França

Lyon: dançando na chuva

O Lyon vivia um jejum superior a um mês sem vitórias na Ligue 1. Apesar dos tropeços, e com certa dose de sorte com os tropeços dos seus principais adversários, os lioneses se mantiveram na ponta, mas com uma pequena vantagem. A ilusão dos concorrentes durou pouco. Vieram os duelos contra Sochaux e Le Mans e tudo voltou ao normal em Gerland. Dois triunfos consecutivos foram suficientes para o OL abrir uma vantagem de quatro pontos sobre o vice-líder Olympique de Marselha, e logo em uma semana-chave para as pretensões do clube na temporada.

O grande nome do time nestas duas partidas foi Karim Benzema. Tanto no duelo contra os Leões como no confronto com o MUC 72, o atacante se encarregou de abrir o caminho para o triunfo dos heptacampeões. Ao ser o responsável por encontrar o caminho mais livre mesmo no meio da tempestade para que seus companheiros passassem incólumes, ele confirmou sua vital liderança e poder de decisão mesmo sob condições adversas. Um sinal de maturidade, mas que também deve se repetir dentro da seleção francesa – na Eurocopa, por exemplo, ficou marcada a grande decepção por conta de seu desempenho apagado no torneio.

Há de se convir que derrotar o lanterna Sochaux, mesmo fora de casa, não parece ser das missões mais complicadas. Ou mesmo bater um Le Mans que finalizou apenas duas vezes em pouco mais de 90 minutos. O destaque fica para a capacidade de Benzema em arcar com a responsabilidade de se concentrar e não se esconder quando se faz necessária sua presença. Se ele não tomasse a frente das ações, talvez o Lyon vencesse seus dois compromissos da mesma forma, mas sem a mesma tranqüilidade.

O Le Mans chegou a Gerland invicto como visitante. De quebra, o Lyon também vinha pressionado pelos resultados do sábado, com as derrotas sofridas por Bordeaux e Toulouse. Era a chance de a equipe voltar a abrir distância na liderança. Para tanto, armou-se de forma competente para chegar ao seu objetivo. O MUC 72 teve uma apresentação tímida, em muito provocada pela atuação segura do meio-campo lionês.

Claude Puel preferiu mandar a campo um Lyon no 4-4-2, mas de características bem ofensivas. No meio-campo, apenas Toulalan desempenharia um papel de maior marcação. Com Keita, Juninho Pernambucano e Delgado (este mais à esquerda) completando o setor, e Fred e Benzema na frente, o Le Mans pouco teve a fazer para conter os avanços do adversário. Com este esquema, o OL apresentou grande fluidez, ocupou espaços de forma inteligente e ainda serviu bem seus atacantes.

Na defesa, o jogo mal serviu para avaliar se a dupla de zaga formada por Cris e Boumsong apresentou alguma evolução. Se eles trabalharam pouco, foi um sinal do trabalho reforçado de Toulalan, uma garantia de segurança diante de jogadores sem o entrosamento considerado ideal. Faltava ao Lyon reencontrar esta confiança, despertada nos fantásticos 5 a 3 sobre o Steaua Bucareste na Romênia, pela Liga dos Campeões.

E mais uma vez o time romeno entra no caminho dos lioneses como oportunidade para consolidar um bom momento. Espera-se um desempenho destacado de Benzema, que tem primado pela regularidade. Um novo triunfo sobre o Steaua em Gerland, além de colocar o Lyon mais perto das oitavas-de-final da LC, abrirá margem para um fim de ano bastante tranqüilo para o OL na Ligue 1.

Olympique em segundo

Depois do vexame em pleno Vélodrome no clássico contra o Paris Saint-Germain, o OM voltou a encontrar sua torcida para o duelo contra o Saint-Etienne. Era a chance de iniciar a redenção da equipe, ainda mais com a péssima situação vivida pelo rival. Como prova de sua oscilação nesta temporada, os marselheses derrotaram os Verdes por 3 a 1 e reassumiram a segunda posição na tabela graças às derrotas de Toulouse e Bordeaux. Apesar da recuperação, o Olympique ainda não convence.

Os donos da casa entraram em campo com uma formação inédita em seu ataque. Sem contar com Niang, o treinador Eric Gerets foi obrigado a escalar a dupla Valbuena e Koné na frente. As atenções, porém, estavam voltadas para Ben Arfa. O meia-atacante, que ficou devendo nos duelos contra PSG e Nantes, sentia em seus ombros a tarefa de readquirir a confiança tanto da torcida como da diretoria. O ataque de estrelismo contra os parisienses ainda precisava ser compensado com uma bela atuação.

O Saint-Etienne estava disposto a acabar com o jejum de 29 anos sem ganhar na casa do adversário e tentou sufocar o OM. A entrada de Mirallas no ataque deu um pouco mais de dinamismo ao setor, mas logo o ímpeto do ASSE arrefeceu. Foi o suficiente para o Olympique explorar os erros defensivos do Saint-Etienne, principalmente quanto à marcação em lances de bola parada – origem do gol marcado por Cheyrou.

Quando o placar estava empatado, Ben Arfa fez o que se espera dele. O ex-lionês chamou a responsabilidade para si e comandou a vitória marselhesa com autoridade. Ele marcou um gol de pênalti, ajudou a distribuir passes perigosos e reconquistou a moral perdida. Ben Arfa precisa apresentar a mesma vontade também contra equipes de maior qualidade técnica ou em momentos de grande pressão, não apenas contra um adversário com problemas tão notórios. O duelo contra o PSV no Vélodrome pela Liga dos Campeões aparece como uma grande oportunidade para ele mostrar realmente a que veio.

Já Eric Gerets parece limitado quanto às escolhas para seu ataque. Contra o Nantes, o treinador escalou Grandin como titular, mas o resultado foi pouco proveitoso. Para o duelo contra os Verdes, o preferido foi Valbuena, mas de novo o saldo esteve longe do esperado. O belga pelo menos teve algum alento no segundo tempo. No intervalo, Gerets trocou Valbuena por Kaboré, com o intuito de fortalecer seu meio-campo e, de quebra, anular os contra-ataques armados pelo ASSE. Talvez seja uma alternativa a se pensar para o caso de se querer uma equipe mais forte na marcação e sem perda de velocidade para ligar uma jogada ofensiva.

Por outro lado, a defesa marselhesa segue sem transmitir confiança. Mandanda vive uma fase ruim, com dificuldades para manter o mesmo nível do começo da temporada. Hilton também vive muitos altos e baixos no miolo da zaga. Já Taiwo prima pela regularidade: todos sabem de seus defeitos na marcação e dos espaços que costuma deixar pela esquerda. Exatamente por conta destes pontos falhos, o OM permanece como um ponto de interrogação.

O time precisa de uma grande exibição contra um rival forte para finalmente embalar, ganhar ânimo e tirar forças para compensar suas falhas. A chance de se manter vivo na LC aparece como grande oportunidade para isto. Apesar da fragilidade do PSV, o Olympique pouco mostrou em Eindhoven suas capacidades para superar o rival. Um novo fiasco apenas serviria para ratificar a inconstância da equipe e alertar mais uma vez para seus tão conhecidos defeitos.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo