O problema que assola o Lyon e pode frear boa sequência de Endrick
Após bons meses, Lyon oscila em março e pode comprometer evolução de atacante que retornou à seleção brasileira
O mês de março tem sido um freio brusco na empolgação do Lyon. Depois de uma sequência animadora entre janeiro e fevereiro, o time francês entrou em um ciclo de resultados instáveis: quatro empates, uma derrota e a eliminação nas quartas de final da Copa da França, diante do Lens.
Mais do que os números, porém, o que salta aos olhos é a queda física da equipe — um problema que começa a impactar diretamente o rendimento coletivo e, por tabela, o desempenho de peças-chave como Endrick.
Emprestado pelo Real Madrid até o fim da temporada, o atacante brasileiro encontrou no Lyon o espaço que lhe faltava na Espanha e retornou à seleção brasileira. Com mais minutos em campo e sequência como titular, passou a ser parte ativa do sistema ofensivo. No entanto, o contexto atual ameaça interromper esse crescimento: um time desgastado fisicamente tende a produzir menos, criar menos — e, consequentemente, expor mais seus atacantes a jogos de baixa eficiência.
A percepção de desgaste não vem apenas de fora. Internamente, o discurso já admite o problema. Após o empate com o Paris FC, no início de março, o zagueiro Moussa Niakhaté foi direto ao ponto.
— Não sei se é certo dizer isso e ser sincero demais, mas é verdade que fisicamente está começando a ficar difícil. Sentimos isso desde o primeiro tempo; houve uma queda de energia e foi difícil manter o ritmo.
Lyon sofre com elenco curto e lesões em série

O cenário se agrava com o acúmulo de baixas. O departamento médico do clube está cheio, com nomes importantes fora de combate, especialmente no setor ofensivo. Fazem parte dessa lista: Afonso Moreira, Pavel Sulc, Ruben Kluivert, Ainsley Maitland-Niles, Malick Fofana e Ernest Nuamah.
A ausência de opções reduz a capacidade de rotação e aumenta a carga sobre os titulares — um ciclo que retroalimenta o problema físico. “Estamos afundando? É mais que não temos margem para erros porque muitos dos nossos jogadores de ataque estão lesionados”, afirmou um membro da comissão técnica de Paulo Fonseca.
Nos bastidores, há também questionamentos sobre a metodologia de treinos. A preparação tem sido fortemente orientada para aspectos táticos, com atividades em espaços reduzidos e menor ênfase no volume físico.
— Nunca houve tantas lesões. Dá para pensar que os músculos da coxa dos jogadores mais explosivos cederam porque eles não treinam o suficiente durante a semana — ironizou um um ex-preparador físico do clube ao jornal “L’Équipe”.
Ao mesmo tempo, há fontes dentro do Lyon que relativizam. O time de Paulo Fonseca disputou três competições em alta intensidade, em um calendário exigente, e conta com atletas vindos de ligas com menor carga física. A adaptação à Ligue 1 — frequentemente apontada como uma das mais intensas da Europa — também entra na conta.
— Os outros jogadores (Ruben Kluivert e Pavel Sulc) vêm de ligas estrangeiras (Portugal e República Tcheca), onde a intensidade e o aspecto físico são completamente diferentes da Ligue 1. É normal que eles se lesionem. Somos o único time, junto com o Strasbourg, a ter disputado três competições em intensidade máxima, e a Ligue 1 é incrivelmente difícil. É a mais difícil depois da Premier League, e muitos jogadores jogaram demais. É simples, não há ninguém para culpar. Todos têm lesões: Paris, Lens, Lille — afirmou uma fonte do Lyon ao “L’Équipe”.
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Impacto direto em Endrick?

Nesse contexto, Endrick se vê diante de um paradoxo. Ao mesmo tempo em que ganha protagonismo e minutagem, passa a atuar em um time que produz menos e sofre para manter ritmo. Para um atacante de características explosivas e dependente de dinâmica ofensiva, isso pode significar menos oportunidades claras e maior isolamento em campo.
Além disso, o desgaste coletivo afeta a própria estrutura do jogo. Linhas mais espaçadas, transições mais lentas e menor pressão na saída adversária reduzem a capacidade do Lyon de sustentar um modelo agressivo — justamente o tipo de cenário que favoreceria o brasileiro.
Se por um lado a sequência como titular é um ganho evidente, por outro o contexto físico do elenco pode limitar o impacto de Endrick no curto prazo. Em um time que dá sinais de cansaço e convive com desfalques constantes, o crescimento individual passa, inevitavelmente, pela recuperação coletiva.
Endrick desde que chegou ao Lyon:
- 12 jogos
- 6 gols
- 3 assistências



