel decisivo para a definição de quem disputará a Ligue 2 na temporada seguinte. Nada menos do que quatro equipes que tentam se salvar (Caen, Lorient, Auxerre e Sochaux) cruzam o caminho marselhês nestas últimas rodadas. Há ainda um duelo contra o Saint-Étienne, que tenta se classificar para alguma competição continental.

Embora estes confrontos finais pouco signifiquem para o Olympique, o desempenho do time nestas partidas será crucial para curar algumas feridas. A principal delas será recuperar a confiança da torcida, rompida com o time e que deu uma trégua nos protestos apenas por conta da decisão da Copa da Liga Francesa.

Do ponto de vista individual, pelo menos cinco jogadores também querem aproveitar estes jogos derradeiros para assegurar um lugar em suas respectivas seleções na Eurocopa. Enquanto Steve Mandanda está muito bem encaminhado, Mathieu Valbuena, Loïc Rémy e Alou Diarra ainda tentam convencer o treinador Laurent Blanc a convocá-los para a seleção francesa. Já Cesar Azpilicueta tenta cavar uma vaguinha na Espanha.

Tropeço

Jogando como visitantes na 32ª rodada da Ligue 1, Montpellier e Paris Saint-Germain tropeçaram diante de Lorient e Auxerre, respectivamente. Pior para o PSG, que desperdiçou uma excelente chance de se aproximar do líder e amargou um empate por 1 a 1 com o lanterna do campeonato.

O time da capital deu toda a impressão de que venceria o AJA com facilidade, mesmo atuando no Abbé-Deschamps. As ocasiões de gol se multiplicavam, mas o preciosismo dominou os jogadores do PSG. Ménez, por exemplo, conseguiu errar sua finalização mesmo após superar o goleiro Sorin; já Nenê, autor do gol parisiense, exagerou no individualismo ao ignorar um livre e desesperado Gameiro.

Esta falsa impressão de que venceria com facilidade o Auxerre e no momento em que desejasse fez o PSG se acomodar. Ao mesmo tempo, devolveu a confiança ao AJA. Os donos da casa mantiveram a esperança até o fim e foram premiados com o empate a poucos minutos do fim. Carlo Ancelotti teve sua parcela de culpa no deslize ao mudar sua linha defensiva quando, enfim, o setor estava bem em campo.

Aos 39 minutos, Ancelotti resolveu colocar Diego  Lugano no lugar de Bodmer. Foi o suficiente para desestruturar a defesa parisiense, até então com um equilíbrio poucas vezes visto no ano. Bisevac foi deslocado para a direita, Jallet avançou para o meio-campo e o uruguaio formou a dupla de zaga com Alex. Não houve muito tempo para que tudo funcionasse bem. Le Tallec aproveitou estes momentos de indecisão para, aos 41 minutos, definir o resultado.

Antes, o Montpellier havia perdido para o Lorient por 2 a 1 e, curiosamente, mostrou que não se dá tão bem em gramados sintéticos. Um mês antes, o MHSC havia sido derrotado pelo Nancy por 1 a 0 no mesmo tipo de campo. Um resultado justo, já que os Merlus, mesmo sem vários titulares, pressionaram o líder desde o início.

O Montpellier demorou demais para entrar no ritmo da partida e sofria com seu meio-campo pouco intimidador e uma defesa fragilizada. A postura do MHSC mudou no segundo tempo, quando o time adiantou a marcação. No entanto, os líderes continuavam inofensivos e caíram diante de um Lorient empurrado por sua torcida, que comemorou a saída da zona de rebaixamento.

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